Terceira Guerra Mundial?

O General Soleimani era um dos mais importantes militares do Irã e sua morte será vingada de qualquer jeito

Recebi a seguinte pergunta: Qual a consequência direta do ataque realizado pelos EUA no aeroporto de Bagdá, matando Qasem Soleimani, Chefe da Força Revolucionária do exército iraniano, dentro do contexto apocalíptico?

Minha resposta: Não resta dúvidas de que o General Soleimani era um dos mais importantes militares do Irã e sua morte será vingada de qualquer jeito pelo Irã.

Na verdade, temos dois grandes problemas para resolver, antes de entrar na questão apocalíptica. Primeiro é o fato do Irã não ser um país árabe e sim persa. Isso faz uma grande diferença na geografia política da região onde todo restante é árabe. Segundo é que o Irã é o único país predominantemente muçulmano Xiita, enquanto os árabes são predominantemente sunitas. Os sunitas não aceitam a linha teológica nem a tradição dos xiitas, que por sua vez acreditam que os sunitas são muçulmanos fracos e sem padrão.

Então o primeiro problema é que Irã não tem apoio das outras comunidades muçulmanas, havendo grande desconfiança e inimizade. Os xiitas acreditam que Maomé e o Alcorão estabelecem que quem matar os infiéis (quem não é muçulmano), recebe no céu um presente especial de Alá.

Logo, matar “infiéis” é receber um prêmio direto de Alá. Percebe que vingar a morte do General Soleimani, tem duas grandes vantagens: 1) vingar um mártir, um ídolo de seu país; 2) receber no céu um grande prêmio.

Como os EUA estão longe do Oriente Médio, a alternativa para os Iranianos será atacar Israel, já que mesmo não tendo grande admiração pelos árabes, se Irã atacar alguma nação árabe, isso trará consequências maiores, podendo levar a uma guerra de grande proporções naquela região e neste caso seria muçulmano contra muçulmano e outros países da comunidade mundial provavelmente (exceto os EUA) não dariam qualquer ajuda.

Mas atacar Israel, a coisa muda. Há apoio de grande parte dos países, inclusive dos árabes e na pior das opções, não haverá grandes retaliações mundiais. Mas é aqui que entra uma outra questão. Nem o Irã, nem todas as nações árabes juntas, têm força suficiente para atacar Israel. A única alternativa será um apoio maciço da Rússia. Se isso acontecer, os EUA ajudarão a Israel e a guerra pode de fato se tornar algo de grandes proporções. Seria a terceira guerra mundial? Seria a batalha do Armagedom?

Creio que hoje, os organismos mundiais estão mais conscientes do que a 70 anos atrás e todos sabem que a morte de um general iraniano não tem essa consequência toda. Mas é uma provocação … e provocações vão se juntando … vão se juntando, até explodir. Quantos generais iranianos precisarão morrer até que se torne uma razão para uma grande guerra, isso eu não sei.

Logo, que o Irã vai tentar de algum jeito “vingar” a morte de seu maior general, isso não temos dúvidas, porém essa vingança será muito mais retórica do que de fato efetiva, mas não podemos desprezar esse fato. Os EUA matar esse general iraniano foi muito mais grave do que matar o Osama Bin Laden ou o Abu Bakr al Bagdadi, ambos considerados terroristas por toda a comunidade mundial. Ou seja, a temperatura está subindo… quem tem ouvidos, que ouça!

Minha pergunta continua… Qual a causa do ataque de Trump ao general Iraniano? Vingança? Descoberta de petróleo no Irã? Nação isolada no meio das Arábias?

Parte A: vamos lá. Não se desencadeia uma 3ª guerra mundial por causa da morte de um general iraniano, por mais que ele seja um herói. A questão é simples nem China nem Rússia, vai querer peitar os EUA em uma guerra por causa de um general iraniano.

Mas tem a parte B: o local dessas provocações. Essas “brincadeiras” estão sendo desenvolvidas no oriente médio, exatamente onde está Israel, cercado de inimigos. Querendo ou não, acreditando ou não, mas a Bíblia tem profecias para aquela região. Daí a necessidade de colocar a “barba de molho” e seria leviandade dizer que esse fato (matar um general iraniano) não tem nada de grave.

Pastor José Ernesto Conti é pastor da Igreja Presbiteriana Água Viva e presidente de honra do Conselho Estadual de Igrejas Evangélicas do ES (Ceigeves)


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