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sexta-feira, 13 DE fevereiro DE 2026
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Aumenta a perseguição aos cristãos na Síria

O país saltou da 18ª posição para a 6ª o que, segundo a Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026 da Portas Abertas, reflete os ataques a igrejas, fechamento de instituições cristãs e assassinatos motivados pela fé

Por Patricia Scott

Uma das maiores mudanças na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026, divulgada nesta terça-feira (13), pela Portas Abertas, aponta para a Síria, berço do cristianismo. Entre os 50 países analisados, 34 apresentaram aumento da perseguição aos cristãos, e a Síria foi o caso mais expressivo, saltando da 18ª para a 6ª colocação. O avanço no ranking, segundo a Portas Abertas, está ligado à intensificação da violência, incluindo ataques a igrejas, fechamento de instituições educacionais cristãs e assassinatos motivados pela fé.

A queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, contribuiu para um vácuo de poder em diversas regiões do país. “Milícias locais e grupos armados passaram a disputar territórios, deixando minorias religiosas ainda mais expostas a ameaças, extorsões e agressões”, pontua a Portas Abertas, acrescentando que um atentado ocorrido em junho de 2025, em Damasco, que resultou na morte de 22 cristãos, simbolizou o colapso da sensação de segurança que ainda persistia em algumas comunidades.

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Aumenta a perseguição aos cristãos na Síria
Marco Cruz: “A tragédia em Damasco deixou claro que a situação exige atenção imediata da comunidade internacional” – Foto: Portas Abertas

Para Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas Brasil, o episódio marcou um ponto de ruptura. De acordo com ele, quando a proteção estatal falha e ideologias extremistas ocupam esse espaço, minorias religiosas tendem a ser as primeiras vítimas. “A tragédia em Damasco deixou claro que a situação exige atenção imediata da comunidade internacional”, ressalta.

Nessa mesma linha, conforme analistas da Lista Mundial da Perseguição, o ataque ocorrido em Damasco provocou um impacto direto na rotina das comunidades cristãs, levando muitos fiéis a suspender a participação em cultos por receio de novas ações violentas. O episódio agravou o clima de medo e contribuiu para o aumento do deslocamento forçado.

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Para Matthew Barnes (pseudônimo por questão de segurança), comunicador sênior da Portas Abertas no Oriente Médio, a queda do regime de Bashar al-Assad chegou a gerar uma expectativa moderada de melhora para os cristãos sírios, mas o cenário rapidamente se deteriorou. “O que se seguiu foi um retrocesso profundo, marcado por atentado suicida, profanação de igrejas e expulsão de cristãos de suas comunidades, o que torna indispensável uma resposta urgente da comunidade internacional”, compartilha.

Após um período de relativa estabilidade depois da derrota territorial do Estado Islâmico, a Síria voltou a figurar entre os países mais violentos para cristãos. O grupo Hay’at Tahrir al-Sham (HTS), que assumiu protagonismo após a mudança de poder, chegou a sinalizar compromisso com liberdade e segurança. Entretanto, os ataques recentes minaram essas expectativas.

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Estimativas da Missão Portas Abertas indicam que, atualmente, cerca de 300 mil cristãos vivem em território sírio, número muito inferior ao registrado em 2015, quando a população cristã ultrapassava 1,1 milhão. A organização ressalta que a obtenção de dados precisos no Oriente Médio é limitada, mas diferentes relatórios confirmam um fluxo contínuo de emigração em uma região historicamente central para o cristianismo.

A Síria atravessa um novo período de incerteza política sob o atual governo, que assumiu o compromisso de reunificar o país após 14 anos de guerra civil. Apesar do discurso de reconstrução, o contexto recente tem sido marcado por protestos e confrontos, especialmente após a retirada de combatentes curdos de áreas da cidade de Aleppo, episódio que reacendeu tensões internas e resultou em mortes.

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