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segunda-feira, 21 junho 2021

Jesus, os policiais e os criminosos

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Se Jesus fosse policial, mesmo sofrendo, faria de tudo para resguardar a vida dos criminosos ou inimigos da farda e do distintivo tanto quanto faria para guardar a vida de pessoas inocentes.

Porque Deus não faz acepção de pessoas. Esta é a única conclusão possível, a partir da meditação nas escrituras sagradas. Vejamos: “A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: minha é a vingança; eu recompensarei, diz o senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. Romanos 12:17-21.

Todo criminoso é inimigo da sociedade e nosso inimigo. Ocorre que, como cristãos, devemos tratar os inimigos de acordo com os mandamentos de Jesus: ama a teu próximo como a ti mesmo.

“Ouvistes que foi dito: amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.”(Mateus 22:37-39). “Eu, porém, vos digo: amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos de vosso pai que está nos céus. Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?” Mateus 5:43-47.

Irmão querido, irmã querida, os criminosos são pecadores, sem Jesus, como nós já fomos também, sem Jesus. São doentes espirituais por quem o senhor Jesus morreu na cruz. Deus tem misericórdia deles, como teve de nós. Tanto assim, que manda sol e chuva para eles também.

Se Deus, que é santo age dessa forma, tendo paciência com todos os homens para que eles se salvem (1 Timóteo 2:1-4), quem somos nós para desejar o  mal para eles? Nossa obrigação como cristãos é orar por todos os homens e mulheres que estão sobre a face da terra, para que venham a ter um encontro com Jesus, como nós tivemos – e venham a desviar-se do seu mau caminho.

Por fim, nós cristãos não devemos pensar e agir como o ímpio que quer a morte de seus desafetos – sejam eles criminosos ou não.  Nós como cristãos devemos seguir a bíblia e a ordem de Jesus de ter misericórdia das outras pessoas, não importa o que elas nos façam, porque assim Deus tem agido para conosco.

Você, eu e todos os seres humanos somos pecadores e merecemos a morte.  Mas Deus tem misericórdia de nós e só por causa dessa misericórdia divina é que não somos consumidos (Lamentações 3:22-23).

Em vez de nos odiar, Deus perdoa os nossos pecados e ainda nos abençoa por sua absoluta graça, decorrente do sacrifício de Jesus na cruz. A mente do mundo quer a morte sumária dos malfeitores; ao contrário, Deus quer o arrependimento e a conversão deles. O coração mundano odeia os malfeitores; mas aqueles que temem ao Senhor e o obedecem buscam amar os malfeitores como Cristo nos amou, sendo nós ainda pecadores. Cristo nos amou primeiro (1 João 4:19).

Por isso, mesmo sofrendo, devemos abandonar a mente do mundo e transformar a nossa mente em mente de cristo. (1 Pedro 4:15-16). “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12:2.

“Amar os inimigos é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus. Nós rejeitamos este mandamento, porque nossa mente pecadora quer pensar como o mundo – que nos manda odiar os nossos inimigos. Por isso, é que precisamos nos transformar pela renovação da nossa mente, para que venhamos a ter a mente de Cristo e não essa mente humana decaída e pecaminosa  (1 Coríntios 2:16).

Amar os inimigos, seguindo o mandamento cristão, não é acobertar as suas faltas ou crimes, mas deixar que eles sejam julgados por Deus e, na forma da lei, pelas autoridades constituídas.

Nada de linchamentos físicos ou morais, muito menos julgamentos por parte de cristãos. A nós, como igreja do Senhor na terra, nos cabe representar o criador com toda a sua paciência, amor, paz, bondade, alegria, amabilidade e fidelidade – que são características divinas (fruto do espírito) que somente surge em nós quando nos deixamos guiar inteiramente pelo espírito de Deus, caso contrário, agiremos na carne, odiando e desejando mal aos que nos fizerem mal. (Gálatas 5: 17, 22-23).

É verdade que a maldade humana tem chegado a níveis cada vez mais absurdos. Porém, a maldade e a violência são fruto do pecado. Não apenas do pecado individual de quem pratica a violência e exala a maldade, mas também do nosso pecado coletivo. O individualismo e o desamor nos fizeram construir uma sociedade desigual, com pessoas (não somente políticos) corruptas, que não se preocupam com o próximo e, muitas vezes, nem com os seus próprios familiares, haja vista muitos pais e mães que abandonam seus filhos e, principalmente, os homens – de todas as classes sociais – que, cedendo ao apelo mundano do sexo sem qualquer compromisso ou responsabilidade, geram filhos que depois ficam desamparados, à mercê da própria sorte, e se transformam em problemas para a família e a sociedade.

Tudo isso gera o estado permanente de violência em que vivemos. Mas nós, Igreja do Senhor, somos o sal da terra e a luz do mundo e, do mesmo modo que Jesus Cristo fez, nós devemos combater o pecado, usando somente as quatro armas celestiais:

– O amor ao próximo, não de palavras e sentimentos, mas de ações concretas (1 Pedro 4:8).

– A misericórdia, que só surge em nós quando fazemos um exercício mental e espiritual de nos colocarmos no lugar do outro, que está cometendo o pecado, para entender o que o está levando a agir daquela determinada forma (Mateus 9:13).

– A oração, porque, sem Jesus, Deus-Pai e o Espírito Santo, nada podemos fazer. Por outro lado, tudo que pedirmos ao pai, em nome de Jesus, crendo, receberemos, principalmente se esse pedido for a conversão e a salvação de um pecador. (João 15:5 e Mateus 21:22).

– A palavra de Deus, que é libertadora, é o único instrumento eficaz para transformar o coração mau que nós seres humanos temos desde o nascimento. Mas desde que essa palavra seja pregada com amor, misericórdia e oração, porque desacompanhada dessas três armas espirituais a palavra não promoverá a libertação, mas a opressão do pecador. (João 8:32; Jeremias 17:9-10; Gênesis 8:21; 2 Timóteo 3:16-17 e Hebreus 4:12).

Que o Senhor tenha misericórdia de mim, renove a minha mente e inunde meu coração para que eu cumpra o que eu escrevi aqui.

Este texto de meditação na Bíblia foi produzido em 7 de maio, um dia após uma operação policial deixar 25 mortos na favela do Jacarezinho, Rio de Janeiro.

Bento Adeodato Porto é procurador federal aposentado.

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