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terça-feira, 16 abril 2024

Aumenta demanda por mulheres em cargos de liderança no Sul

Aumenta demanda por mulheres em cargos de liderança no Sul - Foto: Freepik

Historicamente, o mercado sulista é conservador. Iniciativas na região oferecem mentorias para que mulheres profissionais se destaquem

Chegar ao topo da carreira sempre foi muito mais difícil para elas do que para eles. Mas, felizmente, muitas iniciativas a favor da equidade de gêneros já começam a surtir efeito. Isso é o que comprova uma pesquisa conduzida pela Wide, empresa de recrutamento e seleção de alta gerência, que ouviu 600 executivos em posição de liderança da área financeira entre homens e mulheres nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

O estudo mostra que a predominância masculina ainda é grande. No Sul, 78% das vagas de alta hierarquia são ocupadas por homens, seguido por 74% em São Paulo. A boa notícia é que a demanda por mulheres nos cargos de liderança vem aumentando. De todas as vagas para o Rio Grande do Sul recrutadas pela Wide em 2021, 20% eram focadas em mulheres. Em 2022, esse número saltou para 25% Esse ano, essas vagas já representam 30%.

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Historicamente, o mercado sulista é conservador e fortemente marcado por empresas familiares. Em grande parte das companhias, a diversidade ainda é um tema recente – mas, cada vez mais demandado. “Essas empresas estão começando a enxergar a importância de incorporar essa pauta para elevar o valor do negócio e fortalecer sua estrutura para impulsionar o crescimento. Tanto que mais de 50% das empresas que atendemos no estado já se atentaram para a necessidade de equilibrar os gêneros nos cargos de liderança”, afirma Ricardo Haag, sócio da Wide.

Motivos para isso, não faltam. Um relatório divulgado pela Moody’s Analytics constata que a redução da desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho pode impulsionar a economia global em, aproximadamente, US$ 7 trilhões, ou seja, R$ 36,4 trilhões. O cálculo foi baseado no aumento salarial que mulheres entre 25 e 64 anos deveriam receber para que seus ganhos fossem equivalentes ao de colegas homens da mesma faixa etária. No Brasil, segundo dados do IBGE, uma mulher ganha 22% menos que um homem que ocupa a mesma função.

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Apesar de ainda vermos uma diferença marcante, mudanças importantes já começaram a ganhar força, principalmente no Sul, onde a desigualdade é maior. A WCFO, grupo de integração de executivas mulheres de finanças, é uma das maiores iniciativas na região dedicada a criar um ecossistema voluntariado e de mentoria fornecido por profissionais experientes para executivas mais jovens. Fundada em 2020, seu objetivo é fortalecer a participação feminina na área financeira no país, a partir de uma troca de experiências ricas entre todas as envolvidas.

Aumenta demanda por mulheres em cargos de liderança no Sul
Marcia Jardim, integra o projeto de integração de executivas mulheres de finanças – Foto: divulgação

Com participação gratuita, o aprendizado contínuo entre mulheres das mais diferentes idades é uma das maiores conquistas da iniciativa. “É muito comum enfrentarmos situações de desconforto e repressão neste ramo. Por isso, nossa missão é fornecer a maior rede de apoio possível à essas profissionais, compartilhando experiências e conselhos de como agir em momentos típicos deste segmento ainda fortemente masculino”, explica Marcia Jardim, integrante do projeto.

Hoje, a ação possui 70 mulheres participantes que se reúnem principalmente de forma online para contribuir cada vez mais com a ascensão dessas profissionais em suas carreiras. Empoderá-las para que sejam resilientes nessa trajetória, que se imponham frente às adversidades e que estejam preparadas para conquistar todas as oportunidades que merecem é o objetivo principal.

Se tornar uma líder nas empresas não é uma missão fácil, muito menos em setores que ainda apresentam uma grande predominância de homens. Felizmente, este cenário já começa a se redesenhar a favor desta mudança. “Queremos chegar em um momento em que o discurso da diversidade seja completamente natural, e não uma necessidade de ser reforçada. Este é um convite para ampliarmos essa visão de mercado, criando cada vez mais movimentos de desenvolvimento para que essas profissionais conquistem seu merecido lugar nas empresas”, finaliza Haag.

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