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sexta-feira, 5 DE dezembro DE 2025

Black Friday X Dia de Ação de Graças: o risco de esquecer o essencial

O verdadeiro presente da Black Friday pode ser a sabedoria para escolher com o coração, não apenas com o cartão - Foto: Freepik

Um olhar para o impacto da Black Friday no comportamento de compra e para as escolhas que podem preservar saúde financeira e significado nesta época do ano

Por Patrícia Esteves

A Black Friday nasceu nos Estados Unidos como a sexta-feira imediatamente após o feriado de Ação de Graças, um dia que acabou se tornando, na prática, o início oficial da temporada de compras de fim de ano. Por lá, as lojas abrem mais cedo, as famílias já esperam o período como parte da tradição e o varejo trata a data como um grande marco anual. No Brasil, o movimento ganhou outros contornos, sem o contexto do feriado norte-americano, a data foi incorporada pelo comércio como um evento estendido. O que começou com um único dia de ofertas se transformou em um mês inteiro de campanhas, aquecendo o varejo nacional e criando uma dinâmica própria de descontos, marketing agressivo e consumo contínuo ao longo de novembro.

O alerta de um líder cristão sobre os riscos do consumismo desenfreado pode ajudar famílias a refletir sobre prioridades e propósito nesse período. A Black Friday é muito mais que um dia de compras. Ela virou um fenômeno cultural que mistura expectativas, ansiedade e, para muitos, uma corrida ao consumo que pode sair do controle. Isso exige olhar para esse momento com sabedoria.

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O que está por trás das ofertas

Enquanto nos Estados Unidos a Black Friday representa um verdadeiro marco de consumo, com 197 milhões de pessoas participando dos cinco dias de promoções no fim de novembro e gastos médios de US$ 235 por consumidor, no Brasil o fenômeno também ganhou força, mas em outra dinâmica. Segundo levantamento da Neotrust, o comércio eletrônico nacional faturou mais de R$ 9,3 bilhões entre os dias 28 de novembro e 1º de dezembro de 2024, com cerca de 17,9 milhões de pedidos feitos nesse período.

Já o varejo físico brasileiro registrou uma alta de 18,7% no mesmo intervalo, segundo a Serasa Experian, uma demonstração clara de que a Black Friday se firmou como momento estratégico de vendas para múltiplos formatos de comércio.

Para o CEO da Crown Financial Ministries, Chuck Bentley, é essencial enxergar além dos números. “A pessoa não compra na Black Friday porque encontra boas ofertas o ano todo e sabe reconhecer a propaganda enganosa das chamadas promoções desta época do ano”, diz ele. Para Chuck, muitas dessas promoções são sustentadas por apelos emocionais, “marketing emocional que induz os consumidores a comprarem itens desnecessários ou não planejados, como ‘oportunidades únicas’, ‘promoções imperdíveis’ e ‘ofertas por tempo limitado’”.

A tentação do excesso

Gastar demais durante a Black Friday não é incomum. Conforme uma pesquisa da Experian citada por Chuck, 63% dos entrevistados admitiram ter comprado além do planejado nas festas de fim de ano, e 56% declararam sentir-se estressados com suas finanças nesse período. Esses números expõem uma realidade, a chamada “economia de desconto” pode vir acompanhada de dívidas, ansiedade e arrependimento.

Há também um impacto mais profundo no crédito. Chuck lembra que quase metade das pessoas relatou ter sido pressionada a gastar mais do que podia, enquanto um terço se preocupou com o efeito desses gastos no crédito pessoal.

Vantagens e perigos da Black Friday

Chuck reconhece ganhos legítimos para quem compra com estratégia, pois é possível economizar em itens necessários, aproveitar a época para antecipar compras de fim de ano e escapar do estresse de última hora.

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Mas ele alerta para os riscos de cair nas “chamadas ofertas podem não ser os melhores preços do ano”. Além disso, o frisson de consumismo toma espaço de coisas mais significativas. “Isso tira o foco do Dia de Ação de Graças e do tempo de qualidade com sua família”, afirma. Ele também aponta para a “frenética onda de compras” que pode levar ao desperdício, ao aproveitamento irresponsável de recursos e ao consumo desenfreado.

Um chamado à reflexão cristã

Na visão de Chuck, a tentação do consumismo tem raízes espirituais. Ele evoca a advertência bíblica de Lucas 12:15: “E ele lhes disse: ‘Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância; a vida de um homem não consiste na abundância dos seus bens’”.

Para ele, o antídoto está na gratidão e no discernimento. “Devemos discernir em oração se e como nos deixamos levar pelos caminhos do mundo”, recomenda. Isso significa não apenas resistir ao impulso de gastar, mas também conhecer os próprios gatilhos: o que nos leva a comprar sem pensar? Que tipo de mídia ou relacionamentos fomentam esse comportamento?

Além disso, Chuck sugere ações práticas e generosas. “Podemos nos desfazer do que não precisamos e doar o que não precisamos, enquanto repassamos nossos bens valiosos para entes queridos”, reforça. Ele propõe um gesto concreto em família e, em vez de deixar o presente Natal se tornar fonte de estresse, estabelecer um limite de gastos, sortear nomes para troca de presentes e priorizar o significado mais profundo das dádivas.

Propósito maior para os presentes

Para Chuck, presentear pode ser uma expressão de amor e propósito, não apenas uma oportunidade de consumir. Ele recomenda conversar com a família sobre o “porquê” dos presentes. “Questionar se será que o presente que vou dar é algo que a pessoa realmente deseja ou apenas algo que me atrai por ser barato”, diz.

Mais ainda, ele desafia, que é melhor pensar menos no que se quer e mais no que os outros precisam. E orar perguntando a Deus como se pode ajudar os pobres, as viúvas, os órfãos, os necessitados ou a igreja perseguida. Segundo ele, quando a generosidade orienta as escolhas financeiras, o Natal se transforma de uma corrida por descontos para um tempo de celebração real, de conexão e de serviço.

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