A Bíblia é um manual de empreendedorismo

Foto: Arquivo pessoal

É a declaração de Gustavo Ipólito, idealizador da GoldStreet Venture Capital, o primeiro fundo intencional da Améria Latina trabalhado, que trabalha para desenvolver um ecossistema de empreendedorismo cristão

O Brasil é um celeiro de inovação e impacto social no que tange a projetos empreendedores. E o investimento em startups contribui para esse crescimento. Hoje, muitos cristãos estão investido seus negócios neste segmento de mercado e até mesmo contribuindo para o reino.

Segundo Gustavo Ipólito, empresário cristão, sócio e diretor da Social Comm Serviços e Tecnologia, para quem ainda tem dúvida sobre investir nesse negócio,m bata recorrer à Bíblia. “A bíblia é um manual de empreendedorismo. Nela temos muita instrução de como criar, começar e conduzir os negócios. Além de abordar sobre mentoria, planejamento e ainda instrui como fazer”, disse.

Além de falar sobre os fundos de investimentos com propósitos no empreendedorismo, esse é um dos assuntos abordados na palestra do emrpesário, na sétima edição do Congresso Empreendedores do Reino, que será realizada entre os dias 22 a 24 de agosto, em Vitória (ES).

Membro da Igreja Batista do Povo, em Vila Mariana (SP), Gustavo também é um colaborador para o crescimento do reino. É idealizador da GoldStreet Venture Capital, o primeiro fundo intencional da Améria Latina trabalhado, que trabalha para desenvolver um ecossistema de empreendedorismo cristão, que traga impacto social e ambiental e que seja intencional.

Na entrevista exclusiva à Comunhão ele fala dos seus investimentos, das dificuldades dos empreendedores diante do mercado competitivo e a contribuição do cristão no âmbito dos negócios. Confira!

Comunhão – As startup’s têm revelado muitos talentos e também feito muitos profissionais se tornarem autônomos. Mas, muitas não sobrevivem. Por quê?

Gustavo Ipólito – Já é um fato esperado que aproximadamente 8 entre 10 statups não deverão ter sucesso. Isso vem em decorrência de um planejamento falho e também de falta de conhecimento do mercado, como clientes, concorrência e aderência do produto ou serviço a um problema ou dor real, ou ainda à falta de experiência dos sócios. Chamamos de dor o problema a qual queremos resolver com nosso produto ou serviço e o que vemos é que, geralmente, o empreendedor não aprofunda seu estudo sobre a dor. E acaba ficando na superficialidade. Costumo dizer que ele fica na casca do ovo, não conseguindo chegar na gema, ou centro do problema. Então, são investidos tempo, dinheiro e outros recursos para desenhar uma solução que não atende a dor. Ao ir para o mercado, ou o produto acaba tendo uma vida muito curta ou nem chega a ser aceito, sendo um fracasso em vendas. Um estudo do SEBRAE de 2014 sobre causa mortis, apontou que 46% das empresas que fecharam antes dos 2 anos não conhecia os hábitos de consumo de seus clientes, tão pouco quantos clientes potenciais poderiam ter. E 39% não sabiam qual seria o capital de giro necessário. E pelo menos 38% não conheciam nem a concorrência. Os  processos de investigação e planejamento são fundamentais para aumentarem as chances de sucesso de uma startup.

O Brasil é um celeiro de inovação e impacto social?

Foto: Arquivo pessoal

Sim. Somos hoje o principal país da América Latina quando falamos de investimento de impacto e em inovação. Isso vem confirmar que somos um seleiro de inovação e com grandes oportunidades para empresas de impacto social. Basta sair às ruas e olhar para o lado.

Há várias oportunidades de empreender para solucionar problemas sociais ou ambientais. São mais de 800 empresas mapeadas que atuam diretamente em uma causa social. Muito pouco para as necessidades que temos e pelas oportunidades que se apresentam por aqui.

Este cenário de inovação e empreendedorismo social é comprovado em um relatório recém lançado da LAVCA – Latin America Venture Capital Association, que aponta alguns itens interessantes. O primeiro é a criação de Empregos, foram 25 mil criados em 2018 na América Latina, através das startups. O segundo é a tecnologia. Pelo menos 73% das startups de todos os setores utilizam big data, machine learnig ou inteligência artificial. E por último é o impacto. Os dados apontam que 59% das startups geraram impacto social positivo, vindo no topo da lista a inclusão financeira (as chamadas fintechs).

Quais os passos para um negócio empreendedor de sucesso?

Planejamento! Este é um ponto que pode fazer toda a diferença. Investir tempo aprofundando o conhecimento sobre o problema a ser resolvido, o mercado potencial, a concorrência, tendências e definição do produto levando tudo isso em conta. Em várias de minhas palestras abordo desde a ideia até a busca por investimento. Falo sobre as fases de ideação, protótipo, piloto, MVP e organização do negócio. E cito versículos bíblicos como o que está descrito em provérbios 21:5: ”Os planos bem elaborados levam à fartura; mas o apressado sempre acaba na miséria”. Planejamento é fundamental para o sucesso de um negócio. Outro ponto de extrema importância é a composição dos sócios. Quando falamos de investimento em startups através das Venture Capitals, muitas vezes a decisão por não investir no negócio é porque o quadro de sócios não é bom. De saída uma empresa com apenas um empresário no board já é motivo para “no go”. Isso caracteriza um alto risco para o negócio, pois caso aconteça algo com este empresário (sapude ou morte) o negócio certamente será seriamente afetado. Outro risco para um único sócio é quanto às suas características de personalidade. A pergunta é: por que este empreendedor está sozinho? Por que não conseguiu ou não quis um sócio? Isso pode significar que o empresário seja extremamente individualista ou que não aceite que outra pessoa interfira na condução dos negócios. Se isso for verdade, esse empreendedor não será ensinável e dificilmente ouvirá os investidores ou mentores, podendo levar seu negócios rapidamente ao fracasso. Também aconselho que o empreendedor tenha bons mentores.

Como driblar a ausência de políticas públicas eficazes e eficientes nesse sentido?

Sabendo qual é a regra do jogo e estando preparados para isso, as chances de vencer serão bem maiores. Quando um empresário diz que a carga de impostos é inviável para seu negócio e que se ele pagasse tudo provavelmente quebraria, eu faço a pergunta: Mas você, quando panejou sua empresa, não sabia que existiam essas taxas? Não os incluiu no seu Plano de Negócios? Geralmente o empresário inicia considerando que irá pagar apenas o Simples, por ser uma microempresa. Mas quando entra na fase de escalar seu negócio, depara-se com a carga tributária elevada, o que inviabiliza seu negócio. Se houvesse um planejamento para isso, a empresa estaria preparada para este momento também. Agora, não estou dizendo que vivemos num ambiente justo e favorável ao empreendedorismo, porque isso não é verdade. Muito pelo contrário. A carga de impostos e taxas e a variedade deles que temos hoje é realmente um grande obstáculo a ser vencido pelo empresário. O governo deveria ter a prioridade de desenvolver políticas públicas que incentivassem o empreendedorismo em todas as fases do negócio. Isso seria um grande passo para diminuir o desemprego no país e fazer com que a economia fosse retomada. A solução para a nossa economia e desemprego não virá de mega investimentos de empresas multinacionais ou das grandes brasileiras, mas sim de um mercado PME bem desenvolvido, gerando empregos e pagando seus impostos. Mas para isso precisamos de um ambiente empreendedor e de infraestrutura.

É possível criar fundos de investimentos visando ao desenvolvimento de projetos intencionais? Como?

Sim, “200% possível”! É isso que a GoldStreet Venture Capital faz. Somos o primeiro fundo intencional da Améria Latina e hoje estamos na fase de captação de recursos para o fundo GSVC1 de Impacto Social, além de estarmos avaliando algumas startups (due diligence) para investimento. Temos trabalhado para desenvolver um ecossistema de empreendedorismo cristão, que traga impacto social e ambiental e que seja intencional. Além de criar e fomentar este ecossistema de empreendedorismo intencional cristão, a GoldStreet proporciona ao investidor a oportunidade de investir com propósito. Sendo Deus o senhor de todo ouro e toda prata, onde nós, os mordomos, colocaremos/ investiremos os recursos que nos deu? Vamos “enterrar” os talentos, vamos acumular riqueza sem propósito, ou o faremos cumprir sua missão, usando estes recursos para a expansão do Seu Reino e ainda os multiplicando? Muito importante lembrar que o investimento em Venture Capital é de alto risco, onde o investidor pode perder todo o recurso investido, mas, por outro lado, estes recursos investidos nestes fundos irão proporcionar o crescimento da economia, desenvolvimento e, no caso da GoldStreet, proporcionar expansão do reino e impacto social e ambiental positivos. Hoje, no mundo, a tendência por investir em negócios de impacto social está crescendo e recursos de trilhões de dólares estão sendo direcionados para isso. Assim, cada vez mais é necessário que haja bons projetos para investir. Se não levarmos em consideração o investimento intencional, no Brasil há algumas opções de fundos que investem em empresas de impacto social e ambiental, além da GoldStreet.

6- Esta é uma alternativa para uma igreja local? Como fazer isso?

Não vejo a igreja criando um fundo, pois isso requer muito esforço e este não é o propósito da igreja. Porém, há a possibilidade dos membros o fazerem. A GoldStreet, que é onde atuo, também pode ajudar nesta criação e gestão destes fundos locais, com foco a impulsionar o ecossistema de empreendedorismo intencional regional. Esta é a nossa missão. Formatamos ela com o propósito de replicar a operação, criando rapidamente novos fundos regionais ou com focos específicos. Agora, muito importante a igreja neste processo, no sentido de combater a dicotomia do sagrado x secular. Ainda vemos muito cristão entendendo de forma equivocada que negócios, profissão e  investimentos não tem relação com Deus e que isso compete a ele(a) conduzir conforme entender o que deve fazer e não buscar a orientação de Deus para que tudo seja feito conforme Sua vontade.

Porque é tão difícil ajudar pessoas próximas a desenvolver seus projetos? Nesse cenário, há algo no meio cristão que o difere do meio secular?

Não entendo que seja difícil ajudar as pessoas próximas com seus projetos. Entendo que o empreendedor deve buscar ajuda especializada para conduzir seus projetos e, assim, aumentar suas chances de sucesso. Deve buscar mentorias de qualidade ou programas de aceleração que o ajudem a escalar seu negócio. Hoje não há desculpas, pois existe aceleradora de negócios que também são intencionais. Por exemplo, a Bluefields Aceleradora, onde 30% de seu programa é sobre Kingdom Business. O Empreendedor tem vários programas disponíveis. Desde um programa para “tirar o ideia da cabeça e por no papel” até fazer seu negócio escalar e se preparar para o investimento. Também não deve haver distinção da criação e condução dos negócios, a não ser pela intencionalidade de um Kingdom Business. Nós cristãos devemos ser exemplo na condução dos negócios, pois não são os nossos negócios, mas os negócios de Deus, os quais nós administramos. É uma grande responsabilidade que temos e seremos cobrados por isso.

Sob à luz da bíblia, embasado em valores e princípios cristãos, um projeto empreendedor tem mais chance de dar certo? (por quê?)

Foto: Arquivo pessoal

A bíblia é um manual de empreendedorismo. Nela temos muita instrução de como criar, começar e conduzir os negócios. Ela fala sobre mentoria, por exemplo: ”Os conselhos são importantes para quem quiser fazer planos, e quem sai à guerra precisa de orientação” (Provérbios 20:18).

Além de falar sobre o planejamento, também instrui sobre honrar seus compromissos, dando a Cesar o que é de Cesar. Da exemplo de gestão de pessoas, gestão de projetos, organização,  gestão financeira, inovação, e tudo o que o empreendedor precisa para gerir seus negócios. Mas chamo a atenção também para estes versículos:

“Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor” (Provérbios 19:21″. Devemos apresentar ao Senhor os negócios e buscar a resposta se este é o propósito d’Ele. Se for e nos colocarmos em suas mãos, então teremos grande chance de sucesso, pois: “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos” (Provérbios 16:3). Acho que por ser cristão, concorremos no mercado como todos os outros empreendedores e isso não é a garantia para dar certo, porém é a obrigação de fazer certo! Isso aumenta as chances de sucesso.

Você é idealizador e CEO da GoldStreet Venture Capital, o primeiro fundo de investimento intencional da América Latina. Como surgiu e como funciona esse fundo?

A GoldStreet é um projeto que nasceu primeiro no coração de Deus. Ele começou a me revelar este projeto em 2015 quando conheci o “Business As Mission” (BAM). Foi em um congresso em Curitiba (PR), onde participaram o Mats Tunehag e o João Mordomo. Neste congresso Deus me deu a missão de ajudar empresários cristãos a transformarem seus negócios em negócios do Reino e que, para isso,  iríamos também ajudá-los financeiramente. Pivotamos algumas vezes até chegar no modelo de Venture Capital. Deus foi mostrando o caminho, trazendo as pessoas, como os meus sócios Paulo Humaitá (CEO da Bluefields Aceleradora) e Dennis Nakamura (Ex sócio do iFoods e CEO da Relp! Aceleradora de Restaurantes), trouxe nossos mentores, que foram fundamentais para a construção de GoldStreet e, também, um time de mentores e parceiros para ajudar as startups no seu crescimento. A GolsStreet é uma empresa de Participações. Temos a GSVC1 de Impacto Social, uma empresa de finalidade específica para investir em empresas intencionais de impacto social, que é primeiro fundo, o qual está aberto para captação. Será um fundo de R$10 milhões e iremos investir em torno de 5 ou 6 startups. Avaliamos as empresas para investimento baseados em nossa Tese de Investimento. Assim, investimos em empresas de empresários cristãos que queiram ter seus negócios como Kingdom Business. Estas empresas tem que trazer impacto social  e/ou ambiental positivo em seus negócios. E, por fim, investimos de R$ 200 mil à R$2.5 milhões em cada empresa onde teremos uma participação societária de 10% a 25%. O que oferecemos às starups é o Smart Money, ou seja, o dinheiro investido vem junto com a assessoria da GoldStreet, programa de aceleração de nossa parceira Bluefields, mentoria de nosso time de mentores e outros parceiros que abrangem a gestão financeira, gestão comercial e outras áreas. Tudo isso tem o objetivo de minimizar os riscos do negócio, trazendo maior retorno financeiro aos investidores. Importante dizer que esta estrutura pode ser replicada facilmente para abrirmos novos fundos específicos ou não. Como é o nosso projeto para o próximo ano, um fundo para investir em empresas na janela 10×40, com parceira com a organização OPEN, do Patrick Lai.

A igreja deveria debater e orientar mais sobre empreendedorismo cristão? Como fazer isso?

Sim! Hoje vemos igrejas sofrendo com a crise da economia, vendo seus recursos diminuírem, com muitos de seus membros desempregados. Isso afeta os projetos sociais, os missionários e até mesmo a própria estrutura da igreja. Também vemos países “fechando suas portas” para a entrada de missionários e dinheiro de organizações cristãs. Por exemplo, a Índia criou uma lei que regula as contribuições  estrangeiras – Foreign Contribution Regulation. isso dificulta a entrada de dinheiro de doação no país, e inviabilizou muitos trabalhos missionários no país. Há outros países que caminharam na mesma direção, como por exemplo: Israel, Etiópia, Egito, Russia, Nicaragua, Sri Lanka, Nepal e Bangladesh e outros. Porém, estes países incentivam a entrada em empresas que tragam desenvolvimento, infraestrutura, empregos, crescimento econômico através do pagamento de impostos e tecnologia. Assim, o movimento Business as Mission (BAM), toma corpo e precisa de investimentos e negócios sustentáveis também. Cada vez mais, empresários levam seus negócios para estes países com o propósito da missão de expansão do evangelho. Por outro lado, no Brasil, este mesmo tipo de iniciativa (Kingdom Business – empresas do Reino ou empresas intencionais), proporciona o mesmo impacto, criando um ecossistema de empreendedorismo baseado na ética cristã que impacta positivamente, não só a igreja local, mas toda a sociedade. A igreja precisa se envolver, incentivando estas iniciativas empreendedoras missionárias, combatendo a dicotomia entre o sagrado x secular, formando e apoiando estes empresários missionários. Temos ajudado muito a igreja neste sentido, promovendo eventos chamados NwC+ Networking Cristão. Temos visto empresários entendendo que Deus deu a eles a capacidade de empreender e que eles devem conduzir seus negócios conforme a vontade de Deus, é d’Ele todo o ouro e toda a prata. Assim, empresários tem entendido que são mordomos nas empresas, são os administradores, mas Deus é o Founder, o CEO, o presidente do conselho… É assim também que conduzimos a GoldStreet Venture Capital. O mesmo tem ocorrido com investidores (devcidindo investir com propósito) e com profissionais entendendo que as empresas onde trabalham é o campo missionário deles.

Qual conselho daria para quem está iniciando um negócio não ter problemas no futuro e ver tudo acabar?

Planejamento, foco, propósito e muita dedicação. Como falei anteriormente, planejamento é uma questão crucial para o sucesso. Tê-lo feito não é garantia 100% de sucesso, mas não tendo feito é certeza de insucesso. Tenha foco, utilize bem os recursos e dedique-se ao negócio. Tenha sócios! Sócios que se complementem e não que se sobreponham. Ou seja, tenha sócios com conhecimentos diferentes para que um supra a carência do outro. Atue com propósito. Seja intencional, tenha o propósito de impactar positivamente a sociedade. Busque mentores que possam contribuir para o desenvolvimento de seu negócio. E avalie seriamente   a possibilidade de partiipar de um processo de aceleração em um aceleradora que possa agregar e te ajudar a preparar sua empresa para escalar. E, por fim, ao buscar um investidor, conheça sua tese de investimento e avalie se o propósito está alinhado ao seu.

7º CONGRESSO EMPREENDEDORES DO REINO

Data: 22 a 24 de agosto
Inscrições aqui
Local: Centro Católico de Estudos – CECATE
Endereço: Avenida João Batista Parra, 525, Praia do Suá, Vitória (ES)


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