Ameaça virtual para o tempo com Deus

As redes sociais caíram no gosto do brasileiro. Hoje, não faltam opções para quem quer encontrar (ou fazer) amigos, compartilhar mensagens, fotos e vídeos. Do Orkut ao Facebook, passando pelo Twitter, as ferramentas criaram hábitos diários nas pessoas, que dificilmente passam mais de 24h sem dar uma conferida nas novidades da web. Entretanto, como já dizia o ditado, “tudo o que é demais, sobra” e a “vida virtual” acaba roubando preciosos momentos da vida real, atrapalhando afazeres, um contato mais próximo com outras pessoas e, em muitos casos, a comunhão com Deus.

Segundo estudo divulgado em março pela comScore, considerada líder em medições do mundo virtual, as mídias digitais cresceram no Brasil em 2011, impulsionadas principalmente pelas redes sociais, buscas, vídeos e compras online. De acordo com Alex Banks, diretor da empresa no Brasil, existe um número crescente de pessoas voltando-se para o virtual, gastando cada vez mais tempo com esse tipo de conteúdo. O Brasil já é o 7º maior mercado de internet no mundo, com um público de 46,3 milhões de visitantes de 15 anos ou mais, que acessam a internet pelo computador de casa ou do trabalho. O número de usuários em 2011 aumentou 16% em relação ao ano anterior. E os brasileiros passaram em média 26,7 horas online em dezembro do ano passado, um aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2010 (ou seja, 2 horas a mais conectados). Em outros períodos do ano, esse tempo pode ser maior, chegando a 44 horas mensais.

O Facebook se tornou em dezembro líder das redes sociais e fez com que seus usuários gastassem em média 4,8 horas no site. Para se ter uma idéia do crescimento, o tempo médio gasto pelo usuário em dezembro de 2010 era de 37 minutos mensais. O estudo aponta que as mulheres passam mais tempo nessa rede de relacionamento do que os homens, e usuários entre 25 e 34 anos compõem a maioria de visitantes do site. Internautas entre 15 a 24 anos formam o grupo que permanece por mais tempo na rede social (6,2 horas mensais).

Segundo o consultor em novas tecnologias Gilberto Sudré, o fascínio pelas redes sociais é um reflexo do que a própria internet representa para os brasileiros. “Um dos motivos que fez com que a rede social conquistasse a população é cultural. O brasileiro tem um círculo de amizades grande. Ele apenas levou isso para a internet. Mesmo não tendo à disposição uma banda larga tão rápida quanto é vista em outros países, o brasileiro utiliza muito a que tem. Proporcionalmente, estamos entre os que mais usam a internet, e isso abrange as redes sociais também”, explicou.

Porque para todo propósito há tempo e modo… (Eclesiastes 8:6)

Um jovem que passa seis horas a cada mês em uma só rede social não poderia utilizar melhor esse tempo para oração e estudo da Palavra? Na opinião do pastor Heleender de Oliveira, da Igreja Evangélica Batista de Vitória (IEBV), a resposta é sim. “Infelizmente, o que temos observado é que a maioria dos jovens cristãos que dedica horas diárias para acesso às redes sociais sequer consegue manter uma vida devocional regular. Alguns afirmam não conseguir ler um único capítulo da Bíblia por dia, mas, ironicamente, conseguem ficar horas à frente do computador”.

Claro que, enquanto navega, esse internauta pode utilizar a rede social para evangelizar e divulgar eventos e trabalhos missionários, mas, para o cristão, o tempo exclusivo para Deus precisa ser insubstituível. “Uma coisa é o nosso relacionamento pessoal com Deus e outra coisa é aquilo que podemos fazer pelo reino de Deus. É importante que o jovem entenda a necessidade de manter um relacionamento diário com Deus, através do estudo bíblico e da oração, o que requer que se separe um tempo específico para isso. Este tempo precisa ser uma prioridade na nossa agenda diária. Todas as outras coisas que fazemos em prol do reino – e isto inclui a utilização da internet – não podem preencher a necessidade de cultivar um relacionamento diário e permanente com o Pai”, disse o pastor.

Para Oliveira, a escolha de prioridades passa por limites, impostos seja pela própria pessoa ou, no caso dos mais jovens, pelos pais. “Os jovens (e fica aqui também o alerta para os pais de adolescentes e crianças) deveriam estabelecer um tempo adequado para usufruir da internet, de modo a não prejudicar não só a sua vida espiritual, mas também profissional, estudantil, familiar e social. Pessoalmente, tenho utilizado a internet e as redes sociais para evangelização, divulgação dos trabalhos realizados pela igreja, para manter contato com amigos que estão distantes e para ampliar a comunicação com amigos e irmãos em Cristo”, enfatizou.

Membro da Igreja Batista em Barcelona, a estudante de Administração Aline Loureiro utiliza as redes sociais tanto para fins profissionais quanto para evangelizar e acredita que o cristão precisa estar o todo tempo com pensamentos elevados ao céu. “Pode ser em nosso trabalho ou faculdade. Temos conosco o Espírito Santo de Deus, que nos faz estarmos o tempo inteiro ligados ao Senhor, nos constrangendo do pecado. Mas concordo que poderíamos, sim, utilizar mais nosso tempo para estarmos em oração e menos na internet”, disse.

Experimentar o que nos faz crescer como pessoas, mas com limites. Em tempos em que a escolhas em uma vida virtual passam por “compartilhar” e “curtir”, o cristão precisa permanecer focado e ter um tempo para Deus.

Números das redes sociais no Brasil
• Em dezembro de 2011, os usuários do Facebook gastaram em média 4,8 horas em frente ao computador. Esse tempo era de apenas 37 minutos um ano antes
• Tempo médio das mulheres nas redes sociais – 5,3 horas mensais
• Tempo médio dos homens nas redes sociais – 4,1 horas
• O Facebook atingiu em dezembro a marca dos 36,1 milhões de visitantes no País, contra 34,4 milhões do Orkut.
• Usuários entre 25 e 34 anos compõem a maioria de visitantes do Facebook (30,6%)
• Internautas entre 15 a 24 anos formam o grupo que permanece por mais tempo no Facebook (6,2 horas mensais).