O balé a serviço do reino

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A pastora e dançarina Carol Marrul faz sucesso entre jovens evangélicos e usa o balé para evangelizar: “somos a Palavra dançada”, declarou

Carioca, de voz delicada, corpo delineado e de uma beleza sem igual, a jovem pastora bailarina, Carol Marrul, da Igreja Renascer, do Rio, faz sucesso entre adolescentes. Aos  30 anos, ela representa uma das esperanças de renovação do público jovem da igreja brasileira.

Bailarina de Jesus, como se intitula, Carol diz usar o balé a serviço do reino. “É um chamado de Deus. Entendo esse ofício como uma responsabilidade e um privilégio. Luto para que a arte cristã seja reconhecida como uma arte de qualidade”, afirma. Há 15 anos fundou a Cia Tribo de Dança, da igreja Renascer em Cristo, que tem feito sucesso no Brasil.

Nesta entrevista à Comunhão, a pastora bailarina conta com mais detalhes sobre o seu chamado para o ministério, os desafios de exercer a dança na igreja, a quebra de tabus, o sucesso e os frutos do trabalho evangelístico através da dança.

Comunhão – Como surgiu seu interesse pela dança? Sempre gostou?

Carol – Quando eu tinha 10 anos meu pai começou a trabalhar como representante comercial de uma marca de roupas e artigos de Dança chamada Capézio. E eu me interessei em começar a dançar.

Como é ser uma bailarina a serviço de Deus? Foi um chamado?

Certamente é um chamado de Deus. Eu me aprofundei na dança ao ver a necessidade de haverem pessoas preparadas tecnicamente e artisticamente dentro das igrejas. Entendo esse ofício como uma responsabilidade e um privilégio.

Qual o maior desafio?

Quebrar a barreira do preconceito. Fazer com que entendam a importância das artes do reino de Deus para que haja valorização da mesma. E criar um relacionamento e uma comunicação mais efetiva com o grupo de louvor da igreja.

Há 15 anos você fundou a Cia Tribo de Dança, da igreja Renascer em Cristo. Como tudo começou e por que criar um grupo específico que une balé, arte e evangelismo?

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Sinceramente quando fundei a Cia Tribo eu não sabia por quê, apenas obedeci àquilo que Deus colocou no meu coração e confirmou de diversas maneiras.

Hoje eu entendo que a arte tem um poder de ministrar, tocar corações, curar, transformar, aproximar as pessoas de Deus.

Cada vez que vejo isso acontecendo é como se eu fosse Renovada no meu ânimo para continuar. E continuo mais forte, sabendo que estamos no caminho certo.

Como prepara as coreografias dos espetáculos que o grupo apresenta? É sempre focado na evangelização?

Primeiro deve nascer no coração de Deus, busco inspiração do céu, direção de Deus e, é claro, muito estudo técnico da dança, das tendências, e como posso trazer algo diferente para aquele trabalho coreográfico. É ficar na sala, na frente do espelho, fazendo e refazendo milhares de vezes até sair do jeito esperado. É ficar ouvindo a música no carro e imaginar a coreografia e os dedinhos dançando no volante. É deitar no travesseiro e dormir pensando naquela coreografia. De fato, é uma imersão.

Cada movimento específico da dança é uma forma de expressar a verdadeira mensagem de Cristo?

Acredito na seguinte frase: somos a palavra dançada. Deus fala com a gente e quer que sejamos transmissores da mensagem Dele.

Quais os maiores frutos desse trabalho?

Vidas que se aproximam de Deus por causa da arte cristã.

Você tem feito sucesso principalmente entre jovens evangélicos através das apresentações de dança, inclusive tem alcançado muita gente. Como atingiu sucesso tão rápido?

Não foi o sucesso que chegou rápido, mas o que eu sei é que eu trabalho muito e a palavra excelência faz parte do meu vocabulário desde sempre.

A dança é uma boa aposta da igreja para atrair a juventude para o reino de Deus? É uma forma de cumprir o Ide?

A linguagem da dança atrai crianças, jovens e adultos. A minha forma de pregar e evangelizar é através da minha dança e das minhas criações como diretora artística.

Até pouco tempo atrás, a dança não era comum nos cultos, principalmente em igrejas mais tradicionais. Você enfrentou alguma barreira quando começou? Se sim, como superou?

Enfrento até hoje. Acredito que não adianta brigar e nem se rebelar. Sinto-me responsável por ensinar as pessoas sobre a importância das artes e quais as necessidades para que elas funcionem bem.

É possível qualquer igreja investir nessa arte como forma de pregar o evangelho, sobretudo fora dos templos? Como?

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Sim. A Tribo trabalha dentro e fora do templo. Para trabalhar fora das paredes da igreja, a própria igreja precisa entender essa visão, pois é muito diferente da visão do grupo que só trabalha dentro da igreja.

Para trabalhar fora, precisa ser maduro espiritualmente, forte na fé, guerreiro na dança, humilde de coração.

Qual seu maior objetivo como pastora e bailarina? E quais são seus planos para o futuro?

Luto para que a arte cristã seja reconhecida como uma arte de qualidade. Para que ela seja valorizada na Igreja e fora dela. Meus projetos de espetáculos, eventos, flashmobs são para que, cada vez mais, esses objetivos sejam alcançados. Uma escola de artes é algo que almejo, e sei que através dela muitos artistas serão formados para compor com excelência e unção as futuras gerações.


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