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quinta-feira, 9 abril, 2020

Morte da vereadora: “A sociedade está enferma, perdeu os valores”

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A vereadora Marielle Franco era militante política e investigava a conduta de policiais em atuação nas comunidades do Rio.

As investigações do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (Psol) estão sendo acompanhadas de perto pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos. O crime ocorreu na última quarta-feira (14), quando a parlamentar e o motorista Anderson Pedro Gomes foram atingidos por disparos. Ela morreu com quatro tiros na cabeça.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) repudiou o assassinato. O organismo aponta a vereadora como “reconhecida defensora de direitos humanos”. Para a Comissão, o Estado brasileiro “tem a obrigação de investigar o lamentável crime”. E isso deve ser feito “de maneira séria, rápida, exaustiva, independente e imparcial, e punir os responsáveis intelectuais e materiais”.

Moção social

Enquanto as respostas sobre a morte da vereadora não aparecem, o assunto se tornou quase que onipresente nas redes sociais. Um dia após o assassinato, diversos protestos foram organizados em diferentes estados. Por um lado, uma onda de indignação e repúdio mobilizou a população, instituições e entidades da sociedade civil. Mas por outro, pessoas elencavam motivos que pudessem “validar” o assassinato.

Pastor Cosme. Eduardo de Oliveira. Foto: arquivo pessoal

O pastor Cosme Eduardo de Oliveira, da Igreja Evangélica Exército de Deus, de São Paulo, disse que a sociedade perdeu os valores. “É muita hipocrisia, porque as pessoas acabam se aproveitando de situações como essa para agregar alguma coisa, já que ela era uma pessoa pública”, destaca. “As pessoas acabam falando aquilo que está dentro delas. Mas o nosso posicionamento é a favor da vida”, afirma o pastor.

Para ele, houve exagero dos dois lados. “Todo dia morre gente assim. A sociedade está enferma e os valores foram perdidos. Creio que isso vai virar mais um caso como todos os outros”.

O pastor Michel Medeiros, da Igreja Comunidade da Cruz, em Cidade de Deus (RJ), todas as pessoas são importantes. “Mas algumas, como é o caso da vereadora Marielle, ganham mais visibilidade. Porém, nada justifica um assassinato, nessas horas, nossas ideologias políticas devem ficar de lado e chorarmos juntos pela vida de um inocente.” declarou.

Notoriedade

Pastor Dinart Barradas. Foto: Divulgação

Segundo o Pastor Dinart Barradas, diretor da Universidade da Família, em Pompéia (SP), o caso ganhou notoriedade já que a vereadora defendia os mais necessitados, porque acreditava na mudança. “Tem gente que coloca a vida em risco por causas mais ou menos nobres, mas que de todo caso, acha que vale a pena correr o risco. Foi o que aconteceu com a vereadora, assumiu um posicionamento político que custaria a sua segurança e a sua vida. E ela estava bem consciente disso”.

Outra questão colocada pelo pastor é que o assassinato da vereadora tem repercussão política para as eleições de outubro. “Vejo isso com um capital político para o atual governo. No plano geral, sempre morre uma pessoa que tem uma projeção social e essa visibilidade torna a circunstância um acontecimento e faz dela um estopim de uma voz mais audível das pessoas, daqueles grupos que ela representava”, declarou.

Repercussão Mundial

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos classificou como “profundamente chocante” o assassinato da vereadora. Em nota, a porta-voz Liz Throssel lembrou que Marielle Franco era defensora dos direitos humanos e que atuava contra a violência policial, pelos direitos das mulheres e de afrodescendentes em áreas pobres.

Ordem dos Pastores Batistas do Brasil

No sábado (17), a Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB) emitiu uma nota em repúdio a morte da vereadora. E pedindo que as autoridades se empenhem para encontrar e puir os responsáveis.

“Se confirmado que foi assassinada por suas opiniões, teremos atravessado uma nova e grave linha na já trágica deterioração de nossa sociedade. Como pastores batistas, defendemos o direito de todos expressarem suas ideias e crenças. Empenhamos nossas orações e nossos púlpitos para que os tristes sejam consolados e para que se reverta o quadro de violência e medo a que estão submetidos os cidadãos do Rio de Janeiro. E por fim, encarecemos às autoridades do Rio de Janeiro o máximo empenho para encontrar e punir os responsáveis por mais esse crime hediondo”, diz a nota.

Investigação do crime

A Delegacia de Homicídios trabalha com hipótese de execução, já que os atiradores não roubaram nada. Inclusive, a participação de policiais é considerada. A munição era de calibre 9mm é, segundo a perícia, foi adquirida pela Polícia Federal de Brasília em 2006.

Marielle Franco havia denunciado nas redes sociais abusos de policiais no último sábado (10). O 41º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Acari é o que mais mata no Rio.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, garantiu que está vendo de perto o trabalho de investigação. Para ela, a violência contra lideranças políticas é exemplo de atentado à democracia.


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