Brasil ajuda Moçambique – “Destruição é total”, diz missionária

Foto: Mike Hutchings/Reuters

Assistência do governo brasileiro inclui equipes de resgate e salvamento. Mais de 700 pessoas morreram e 53 mil casas foram destruídas. “O povo caminha pelas ruas a procura do que comer”, diz uma missionária

O governo brasileiro decidiu, no âmbito do Grupo de Trabalho Interministerial sobre Assistência Humanitária Internacional, coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores, enviar dois aviões de transporte Hércules C-130, da Força Aérea Brasileira (FAB), com ajuda humanitária para Moçambique.

Segundo nota divulgada hoje nesta quarta (27) pelo Itamaraty, a ação se dá por meio da Agência Brasileira de Cooperação, no contexto da emergência humanitária causada pelo Ciclone Idai, que assolou Moçambique no dia 14 deste mês, com ventos de mais de 170 km/h. O fenômeno provocou grandes inundações e deixou praticamente destruída a cidade portuária de Beira, a segunda maior do país.

A primeira etapa da assistência humanitária brasileira a Moçambique reúne equipes de resgate e salvamento da Força Nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública, inclui 20 especialistas em busca e salvamento e dispõe de botes e outros equipamentos adaptados ao tipo de desastre ocorrido em no país. Também segue para Moçambique uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de MG.

O Ministério da Saúde doou kits de medicamentos e insumos básicos de saúde capazes de prover assistência emergencial para 9 mil pessoas, por até um mês. A primeira parte da assistência humanitária brasileira será embarcada sexta (29) e destina-se à cidade da Beira, onde deve chegar na tarde de sábado (30).

Foto: Josh Estey/ Care international/ Reuters
Destruição

Segundo dados do governo de Moçambique, o número de pessoas afetadas no país subiu para 794. O Porto de Beira está funcionando. As linhas ferroviárias estão sendo retomadas uma a uma.

As linhas de Sena e Machipanda foram reabertas ao tráfego ferroviário. Número de mortos nos 3 países passa de 700. E 53 mil casas foram destruídas. Vilarejos foram destruídos totalmente e desapareceram do mapa. Não há registro de brasileiros mortos.

Ajuda

Várias igrejas evangélicas do Brasil através de agências missionárias se mobilizaram para enviar ajuda ao país. A Secretaria Nacional de Missões (Senami), da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil se alistou para arrecadar doações em dinheiro.

Os recursos serão destinadas para a compra de água, comida e reforma ou reconstrução dos templos atingidos pelos temporais.

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A Junta de Missões Mundiais (JMM) também lançou uma campanha de ajuda a população do país. Comunhão conversou com uma das missionárias da instituição, Noêmia Cessito, que mora em uma das regiões afetadas. Ela contou como está a situação do país.

Comunhão – Como esta a situação atual dos locais atingidos pelo ciclone?

Noêmia Cessito – A situação dos locais atingidos pelo ciclone é grave. Depois da passagem do ciclone muita coisa já aconteceu. Estão tirando as árvores da ruas, limpando, mas deixou doenças como a cólera. E a malária está vindo muito mais rápida por conta das águas paradas. A destruição é total. Não é dizer que podemos socorrer uma ou duas pessoas. São milhares de pessoas desabrigadas.

Como a população do pais esta sobrevivendo em meio a destruição?

Eu tenho uma admiração muito grande pelo povo moçambicano como eles sabem viver em meio a dor e ao sofrimento. Eles caminham pelas ruas a procura do que comer. Não estão preocupados com o que vestir, apenas tem fome. São sofridos e estão ainda mais por sofridos por conta da tragédia. Mas é um povo que sabe aceitar com facilidade o sofrimento porque a vida toda deles foi de sofrimento.

Poderia nos relatar como foi a passagem do ciclone na região?

Nós fomos informados que o ciclone passaria, mas não imaginaríamos alguma coisa igual. Ele foi devastador. O ciclone começou às 18h com as ventanias e foi até a última passagem até as 4 horas da manhã. Ele passava, balançava tudo e derrubava. Ia para outro local e voltava. E por fim, ele veio e derrubou tudo o que tinha deixado em pé. Foi algo assustador. Nunca tinha visto algo assim na minha vida. Pela manhã quando acordei e vi toda a devastação do meu quintal eu não imaginava ainda o que tinha acontecido nas ruas. Milhares de casas caídas, outras sem telhas, postes e árvores, tudo estava no chão. Muita gente morreu e aí veio a cheia do buzi que matou mais uma pancada de pessoas. Foi algo que não dá para explicar e nunca mais iremos esquecer.

*Com informações das agências


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