O objeto remete à primeira revolta judaica contra os romanos no deserto da Judeia, entre os anos 66-70 d.C., quando o Segundo Templo foi destruído em Jerusalém
Por Patricia Scott [Fox News]
A descoberta de uma rara moeda de meio shekel de prata foi anunciada pela Autoridade de Antiguidade de Israel. O objeto de mais de dois mil anos, remonta a primeira revolta judaica contra os romanos no deserto da Judeia, entre os anos 66-70 d.C., quando o Segundo Templo foi destruído em Jerusalém.
O achado é significativo devido à importância histórica. Por isso, movimentou a imprensa israelense e as comunidades bíblica e arqueológica. No contexto dos hebreus, o shekel era tanto uma unidade de peso como uma unidade de valor, estimado em 220 grãos. Além disso, o meio shekel ou meio siclo também era chamado de “beqa'” ou “beca” em hebraico.
A moeda foi encontrada como parte da Pesquisa do Deserto da Judeia, liderada pela Autoridade de Antiguidades de Israel em conjunto com o Ministério de Patrimônio e a Unidade de Arqueologia do Oficial de Estado Civil na Judeia e Samaria. A comunidade internacional se refere à antiga terra bíblica de Israel como Cisjordânia, enquanto os israelenses se referem à região por seus nomes bíblicos de Judeia e Samaria.
História do povo e do país
Para Amir Ganor, diretor do Projeto de Pesquisa e Escavação do Deserto da Judeia, cada nova descoberta contribui para a história do povo e do país. “Se não fosse pela pesquisa, a moeda poderia ter sido encontrada por saqueadores de antiguidades e vendida no mercado de antiguidades pelo preço mais alto oferecido. Ao longo dos seis anos do projeto, registramos mais de 800 cavernas e encontramos milhares de descobertas significativas”.

O objetivo principal do Levantamento do Deserto da Judeia, conduzido pela Autoridade de Antiguidades de Israel, era recuperar artefatos e achados antigos antes que saqueadores de antiguidades pudessem roubar ou destruir os tesouros históricos. A moeda é datada de 66/67 d.C. e “uma explicação para esta descoberta é que a moeda cunhada em Jerusalém caiu do bolso de um rebelde que escapou para o deserto durante a revolta – talvez a caminho da vizinha En Gedi”, disse Israel Autoridade de Antiguidades.
Economia judaica
Segundo Yaniv David Levy, estudioso numismático da Autoridade de Antiguidades de Israel, “moedas do primeiro ano da revolta, como esta, são raras. Durante o período do Segundo Templo, os peregrinos judeus costumavam pagar um imposto do templo em moedas de meio siclo. Por cerca de dois séculos, moedas cunhadas em Tyrian, feitas de prata fina e um símbolo de status na região, foram usadas para esta contribuição.”
Levy ressaltou ainda que “no decorrer da revolta, os rebeldes cunharam moedas alternativas com a inscrição ‘Shekel Israel’, ‘Meio Shekel’ e ‘Quarter-Shekel’. Parece que os rituais no Templo continuaram durante a revolta e essas moedas agora eram usadas pelos rebeldes.”
“Os líderes da Revolta Judaica escolheram desafiar os governantes e cunhar moedas de prata de forma autônoma, usando a escrita hebraica e sem a imagem do imperador governante. Parece que as moedas foram cunhadas em Jerusalém, possivelmente no recinto do Templo”, detalhou a Autoridade de Antiguidades de Israel.
Conexão inegável
Ze’ev Orenstein, diretor de assuntos internacionais da Fundação Cidade de David em Jerusalém, afirmou que a “descoberta destaca mais uma vez a conexão inegável do povo judeu com Jerusalém que remonta a milhares de anos, não apenas como uma questão de fé, mas como uma questão de fato.”
Ele considerou ainda que “apesar dos esforços contínuos das Nações Unidas e da liderança palestina para apagar e minar essa mesma herança, com significado para centenas de milhões de americanos e bilhões de cristãos e judeus em todo o mundo”.
“Uma moeda como esta, gravada em hebraico antigo com as palavras ‘Santa Jerusalém’, tinha o propósito singular de ser trazida ao Templo, que ficava no topo do Monte do Templo em Jerusalém, durante os festivais de peregrinação bíblica, como relatada na Bíblia”, explicou Orenstein.
Já Eli Escusido, diretor da AAI, observou que “a descoberta da moeda de meio siclo é mais um presente que a Autoridade de Antiguidades de Israel concede à nação israelense – evidência em primeira mão de um período turbulento na história de nosso povo, dois mil anos atrás, em um período de extremismo e discurso que dividiu a nação e levou à destruição.”
De acordo com ele, “depois de dois milênios, voltamos ao nosso país, e a Santa Jerusalém é novamente nossa capital. A descoberta da moeda nesta época é um lembrete para nós do que aconteceu no passado, ensinando-nos a importância de trabalhar para unidade”.


