Maioria dos evangélicos apoia Israel, mas se esquecem de que há crentes na Palestina e que a população também sofre com o grupo terrorista Hamas.
Por Cristiano Stefenoni
Uma rápida passagem pelas redes sociais e é possível constatar que a maior parte da comunidade evangélica está dando total apoio à Israel na Guerra. E é compreensivo, afinal, o Hamas deve ser combatido. Contudo, muitos crentes não sabem que mais de 50 mil moradores dos territórios palestinos são cristãos, sendo que cerca de 20% deles são evangélicos, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).
Eles estão distribuídos nas cidades de Belém, Ramallah, Jerusalém e na Faixa de Gaza. São homens, mulheres, idosos e crianças que frequentam os cultos e as missas e não têm absolutamente nada a ver com os ataques do Hamas, muito pelo contrário, sofrem tanto com a perseguição dos terroristas como com as bombas israelitas.
Para o teólogo Lourenço Stelio Rega, Ph.D. em Ciências da Religião, essa proximidade dos evangélicos com Israel se dá por conta da história de Jesus naquela região e como ela se desenvolve na Bíblia. Com o crescimento do movimento chamado “dispensacionalimo” houve um enfoque em Israel, em como está politicamente posicionado e como isso é tido como sinal para a volta de Cristo.
“Veja que, após a primeira vinda de Jesus, ficou claro que Deus considerou a igreja um só povo (Romanos 9 a 11, Efésios 2.14-22, 1Pedro 2.9,10). Isso aponta para o fato de que não temos dois evangelhos, mas apenas um, para judeus e não judeus que deverão, da mesma forma, se arrependerem de seus pecados e confiarem na morte e ressurreição de Jesus, o Cristo”, afirma.
Ele explica que, exatamente por conta dessa orientação cristã de apenas um só povo e um só Deus, é que devemos orar por todos, independentemente se é judeu ou palestino. “Devemos orar por todos os povos, pois todos são carentes do evangelho, seja qual for sua matriz religiosa, política, social ou econômica”, justifica Rega.
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Sobre qual deveria ser o posicionamento da igreja nesse conflito, o teólogo acredita que o mais importante nesse momento é buscar informações sobre o assunto e não se deixar levar pelo sensacionalismo midiático.
“É necessário revisar a nossa compreensão teológica e ver que o messianismo evangélico é fruto de sua época. Precisamos voltar para a Bíblia, onde ela deixa claro que dos dois povos (judeus e gentios), Deus fez um só, a igreja. Também devemos acompanhar as notícias, dentro de nossas possibilidades, para conhecer os fatos”, orienta.
Outro ponto fundamental abordado por Lourenço Stelio é a importância do equilíbrio quando o assunto é religião. “O islamismo ficou retido em sua visão de mundo há séculos, não tendo passado pela experiência histórica, e ainda abriga grupos radicais. Por outro lado, ao longo do tempo, o cristianismo acabou se secularizado, indo ao outro extremo. E também temos os nossos radicais fundamentalistas”, finaliza.


