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segunda-feira, 15 DE julho DE 2024

Ansiedade em crianças: como perceber os sinais e tratar o transtorno?

Foto: Reprodução

É preciso ficar atento ao comportamento dos pequenos, porque sinais podem ser percebidos no dia a dia  

Por Patricia Scott

A ansiedade é algo que pode ser encarado como normal, especialmente na infância, que é uma fase marcada por desafios e aprendizados. Ela se torna preocupante, entretanto, quando impede que a garotada realize atividades cotidianas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que o transtorno afeta cerca de 3% da população com idade até 17 anos, o equivalente a oito milhões de crianças e adolescentes.

Além do medo e da preocupação, a ansiedade pode ser manifestada com irritação e raiva. Os reflexos podem ser sentidos, principalmente, com queda do rendimento escolar, dores constantes de cabeça, isolamento, oscilações bruscas de humor, distúrbios do sono e alterações no apetite.

“Crianças que sofrem com ansiedade, sobretudo em níveis mais críticos, podem ter sua rotina comprometida de forma severa, afetando o desenvolvimento como um todo e impactando a perspectiva de futuro”, alerta a psiquiatra Aline Sabino.

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A médica explica que a identificação dos sinais e a observação constante são fundamentais para que o pequeno receba o acompanhamento adequado. “A criança não consegue expressar muito bem o que está sentindo, então é importante que todo o seu círculo social, escolar e familiar saiba olhar para ela, a fim de perceber que algo mudou e, assim, buscar ajuda”, diz.

Mudanças no comportamento

Aline observa que as manifestações podem variar dentro dos padrões de sinais comuns, de acordo com a idade. “Por isso, qualquer pessoa que conviva com uma criança poderá observar mudanças no comportamento habitual dela.”

A psiquiatra explica, ainda, que, conforme a faixa etária, é natural a criança apresentar reações de frustração, medo, tristeza ou angústia. No entanto, quando esses episódios forem desproporcionais em relação às situações vivenciadas e, principalmente, vierem acompanhados de sofrimento intenso, é crucial procurar ajuda especializada.

“Reações como querer ir embora da escola antes do final da aula, um choro de arrependimento após uma crise exagerada, um medo intenso de apresentar trabalho em grupo, isolamento e sintomas físicos como dor de cabeça, diarreia e perda de apetite por um longo período, sem uma causa aparente, além de pânico diante de uma situação que antes era rotineira, estão cada vez mais frequentes e devem ser sinalizadas como sinais de alerta”, elenca Aline.

Diagnóstico e tratamento

Quando diagnosticada, a criança poderá receber o tratamento adequado. Dessa forma, os sintomas emocionais serão minimizados. O diagnóstico adequado favorecerá o desenvolvimento e, até mesmo, construirá uma melhor relação com a saúde mental e física dela.

“O tratamento pode ser medicamentoso, quando há necessidade, mas sempre deve incluir o acompanhamento psicológico, que ajudará a criança a adquirir os recursos que necessita para lidar com a ansiedade e identificar gatilhos”, avalia Aline, acrescentando que a escola também tem um papel fundamental nesse processo, auxiliando a criança a se sentir compreendida e protegida para enfrentar esse processo.

A médica recomenda no enfrentamento à ansiedade infantil prática de esportes, acompanhamento nutricional e realização de atividades de lazer. Essas iniciativas podem contribuir para a ampliação do “bem-estar da criança, fator essencial no controle de crises de ansiedade”, comenta Aline.

Estímulos a pensamentos diferentes

A neuropedagoga Mara Duarte, que é também psicopedagoga e psicomotricista, diz que cerca de 20% das crianças apresentam ou apresentarão algum traço de ansiedade. Por isso, para saber se a ansiedade virou um transtorno, é preciso perceber se houve ou não prejuízo na vida da criança.

“Observe se ela não tem amigos, apresenta o tempo todo pensamentos que giram em torno de algum tipo de perigo ou ameaça e, fisicamente, pode ter sintomas como náuseas e transpiração”, detalha Mara, que é diretora do Grupo Rhema de Neuroeducação.

Segundo a especialista, “o problema também pode se manifestar de forma generalizada, quando a criança se preocupa demais com o desempenho escolar, com segurança ou com catástrofes mundiais, entre outros casos. Além desses, existe o transtorno do pânico, que inclui muitos sintomas físicos, como tontura, coração disparado e falta de ar”.

Para ajudar a criança que está sofrendo com ansiedade além do normal, Mara aconselha manter a calma. Além disso, buscar formas de estimulá-la a pensar diferente sobre o que provoca o gatilho.

“É possível, por exemplo, usar técnicas de relaxamento e pensamento realista, dizendo para respirar fundo e usar frases como ‘Estou seguro, está tudo bem’. Também fale para que ela nomeie seus sentimentos e diga que a compreende por estar com medo, mas que vai ajudar e ficará tudo bem”, conclui Mara.

Confira alguns sinais de ansiedade na infância

  • Picos de irritação extrema com coisas simples, como uma roupa que não serviu bem ou um evento que foi cancelado;
  • Crises de choro inesperadas, não relacionadas a eventos que habitualmente provocam essa reação;
  • Apatia, falta de interesse repentino por atividades de que antes gostava muito;
  • Medo excessivo ou recusa para ir à escola ou a atividades extracurriculares que frequenta regularmente;
  • Medo intenso de ficar longe dos pais ou cuidadores, mesmo que por um breve momento;
  • Isolamento;
  • Dor de cabeça;
  • Diarreia;
  • Falta de apetite por longo período, sem causa aparente;
  • Distúrbio do sono.

9 estratégias para ajudar crianças ansiosas

  • Não repreenda. Procure compreender e auxiliar;
  • Ajude a criança a autoconfiança, tirando-a da zona de conforto de vez em quando, para que perceba que está tudo bem quando isso acontece;
  • Seja flexível, quando for necessário realizar algumas mudanças na rotina. Aja com naturalidade, para que a criança entenda que não há problema e o imite;
  • Elogie pequenas tarefas;
  • Peça para a criança respirar fundo e expirar o ar devagar;
  • Observe o temperamento e a reação das crianças para poder formular estratégias mais assertivas;
  • Peça para a criança nomear os sentimentos e diga que a compreende e ficará tudo bem;
  • Converse com pais e outros profissionais da educação para saber como colocar determinadas ações em prática;
  • Busque ajuda profissional, se a ansiedade além do normal persistir.

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