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terça-feira, 17 DE fevereiro DE 2026
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As igrejas dentro da “Igreja”. Não há vencedores!

Superexposição partidária e religiosa feriu a unidade da Igreja de Cristo, que deixou de ser um lugar de acolhimento e de abraço diante da crise política, no período do processo eleitoral 2022.

Por Lilia Barros

A expressão igrejas dentro da “Igreja” pode soar estranho e confuso, mas é o que tem acontecido com a Igreja evangélica brasileira, nos últimos meses. 

O doutor em ciências da religião, Marcos Sisma, afirma que analisar uma igreja única e unificada com uma suposta e sonhada unidade não é possível. E que isso é arriscado ou até injusto.

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“Acho que podemos dizer que temos “algumas” igrejas dentro da “Igreja” evangélica brasileira com seus aproximados 65 milhões de adeptos em suas mais e 2.000 denominações. Não podemos nos entender como os católicos que tem certa uniformidade ou pelo menos são menos variantes e com menos subgrupos do que nós. Por isso, o comportamento da igreja foi variado como ela é variada, ou plural, como ela é plural, já que abarca variadas práticas e doutrinas, bem como ideologias político-partidárias em seus movimentos internos.”

No entanto, Sisma ressalta que o que marcou muitas igrejas, em termos gerais, foi um engajamento elevado de seus membros nas últimas eleições. Ele explica que em alguns casos foi até exagerado e militante em prol de um candidato ou de outro.

“E isso é algo que não deveria ter acontecido, para o bem da unidade da igreja. As igrejas que se posicionam como de “esquerda” ou de “direita”, ou mesmo defendem abertamente o candidato A ou B, acabam sendo fiadores de suas plataformas como um todo, e do comportamento pessoal de cada candidato, sendo ele eleito ou não.”

Superexposição

“E nessa superexposição à política partidária provocada pelas mensagens de whatsapp, com seus vídeos, áudios, textos e demais formas linguísticas e simbólicas sem a devida verificação da veracidade, muitos aderiram lados e se deixaram levar por ideologias e preconceitos — e isso aconteceu em ambos os sistemas ideológicos disponíveis nacionalmente.”

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Portanto, as comunidades e mesmo os líderes que se posicionaram abertamente nesse momento político, optaram por um lado em detrimento do outro e consequentemente se tornaram oposição a alguém ou a algum projeto e por isso deixaram de ser um lugar de acolhimento e de abraço diante da crise provocada pelo maior engajamento da população nacional em uma campanha política dos últimos anos.

Segundo Sisma, a internet deu a possibilidade de todos falarem e isso em geral poderia ter sido benéfico. Mas, nas últimas eleições não havia fala ou diálogo, mas apenas gritos e ampliação de conflitos por uma comunicação interrompida entre aqueles que achavam estar com sua auto-verdade.

Não há vencedores

“Deveríamos todos ter aproveitado para apregoar a paz e não o conflito verbal e ideológico. Agora, as eleições passaram e os conflitos ficaram para serem resolvidos. Famílias, amigos, colegas de trabalho estão feridos de alguma forma. Não há vencedores. Nem mesmo aqueles que votaram no candidato vencedor. Igrejas foram afetadas, famílias foram separadas, relações foram esgaçadas e chegamos todos ao limite de nossas forças.”, afirma.

O esgotamento é evidente, assim como a divisão. É tempo de juntar o que se afastou. É tempo de refletir e de pedir perdão. Não temos o que comemorar. Só temos o que lamentar. Não soubemos lidar bem, como brasileiros em geral, com as nossas liberdades e ferramentas tecnológicas que em vez de nos aproximar, como era seu propósito original, nos serviram como arma para duelar por aquilo que considerávamos verdade ou pelo menos a nossa verdade.

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“O caminho do perdão será longo e dolorido, mas a verdade é o primeiro passo para isso acontecer e cada um de nós deverá assumir sua parcela de responsabilidade e culpa em todo esse turbilhão que foi o período eleitoral. Precisamos de restauração.”

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