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sábado, 22 junho 2024

Anatomia da dor almática

Nessa jornada sombria, o culto ao EGO é a vil idolatria moderna. O centro já não é Deus, mas é o próprio homem embriagando-se em si mesmo

Por Clovis Rosa Nery

Na língua grega anatomia significa “cortar em partes”, então vamos por partes. A dor é uma resposta do organismo a um evento fortuito (Acidentes, doenças físicas, etc.), ou um evento psico (Alterações e/ou desorganizações sinápticas).

A segunda condição é mais implacável, porque a sua semiologia é de transtornos mentais. Ansiedade, pânico e depressão, dentre outros, são quadros bem conhecidos e, havendo predisposição, com o advento da primeira condição, riscos são potencializados.

A princípio, ambas são como um reforço positivo. Motiva-nos a tomar providência ou mudar o comportamento. Mas uma profilaxia superdimensionada enfraquece-nos. É como o sol: com moderação faz-nos bem; porém, o excesso é nocivo à saúde.

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A dor convencional é um mecanismo eficaz de proteção à vida, o alarme disparando quando algo não vai bem. Mas a almática, se compulsiva, gera uma angústia mortal, o estágio mais profundo do sofrimento humano.

O amanhã só vem depois do hoje. O dia só vem depois da noite. Contudo, no frenesi diário, instados a “pular” etapas, cedendo pagamos o preço. Se a anormalidade for normalidade cotidiana, coisa boa não se pode esperar.

Fato é que nas ondas turbulentas do mar da vida somos forçados a nadar mesmo sem saber. Isso é canhestro. Produz caos psíquico. Não raras vezes, o que se passa no interior de um ser é catatônico, embora o exterior possa ser admirável.

Tresloucadamente, subjetividades avolumam-se e identidades se perdem, levando o indivíduo ser o que ele não é. Potencializando-se aflições, erradica-se a alegria de viver, pois a responsabilização coletiva não exclui, nem tampouco atenua a individual.

Acresce-se ainda estar fora de moda ser gregário e empático neste mundo narcísico onde a tragédia de Ricardo III, de Shakespeare, tem seus protagonistas modernos. A é A, e B é B. Eles se bastam, porque são “autossuficientes” e autoadmiradores.

Nessa jornada sombria, o culto ao EGO é a vil idolatria moderna. O centro já não é Deus e, por usurpação, é o próprio homem embriagando-se em si mesmo. E quando entra em cena o uso de substâncias psicoativas compromete-se tragicamente a volição.

Nós, filhos de Deus, não podemos olvidar de que, às vezes, a nossa dor pode ser motivada pela disciplina Divina, pois Deus, o Pai, quer o nosso bem. Quando necessário Ele procura nos recolocar na trilha correta (Hebreus 12: 6).

Tal correção é bênção, mas a sua posse depende do comportamento (Hebreus 12: 7). É assim com as dádivas Celestiais. Cristo morreu por amor aos homens, mas o inferno continua sendo povoado, porque cheios de si eles não têm espaço para mais nada.
Ora, se o sofrimento almático já é perturbador para o homem, mesmo vivendo na terra que foi preparada para ele (Gênesis I), imagine se vivêssemos num lugar impróprio à nossa natureza.

Aqui, C. S. Lewis, ajuda-nos a ter um insight. Em Mateus 25: 34, Jesus dirá àqueles que estiverem à direita:” […]. Possui por herança o reino que vos está preparado […]”. Isso é Céu. A vivência ali será consonante com o lugar designado para nós.

Porém, em Mateus 25: 41 o Mestre mostra-nos uma das terríveis realidades do inferno: “[…]. Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos”. O inferno é o lugar do Diabo e seus anjos.

No inferno, com a dor almática no nível máximo, sem identidade, o perdido é obrigado a coexistir eternamente com e como o Diabo. Isso é apavorante e terrível. Você não quer isso! Quer?

Clovis Rosa Nery é Psicólogo, pesquisador e escritor.

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