Professor transforma Bíblia em referência para aula de História

Professor Di Gianne de Oliveira Nunes em uma de suas aulas de História dentro de um presídio Foto: Gustavo Andrade/Nova Escola
Professor Di Gianne de Oliveira Nunes em uma de suas aulas de História dentro de um presídio Foto: Gustavo Andrade/Nova Escola

“Um aluno me perguntou se a bíblia podia ser usada como fonte histórica”, relata professor

Uma mãe de um recuperando do sistema prisional ligou para o professor Di Gianne de Oliveira Nunes. Do outro lado da linha, aos prantos, ela contou que havia visto o filho no noticiário, não por ter cometido um crime, como no passado.

Assim o jovem, entre outros, que cumpriam pena, fizeram parte do projeto “Regime Fechado, Visão Aberta”, que deu a Di Gianne o Prêmio Educador Nota 10 em 2017. De acordo com o educador “não tem um dia que não me lembro desse episódio”.

Primeiramente, Di Gianne dá aulas de História no presídio, há sete anos, na EE Monsenhor Alfredo Dohr. Porém, em 2017 teve a ideia de realizar o projeto na turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

“Tudo começou quando percebi que havia mais bíblias do que livros de História e um aluno me perguntou se a bíblia podia ser usada como fonte histórica”, lembra.

Dessa forma, “fui mostrando a eles que era necessário separar o religioso da narrativa histórica. Fomos debatendo e criando um caminho com um início, meio e fim, até culminar na nossa apresentação final”, conta.

A turma, formada por homens de 18 a 70 anos, estudou sociedade dos egípcios, assírios e romanos, retratadas na bíblia. Além disso, pesquisaram e compreenderam conflitos atuais entre israelenses e palestinos ou do fundamentalismo islâmico.

 

Evadson Geraldo fez a pergunta que motivou o projeto Foto: Gustavo Andrade/Nova Escola
Evadson Geraldo fez a pergunta que motivou o projeto (Foto: Gustavo Andrade/Nova Escola)
TRANSFORMAÇÃO

Di Gianne cita que, na época, boa parte dos alunos não conhecia arqueologia. A partir do projeto, eles ampliaram a visão e até os familiares começaram a perceber as mudanças durante as visitas.

“Eles contavam que falavam sobre o projeto com seus parentes, que tinham mais assunto. Eu fui notando que aquilo tudo era uma semente do conhecimento e até a autoestima deles melhorou. Quando ganhamos o prêmio foi uma coisa de louco”, brinca.

EXTENSÃO DO PROJETO

“Esse projeto é totalmente replicável em outras escolas, eu mesmo já levei para outras cidades e até mesmo salas de aula em outros presídios”, conta Di Gianne.

Além disso complementa. “Queira ou não, até o aluno não religioso enxerga a Bíblia como um livro admirável pelo tempo que foi escrito e sua propagação até hoje”, afirma.

Segundo o professor, “quando estava desenvolvendo o projeto com a turma de EJA, a professora de Ciências da nossa escola, que abordava questões de saúde, aproveitou para passagens bíblicas para falar de algumas doenças”, diz.

PRÊMIO EDUCADOR NOTA 10


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