Argélia: 57 anos de independência e conflitos

Foto: EPA

País muçulmano ocupa a 22ª posição na Lista Mundial de Perseguição. Após rejeitar as duas candidaturas apresentadas, o Conselho Constitucional cancelou as eleições que seriam realizadas dia 4 de julho

Após 132 anos como colônia francesa, a Argélia completou no útimo dia 5, 57 anos de independência. O país do norte da África, vivenciou a “Guerra de Libertação Nacional”, um conflito de 8 anos, de 1954 a 1962, matando milhares de europeus e argelinos.

Após a independência, a Frente de Libertação Nacional proibiu a criação de outros partidos políticos e se declarou como o único partido legal no país. Mas, no ano de 1991, a Argélia apresentou eleições multipartidárias e, quando os partidos islâmicos venceram, o exército suspendeu o resultado, e estabeleceu-se uma intensa guerra civil que tirou a vida de 150 mil argelinos.

Este conflito só diminuiu em 1999, quando Abdelaziz Bouteflika assumiu a presidência no país. No poder desde então, Bouteflika, atualmente com 82 anos de idade, renunciou o cargo no último mês de abril, após uma onda de protestos no país africano.

O ex-presidente sofreu dois derrames desde 2013 e, na cadeiras de rodas, já não fazia aparições públicas há quase 5 anos. O Conselho Constitucional da Argélia lançou, então, uma data para as eleições, 20 de abril. Mas a mesma foi adiada para ontem, dia 4 de julho. O que também não aconteceu.

Essa decisão foi tomada pelo próprio Conselho devido à “impossibilidade” de se organizar a votação, que rejeitou as únicas duas candidaturas apresentadas oficialmente, por não serem “credíveis”, conforme relatou a imprensa internacional. Sem presidência, a Argélia continua sendo palco de conflitos e diversas manifestações realizadas todas as sexta-feiras após a oração muçulmana, na capital Argel.

Cristãos

Diante dessa realidade, a minoria cristã no país também enfrenta incertezas. O próprio governo do país já descreveu sua população como “argelina, muçulmana e árabe”, ou seja, não há espaço para o cristianismo. Os cristãos argelinos enfrentam diversos tipos de restrições e desafios que são impostos a sua liberdade, pelo Estado e pela família.

O país ocupa a 22ª posição na Lista mundial da perseguição

Há no país, por exemplo, leis que regulam o culto não muçulmano e banem a conversão, impedindo que cristãos compartilhem sua fé por medo que suas conversas sejam consideradas blasfêmias.

A Argélia, sem dúvidas, precisa muito das nossas orações. Por isso, neste dia, lembre-se dos irmãos argelinos, mas também de toda a nação que precisa de respostas e do conhecimento do amor de Deus.

“Era tão difícil ouvi-los dizer que eu estava prestes a perder minha família, tudo. Mas eu não podia renunciar a Jesus, eu não podia renunciar minha fé. Eu disse para meus filhos: ‘Eu amo vocês, eu amo vocês, mas eu amo mais a Jesus’. Minha família então me expulsou de casa”, declarou um cristão perseguido do país.   

*Com informações de Portas Abertas


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