Ânimos acirrados: conflitos entre Irã e EUA

Durante protesto da população no Irã, autoridades usaram balas reais contra manifestantes. Foto: Reuters/ Henry Nicholls

Os conflitos entre Irã e EUA continuam. O país do oriente médio repudiou apoio de Trump e negou violência contra manifestantes. “As ações podem ter consequências imprevisíveis e dolorosas”, avaliou o historiador, pastor Alderi de Matos

Os conflitos entre Irã e EUA. O governo iraniano rejeitou, nesta segunda (13), o apoio demonstrado pelo presidente Trump aos protestos que ocorreram nos últimos dias. Porém, Teerã negou que a polícia esteja respondendo de forma violenta aos protestos que começaram depois que o governo do Irã admitiu culpa no acidente com um avião ucraniano na semana passada.

No último sábado, o Irã admitiu responsabilidade no abate de um avião da Ukrainian International Airlines. Depois de vários negando envolvimento no acidente em que morreram 176 pessoas.

O incidente aconteceu na última quarta (8. E as forças armadas iranianas admitiram que tudo se deveu a um “erro humano”, ocorrido horas depois de um ataque perpetrado por Teerã contra bases norte-americanas no Iraque, em resposta à investida norte-americana que matou o general Qassem Soleimani em 3 de janeiro.

Protestos

Logo no sábado, o país registrou violentos protestos contra o regime. Foram manifestações da população que se repetiram no domingo e nesta segunda.  No fim de semana, Trump demonstrou no Twitter o seu apoio aos manifestantes. E pediu ao regime para que não exerça violência sobre quem protesta nas ruas.

“O Governo do Irã deve permitir que os grupos de Direitos Humanos monitorem e relatem os fatos sobre os protestos em curso do povo iraniano. Não pode haver outro massacre de manifestantes pacíficos, nem um apagão da Internet. O mundo está atento”, escreveu o presidente norte-americano no Twitter.

O presidente acrescentou, em outra mensagem dirigida ao “corajoso povo iraniano”, que a “presidência” norte-americana e a Administração “estão do seu lado desde o princípio e vão continuar ao seu lado. Acompanhamos de perto os seus protestos e estamos inspirados com a sua coragem”, disse.

Hoje, o regime iraniano reagiu, através da televisão estatal. Ali Rabiei, porta-voz do governo do Irã, assinalou os iranianos que não esqueceram d morte do general Qassem Soleimani e que os Estados Unidos são responsáveis por grande parte das dificuldades econômicas sentidas pelos iranianos no momento.

Para o porta-voz do governo de Teerã, os tweets de Trump em defesa dos manifestantes iranianos são “lágrimas de crocodilo”.

Manifestações e violência

Este é o terceiro dia de manifestações em Teerã. De acordo com a agência Reuters, os manifestantes continuam a contestar o regime, após o abate do avião ucraniano.  Segundo o jornal The Guardian, a polícia iraniana respondeu aos protestos de domingo com violência e balas reais. Teve vários feridos.

“Dispararam repetidamente gás lacrimogêneo, não conseguíamos ver nada. (…) Uma jovem ao meu lado foi baleada na perna. Foi terrível, terrível”, disse uma das testemunhas ouvidas pelo jornal britânico que preferiu não se identificar.

A polícia negou a ação violenta aos protestos. “A polícia não disparou contra os manifestantes. Os policiais da capital receberam ordens para mostrar moderação”, disse o chefe de polícia de Teerão, Hossein Rahimi.

Sofrimento para os cristãos

Na opinião do historiador e pastor, Alderi de Matos, os eventos dos últimos dias podem resultar em grande sofrimento adicional para os cristãos do Irã e de todo o Oriente Médio. As ações podem ter consequências imprevisíveis e dolorosas.

“Num mundo cada vez mais polarizado, política e ideologicamente, os detentores do poder precisam agir com prudência e sensatez para não exacerbar ainda mais as situações tão delicadas que existem em muitas regiões. As negociações, o diálogo e as pressões de natureza pacífica devem ter total prioridade, a fim de se evitar maior dor e sofrimento. O Irã não está isento de culpa em todos esses tristes episódios. Mas espera-se maior dose de bom senso do líder da maior democracia do mundo do que de um aiatolá, exortou.

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*Da Redação, Com informações de Agência Brasil


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