Cidade palestina retoma tradição em meio ao cessar-fogo e à crise humanitária em Gaza; população lota Praça da Manjedoura em busca de esperança e alívio
Por Patricia Scott
Depois de dois anos sem festividades natalinas, Belém, na Cisjordânia, voltou a iluminar sua árvore de Natal. A cerimônia aconteceu na noite de sábado (6) na entrada da Praça da Manjedoura.
O evento reuniu milhares de pessoas vindas de diversas regiões da Cisjordânia e também de Israel. A árvore, com cerca de 20 metros de altura e decorada com ornamentações em vermelho e dourado, simboliza a retomada de um evento tradicional no local reconhecido pelos cristãos como o berço de Jesus.
As comemorações haviam sido suspensas desde 2022, em meio aos impactos da guerra em Gaza e ao agravamento da situação humanitária no território palestino. Com o cessar-fogo entrando no segundo mês, a prefeitura decidiu realizar uma celebração mais contida, mas carregada de significado. Quando as luzes foram acesas, pouco antes das 20h, a multidão respondeu com aplausos e manifestações de alegria.
O prefeito de Belém, Maher Canawati, destacou que a celebração não apaga a dor provocada pela guerra. “A luz do Natal só tem sentido se alcançar os que sofrem”, declarou. A cerimônia ocorreu sem fogos de artifício, em respeito ao cenário ainda incerto e ao luto que atravessa famílias palestinas.
A violência no território palestino deixou marcas profundas. Além das mortes em Gaza e do deslocamento de milhares de pessoas, novas barreiras e postos de controle israelenses restringiram a circulação na Cisjordânia. Para muitos moradores, a árvore acesa representa um gesto de resistência e desejo de dias melhores.
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PF aprofunda apuração sobre crimes no Banco Maste - Polícia Federal investiga crimes financeiros no Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, em nova fase da Operação Compliance Zero Entre os presentes estava Randa Bsoul, 67 anos, que viajou de Haifa para participar do evento. “Há anos não tínhamos a chance de viver isso. Viemos celebrar e aproveitar este momento”, disse. Já comerciantes locais relatam que o conflito impactou duramente o turismo, principal fonte de renda da cidade. “Os últimos anos foram difíceis, estamos tentando sobreviver”, afirmou um lojista que preferiu não se identificar.
Mesmo assim, o clima da noite foi marcado por uma busca comum: esperança. “Queremos paz. Que este Natal seja o início de um tempo novo”, afirmou Diana Babush, moradora local. A mesma expectativa ecoou entre os presentes — uma mistura de cautela, fé e desejo de reconstrução. Com informações CNN Brasil

