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sábado, 6 março 2021

Ansiedade: Quando o “disco mental” arranha

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Se rotularmos toda ansiedade como pecado imitaremos os amigos de Jó, colocando um fardo pesado sobre os ombros de quem já está sobrecarregado

Por Clovis Nery

Quem jamais sentiu aquela sensação, quando parece que há um disco arranhado na cabeça? Você não quer pensar no problema, mas ele não sai da mente e, ora suga as energias, ora desorganiza as emoções.

A Ansiedade manifesta-se via angústia, medo, apreensão e outras emoções. É preventiva, se eventual; é patológica, se constante, e tem a ver com a personalidade. Ignorando-a, ela pode somatizar em hipertensões ou diabetes, por exemplos. Daí, para alguns pacientes evoluírem para uma depressão, a barreira é fina e porosa. Em tempos de quarentena globalizada um novo quadro vem se configurando, mas ainda é cedo para prognósticos.

A ansiedade preventiva é própria do ser. É uma reação do organismo a um risco iminente, fato comum nestes tempos pandêmicos. É um “alarme” de preservação da vida. Uma pessoa sem essa precaução seria um perigo.

A ciência vê a ansiedade como uma resposta orgânica a uma ameaça, real ou imaginária. Com as energias canalizadas numa só direção, ocorre desequilíbrio, e áreas do cérebro ficam debilitadas, gerando intranquilidade.

Pesquisas mostram que em quadros graves há componentes genéticos e sociais, além de causas potenciais originadas no início da vida, como: traumas intrauterinos, privação de carinho, maus tratos e medo decorrente da insegurança infantil. A interação desses fatores determinará o nível da ansiedade em cada organismo.

Nos casos de ansiedade patológica, geralmente constatamos que se trata de um sintoma alimentado por um processo inconsciente que, quando o ser sente-se em perigo no aqui e agora, desloca-se para a consciência.

Se rotularmos toda ansiedade como pecado imitaremos os amigos de Jó, colocando um fardo pesado sobre os ombros de quem já está sobrecarregado. Uma opinião consistente requer avaliação criteriosa, porque, em princípio, transtorno ansioso é doença (CID 10 – F.41).

Vários personagens bíblicos experimentaram crises ansiosas. Uns pecaram; outros não. Jeremias (Jeremias 20) e Paulo (II Coríntios 1) são bons exemplos, porque superaram as adversidades sem deslizes. Não podemos dizer o mesmo de Arão que fabricou ídolo (Êxodo 32), e Saul que transigiu com uma feiticeira (I Samuel 28).

Jesus disse que no mundo teríamos aflições, uma ansiedade angustiante que Ele experimentou e venceu (João 16:33 e Lucas 22:42 a 44). Se, nas agonias da vida, seu suor tornar-se “como gotas de sangue”, como as de Cristo no Getsêmane, você estará ansioso no mais alto nível. Em levando ao Senhor seu dilema, disponibilizando-se para cumprir a vontade d’Ele, o anjo que confortou o Mestre, confortará você também (I Pedro 5:7).

Espelhar no Cristo tem a ver com fé. Quando em apuros, olhe para Deus. Reflita num trecho de um Salmo. Pratique exercícios, reduza a cafeína, tome sol e alimente-se saudavelmente. Seu ânimo melhorará.

Como afirmei no livro O segredo para viver feliz (Curitiba, Juruá, 2019), obedecer I Pedro 5:7 abrange “reaprendizado […] que produz crescimento” emocional e espiritual. “Implica mudanças de hábitos, muitos dos quais, às vezes, radicados há anos e com motivos ‘justificáveis’. O processo pode ser longo. Surgirão conflitos decorrentes de polaridades de situações”. Mas se você quiser crescer, irá em frente “como uma criança, que aprende” a caminhar, “e ganha confiança, caindo e levantando, […]. À medida que a confiança crescer, a ansiedade decrescerá. Lembre-se de que o processo aqui é de crescimento”. Demanda tempo e paciência.

Clovis Rosa Nery é Psicólogo e escritor

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