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quarta-feira, 21 abril 2021

A atriz britânica que virou missionária no Brasil

Cally Magalhães no Brasil há mais de 20 anos. Atualmente dirige um ministério de teatro nas prisões do país, para evangelizar os detentos

Por Priscilla Cerqueira

Cally Magalhães era atriz nos teatros da Inglaterra e ativa em sua igreja local, onde era liderava o evangelismo e dirigia um ministério escolar. Mesmo sem saber falar português, veio para o Brasil pela primeira vez em 1998 para trabalhar com crianças de rua. “Eu sabia que estaria servindo a Deus em algum lugar do mundo, mas não sabia onde ou por quê”, conta.

Em 1994, Cally estava lendo o artigo de uma revista sobre a situação das crianças de rua em São Paulo e ficou tocada por esta realidade. “Em São Paulo, as chuvas torrenciais no verão enchem os esgotos e os túneis, e às vezes as crianças se afogam à noite. Li isso e chorei muito”, lembra.

“Senti de uma maneira muito forte que isso não deveria estar acontecendo e Deus tocou claramente meu coração. Naquele momento, senti que Deus estava me chamando. Foi uma loucura porque eu não sabia nada sobre o Brasil e estava totalmente envolvida com a minha igreja local, mas eu sabia que tinha que ir, então pedi a Deus um sinal muito claro. Eu não queria ir por uma resposta emocional. Precisava que Deus me mostrasse que Ele realmente queria que eu viesse para o Brasil”, contou.

O sinal

Certo dia, Cally estava caminhando numa rua, orando por uma direção de Deus, e entrou em uma loja. Quando saiu do estabelecimento, viu do outro lado da rua uma caçamba amarela com a inscrição “Brasil” em letras maiúsculas. Este era o sinal que ela precisava.

Cally se mudou para uma favela em São Paulo, onde nove pessoas foram assassinadas na semana em que chegou. “Mas não senti medo. Senti uma paz total por estar no lugar certo”, diz ela.

Evangelho nas prisões

Mais de 20 anos depois, Cally ainda está em São Paulo trabalhando com pessoas necessitadas. Ela não atua mais diretamente nas favelas, mas dirige um ministério de teatro nas prisões do Brasil, a fim de evangelizar os detentos.

A Associação Águia trabalha principalmente com jovens infratores e seu objetivo é levá-los a entender que, com as escolhas certas, podem ter um futuro diferente. A estratégia usada por Cally é colocar os presos para encenar seus próprios crimes, mas desta vez os colocando em papéis diferentes, como de vítima, seus pais ou um policial.

“É quase como religar seus cérebros. Quando eles atuam nessas cenas como sua mãe, ou a vítima, ou o policial, a ficha cai de uma forma que não cairia se eles estivessem sentados conversando com um psicólogo; isso não afeta eles.

“Com o psicodrama, eles saem dizendo ‘ai meu Deus, nunca pensei na minha vítima e agora não consigo parar de pensar na minha vítima’. É como se pela primeira vez eles percebessem as consequências do que estão fazendo. Se colocar no lugar de outra pessoa e inverter os papéis é muito poderoso”, relatou.

*Com informaões de Christian Today

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