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sexta-feira, 17 setembro 2021

MPF denuncia Ana Paula Valadão por ‘discurso de ódio’

Denúncia contra a cantora teria sido por conta de um comentário feito durante em um culto na Igreja Batista da Lagoinha de Belo Horizonte (MG), em 2016, onde Ana Paula afirma que homossexualidade é pecado

O Ministério Público Federal denunciou a cantora Ana Paula Valadão à Justiça por falas consideradas homofóbicas, onde ela relacionava homens gays a Aids. O órgão pede que a artista seja responsabilizada por dano moral coletivo no valor R$ 200 mil. Valor será revertido a entidades que representam pessoas LGBTQI+.

Fala de Ana Paula teria sido proferida durante a transmissão do congresso “Na terra como no céu”, pela Rede super de Televisão, em 2016, na Igreja Batista Lagoinha, em Belo Horizonte (MG). Na ocasião, Ana Paula teria dito que homossexualidade é pecado e relacionou a prática à Aids.

A pastora afirmou que a homossexualidade “não é normal” e que o resultado das práticas pecaminosas é a morte, no sentido espiritual, como diz a Bíblia Sagrada.

“Isso não é normal. Deus criou o homem e a mulher e é assim que nós cremos. Qualquer outra opção sexual é uma escolha do livre-arbítrio do ser humano. E qualquer escolha leva a consequências”, disse Ana na ocasião.

“A Bíblia chama de qualquer opção contrária ao que Deus determinou, de pecado. E o pecado tem uma consequência que é a morte. Taí a AIDS para mostrar que a união sexual entre dois homens causa uma enfermidade que leva à morte e contamina as mulheres, enfim… Não é o ideal de Deus”, acrescentou Ana Paula.

Discurso de ódio

Além de Ana Paula, o MPF também denuncia a Rede Super e pede indenização de R$ 2 milhões de indenização por danos morais coletivos contra a população LGBT. Também pede que a Justiça os obrigue a “arcar com os custos econômicos da produção e divulgação de contra-narrativas ao discurso do ódio praticado, em vídeo e sítio eletrônico, com a efetiva participação de entidades representativas de pessoas LGBTQIA+ bem como de pessoas que convivem com o HIV”.

No texto da denúncia, tanto a pastora quanto a emissora alegaram, em sua defesa, que estavam amparadas pela liberdade religiosa e que a fala teria sido mal interpretada. O argumento foi recusado pelo MPF, que em dezembro, ao iniciar a investigação, já dava indícios de que se posicionaria contra a pastora.

Para os procuradores, a declaração de Ana Paula Valadão foi “preconceituosa e que não encontrou guarida na liberdade religiosa, pois extrapolou os limites constitucionais e ofendeu direitos de grupo de pessoas vulneráveis”.

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