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quinta-feira, 25 DE julho DE 2024

Apostas esportivas: cristãos devem tirar o time de campo

Apostas esportivas: De 2021 para cá, as apostas online no país cresceram 734,6%. Foto: reprodução internet

Jogo de aposta virtual que movimenta mais de R$ 120 bilhões por ano no Brasil pode levar o apostador ao vício e a outros problemas emocionais e espirituais

Por Cristiano Stefenoni

O que começou apenas como mais uma aposta esportiva virou um meganegócio que movimenta mais de R$ 120 bilhões por ano no Brasil. As BETs, cujo termo é uma abreviatura de “Betting Exchanges” ou bolsas de apostas, em português, são uma verdadeira febre. De 2021 para cá, as apostas online no país cresceram 734,6%, com 14 bilhões de acessos e 22 milhões de apostadores, segundo o Similar Web e o Datafolha. Mas qual é o impacto desses jogos para a sociedade e para a vida do cristão?

Primeiro, é importante ressaltar que, pelo menos na legislação, há diferença entre aposta esportiva e jogo de azar. No primeiro caso, elas são chamadas de apostas de quota fixa (previstas no artigo 29 da Lei nº 13.756/2018), ou seja, nela o apostador consegue acompanhar o resultado do seu jogo, pois se baseia nos resultados reais dos times.

Já no caso dos jogos de azar, como os do “Tigrinho” e do “Aviãozinho”, não há como verificar a forma como se chegou a um resultado nem qual foi o desfecho. Nesse caso, o jogo entraria na categoria de contravenção, enquadrado no Decreto-Lei nº 3.688/1941. Mas isso pode mudar, visto que, em 2022, a Câmara Federal aprovou o PL 442/91, que trata da regularização dos jogos de azar e de apostas em território nacional. O PL ainda não foi apreciado pelo Senado.

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Em relação às famosas loterias esportivas, elas foram regularizadas em 1967 e são consideradas um monopólio do Estado brasileiro (artigo 1º do Decreto-Lei nº 204/1967). Apesar de tantas regras e terminologias, o fato é que, na prática, as BETs seguem o mesmo princípio: o lucro de alguns em cima da perda de muitos.

De acordo com o teólogo Lourenço Stelio Rega, Ph.D. em Ciências da Religião, as reportagens recentes na imprensa mostram que algumas BETs estão associadas ao PCC, ao Comando Vermelho e aos “bicheiros” que usam essas plataformas para lavarem dinheiro e ampliarem seus lucros.

“Essas investigações apontam o controle de organizações criminosas sobre casas de apostas, além de disputas territoriais, ameaças e até assassinatos. O governo brasileiro já se preocupa com essa situação, mas também com a necessidade de sua tributação, além de coibir uma espécie de mercado ilegal. Mas legalizar o jogo no Brasil é um procedimento bem complexo. Como controlar a ‘massa’ de dinheiro que circula nessa contravenção?”, questiona Rega.

Além disso, Stelio Rega ressalta o alerta que a Bíblia alerta para a forma como gerimos nosso tempo e nossos recursos. “Na Bíblia, há princípios que apontam para a importância da mordomia da vida. O chamado de Jesus em Lucas 9:23 é para entregarmos tudo a Ele, todo dia, e isso envolve 100% do que temos e somos. Tudo faz parte da gestão que nos compete e é esperada por Deus, inclusive, dos bens e da minha saúde física-mental-emocional-espiritual. E é papel de cada cristão ser instrumento de Deus para ser a sua vitrine de Boas-Novas diante de um mundo viciado, imediatista e inconsequente”, enfatiza.

Cristão de verdade deve ficar longe das BETs

Para o empresário e teólogo Fábio Hertel, todo cristão deveria passar longe das BETs e de qualquer outro jogo de azar. Ele destaca que os supostos benefícios econômicos são pequenos, quando comparados com os potenciais malefícios para a integridade moral, a estabilidade familiar e o bem-estar espiritual da comunidade.

“Nossa posição é de firmeza e prudência, buscando sempre preservar os valores do Reino, conforme orientado pelos princípios bíblicos de responsabilidade e cuidado com o próximo. ‘Entre vós não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas atitudes não são adequadas aos santos’ (Efésios 5:3)”, afirma.

Apostas afetam lado psicológico do apostador

Inúmeros estudos no campo da psicologia e da psiquiatria têm surgido para tentar mapear as consequências comportamentais causadas pelo vício em jogos de apostas virtuais como os BETs.

Um artigo publicado na revista The Lancet Psychiatry mostrou que esse tipo de dependência atinge o córtex pré-frontal ventromedial, responsável pelas tomadas de decisões; o córtex frontal orbital, que responde às emoções; e a ínsula, que regula o sistema nervoso autônomo.

Outro estudo revelou, ainda, que jogadores compulsivos têm um aumento significativo na liberação de dopamina – conhecida com o hormônio da felicidade e que provoca a sensação de prazer e recompensa – o que reforça ainda mais a dependência do jogador.

“Jogadores compulsivos, como mostra um estudo, libera mais dopamina, reforçando a vontade de jogar e diminuindo a cautela em decisões arriscadas. Psicólogos e psiquiatras podem fornecer apoio emocional, estratégias para lidar com a situação e ferramentas para superar a dependência em jogos de apostas. Conscientizar sobre os perigos desses jogos e promover alternativas saudáveis de lazer são passos essenciais na prevenção”, orienta a psicóloga Julyanna Cardoso.

 

 

 

 

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