“Nada mais legítimo que um evangélico no Supremo”

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A declaração é do ministro da Advocacia Geral da União (AGU), André Mendonça. Para ele, a expressão “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro é uma defesa da representatividade social na Corte Suprema

O ministro da Advocacia Geral da União, André Luiz de Almeida Mendonça, defendeu a presença de um ministro evangélico no Supremo Tribunal Federal.

Em uma entrevista ao Poder em Foco, no último domingo (5), ele falou da representatividade da escolha que o presidente Bolsonaro terá que fazer para o cargo, que vai ficar vago com a aposentdoria do ministro Celso de Mello, em novembro de 2020.

“Tenho dito que, assim como chegou o tempo de termos mulheres, assim como anseio que tenhamos um deficiente físico também no Supremo Tribunal Federal, certamente haverá um momento de chegar um evangélico. Como nós temos representatividade na sociedade, nada mais legítimo que também um evangélico ocupe uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal”, disse.

A outra vaga que será aberta no STF é de Marco Aurélio, em julho de 2021.Mendonça é cotado para ser indicado ministro do Tribunal pelo presidente. Para o advogado-geral da União, a expressão “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro é uma defesa de representatividade de todos os segmentos da população na Corte.

“O presidente faz uma referência aos evangélicos, certamente na questão da representatividade social”, explicou. Mesmo indicado pelo presidente, o novo integrante terá que ser avaliado pelo Senado Federal.

Bom senso

Para Mendonça, Bolsonaro terá de definir um nome que “tenha bom senso”, Independentemente de ser evangélico. “O grande desafio é que, quem quer que seja o ocupante da carreira, seja uma pessoa que tenha bom senso, conhecimento jurídico, que saiba ler a sociedade e interpretá-la à luz da Constituição”, declara.

IGREJA X ESTADO

Pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil, em Brasília, André Mendonça disse que hoje não tem atuado de modo tão ativo. “A rotina já foi mais intensa na igreja. Há pelo menos 10 anos eu tenho uma atividade muito intensa com as crianças, tenho filhos, e eles eram ainda pequenos”.

Mendonça também disse que a separação entre Igreja e Estado tem funcionado no Brasil. Afirmou que não coloca sua fé à frente das decisões que eventualmente sejam tomadas em sua gestão.

“Ao mesmo tempo que, como cidadão, tenho legitimidade, liberdade de ter a minha fé, eu tenho que respeitar a fé do outro. E no âmbito público, das instituições públicas, ser imparcial na análise de qualquer questão”, afirmou.

Preservação símbolos religiosos

Mendonça defende que a presença de símbolos religiosos em prédios públicos, como um crucifixo no plenário do STF se deve ao fato de os objetos fazerem parte da origem histórica e cultural do Brasil. E que eles devem, “sem dúvida nenhuma, serem preservados”.

O ministro também se posiciona a favor da isenção de pagamento de impostos concedida a igrejas. Para ele, as instituições religiosas exercem “um papel subsidiário em relação às políticas públicas” e “suprem lacunas” da sociedade.

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