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sexta-feira, 18 setembro 2020

As interferências negativas na educação infantil

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Cris Poli ensina como os pais devem lidar com as influências na criação dos pequenos.

Além dos pais, há inúmeras pessoas educando as crianças. Avós, parentes, pai ou mãe separados, escola, moda, sociedade, televisão, internet são alguns exemplos disso.

Elas exercem influência na forma como os pequenos pensam, agem e falam. Em “Atenção! Tem Gente Influenciando Seus Filhos”, Cris Poli oferece ajuda aos pais que querem lidar adequadamente com essas interferências negativas.

Sem causar antipatia contra esses agentes, a educadora cristã ensina a assertividade, o diálogo e a firmeza de convicções como instrumentos indispensáveis ao cuidado com as crianças. Por meio de análise de histórias reais e sua vasta experiência em educação infantil, a autora mostra como agir.

Em entrevista à Comunhão, ela conta como lançar mão dos princípios bíblicos para alcançar o sucesso. Confira!

Como identificar se as influências são negativas ou positivas aos olhos de Deus?
Tendo por base os valores e princípios revelados por Deus na Bíblia Sagrada. Para transmitir tais valores, no entanto, e ver o impacto que essas verdades estão produzindo na vida dos filhos, é importante interagir com eles no dia a dia, observando se apresentam algum desvio de conduta em relação ao que Deus instrui em sua Palavra. É claro que, se a criança for pequena, os pais terão de explicar-lhe essas verdades de forma adequada e inteligível à idade dela.

Crianças criadas na fé cristã são mais difíceis de serem desviadas do bom caminho? Por quê?
Creio firmemente no que afirma o livro bíblico de Provérbios: “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Pv 22.6). Preste atenção no verbo utilizado, “instruir”. Os dicionários o definem como “educar”, “esclarecer”, “informar”, “adestrar”, “treinar” e “preparar para julgamento”. A criança que teve seu caminho pavimentado de forma consistente, quando for maior, saberá julgar o que é bom ou não para si, especialmente se a fé cristã é vivida dentro de casa e inculcada na comunhão e na prática de vida diária. Se você, papai ou mamãe, escolheu os ensinamentos bíblicos como referência para a criação de seus filhos, saiba que eles fornecem base sólida, confiável, verdadeira e eterna. Além do mais, a Bíblia é um livro extremamente didático, pois traz exemplos de pessoas que vivenciaram situações diversas e que colheram resultados bons ou maus, de acordo com suas escolhas.

Como lidar com a influência da internet e de outros meios de comunicação na criação dos filhos neste mundo tão conectado em que vivemos?
A internet e os meios de comunicação fazem parte do nosso dia a dia. O importante é colocar limites, horários, rotina e supervisão naquilo que os filhos estão assistindo ou jogando. Pais verdadeiramente responsáveis devem acompanhar aquilo que alcança os filhos por meio de livros, cinema, televisão, músicas, aplicativos de celular, internet e tudo mais, porque são plataformas nas quais são propagados estilos de vida e modelos de relacionamentos muitas vezes inadequados para eles, conforme o padrão de comportamento que possuem em casa. É preciso supervisionar.  Eu prefiro a palavra supervisionar em lugar de controlar, porque supervisão carrega implícito o conceito de que os pais estão atentos ao que os filhos fazem, mas sem cair no erro de serem ditatoriais ou rudes. Lembre-se de que a firmeza, em vez da violência, é o melhor caminho para manter os canais de comunicação e confiança abertos entre você e seu filho.  

E com os amigos da escola e dos avós, formadores de opinião e carinho, em especial estes últimos?
Eu sou sempre a favor do diálogo, em qualquer situação e por mais difícil que seja. A verdade nos aproxima e nos liberta. Caso tenha percebido qualquer influência ou impacto negativo em seu filho, aproxime-se dele, converse, faça-o expor o que o está incomodando, e ofereça-lhe colo, entendimento, conselhos e orientação. Em seguida, tome atitude, converse com as pessoas envolvidas, visando sempre o que é melhor para a educação da criança. 

Como evitar o “consumo” escondido do que é proibido?
Desenvolvendo um relacionamento próximo com os filhos, baseado no diálogo, na paternidade responsável, na confiança e na verdade. Se você conversa com seu filho, compartilha princípios sólidos, e demonstra coerência e amor em seu relacionamento com ele, certamente a criança terá a certeza de que, se papai ou mamãe proibiu algo, aquilo não é bom.   

Qual o poder do diálogo nesse processo?
O diálogo tem um poder muito forte porque aproxima as pessoas que conseguem expressar o que está no íntimo do coração. Dialogar com os filhos olhando nos olhos tem uma influência incrível na aproximação das famílias. Na medida do possível, assista, jogue, leia e esteja junto com seu filho na hora de utilizar alguma das mídias. Se não houver condições para isso, pelo menos saiba o que ele vai consumir como entretenimento. É importante que nessa supervisão haja uma sadia troca de ideias e uma proximidade que demonstre real preocupação, carinho e amor por ele. Ao participar dessas atividades com a criança ou o adolescente, você poderá observar de perto as situações que surgirão. Dessa forma, você, pai ou mãe, terá uma forma eficaz de analisar qual é o critério de avaliação de seu filho, se esses parâmetros estão de acordo ou não com o que você pensa, e se ele está realmente aprendendo ou se precisa de mais supervisão.    

Como preparar-se para lidar com uma reação negativa dos parentes quando o objetivo é interromper a influência negativa que exercem sobre nossos filhos?
Nesses casos creio que a convicção pela medida a ser tomada, a calma, a sobriedade e a sabedoria para enfrentar a situação são armas poderosas para cuidar de nossos filhos e assumir nossa responsabilidade da educação deles perante Deus. A possibilidade de atrito sempre existe, e é provável que o parente fique magoado após receber uma chamada de atenção, mas essa pessoa precisa reconhecer que não é a responsável pela educação da criança. É claro que não podemos deixar que um estado de inimizade e de amargura se instaure na família. Em casos de mal-estar provocado por um eventual desentendimento, o melhor a fazer é conversar com quem foi repreendido, mas só depois de fazer valer suas decisões, dar as ordens e disciplinar seus filhos de maneira correta. Caso você e algum familiar tenham sido rudes e grosseiros um com o outro, peçam desculpas mutuamente e se esforcem para manter a paz e o entendimento.   

No livro, você dedica um capítulo especial para falar sobre o ambiente escolar, inclusive com informações sobre as principais correntes pedagógicas e dicas para os pais escolherem a instituição de ensino mais adequada à criança. Qual risco pai e mãe correm ao não observarem tais informações antes de matricularem o filho em uma instituição de ensino?
A escola é o lugar onde os filhos irão passar metade do dia ou a maior parte do dia nos casos de educação em período integral. Por isso, a instituição deve trabalhar em parceria com os pais como extensão da família. É importante que a escolha da escola seja feita com muito cuidado e bom senso para saber se família e instituição de ensino estão em línea, ou seja, concordam com respeito aos valores e princípios que serão transmitidos aos filhos. Se assim não for, as crianças serão as grandes prejudicadas, pois estão em fase de formação.

Cristianismo, criação de filhos e as demandas de uma sociedade cada vez mais avessa aos padrões de conduta e moral estabelecidos por Deus. Há esperança para os pais que desejam transmitir a fé que professam aos filhos? De que forma podem fazê-lo?
O que nos dá esperança é saber que Deus está ao nosso lado. Perseverar nos valores e princípios cristãos não é fácil na sociedade em que vivemos, mas a convicção, a paciência e o amor devem prevalecer para poder acreditar num futuro melhor para nossos filhos.

 Veja outro trabalho de Cris Poli 

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