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segunda-feira, 27 setembro 2021

Amar! O grande mandamento

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“Respondeu-lhe Jesus: amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22: 37 a 39).

Por Clovis Rosa Nery

O Mestre ensina que o amor é o termômetro das relações, a nível vertical (Homem/Deus) & horizontal (Homem/homem), constituindo-se no primeiro grande mandamento, e também no segundo. Amando o Pai Celestial, nossas relações são saudáveis, inclusive com o próximo, não havendo espaço para comportamentos mesquinhos, porque sintonizados na fonte de amor exalamos amor.

Baseados no texto, sucintamente, examinaremos três questões importantes: a primeira é que pensar que ama a Deus e não amar o próximo, solidarizando-se com ele, é um comportamento equivocado, gerador de presunção e orgulho espiritual. Jesus reprovou essa postura nos fariseus. Pedantes, eles subjugavam e maltratavam o próximo em nome de seu suposto “amor” a Deus.

Segunda, amar o próximo, mesmo estendendo-lhe a mão em momentos de adversidades, e não amar a Deus, reverenciando-O como doador e sustentador da vida, Senhor e Salvador de nossas almas, gera desesperança. Esse é o problema de muitas pessoas.

A terceira é que o amor ao próximo deve ser proporcional ao amor a si mesmo. Isso é difícil para esta geração ansiosa, vitima do próprio desatino, embriagada no universo virtual, emocionalmente fragilizada com seus problemas potencializados pelo distanciamento social.

Assertivamente, diz Barth: “Deus é totalmente o outro”. Buber, com muita propriedade, ensina que o Tu Eterno está continuamente diante de nós por meio do tu humano. Por isso, o nosso próximo deve ser amado como pessoa (tu), e não tratado como coisa (isso). As coisas existem para serem usadas, e as pessoas amadas. A inversão dessa ordem é a raiz de todos os males que Paulo fala em 1 Timóteo 6:10, porque é-nos impossível amar a Deus e às riquezas, simultaneamente (Mateus 6:24).

No ato de perceber o outro, sempre haverá algo de mim; então, se eu não me amar o bastante, não amarei o suficiente nem Deus, nem o próximo. Contudo, ainda é possível se amar, mesmo num ambiente estimulador de subjetividades. Como para quase tudo há um processo com estágios a cumprir, até alcançá-lo, primeiramente, a pessoa precisa se conhecer um pouco mais, e aprender a se aceitar. Com isso, ela melhorará a autoestima.

Segundo, com a compreensão de que ninguém é perfeito, exercer a paciência, não exigindo demais de si, nem de outros, respeitando as limitações, o que é fundamental. No terceiro momento, ela entenderá que “somos seres em construção”, e que enquanto existir vida haverá a possibilidade de crescermos, especialmente no amor, pois todos estamos conectados num processo de desenvolvimento.

Em síntese, com o autoconhecimento o amor ganhará espaço. A paz de espírito será parte de um viver feliz, confiante num futuro melhor, apesar das adversidades. Crises existenciais poderão ser contornadas, porque haverá a certeza de que há um Deus maior do que nossos problemas, em quem espelhamos, a quem amamos, e que cuida de nós como cuidamos de nosso próximo.

Assim, nascerá a convicção de que o ser é mais importante do que o ter e que, como parte da ampla realidade, em tudo o Altíssimo tem um propósito que se realiza conforme Seus desígnios.

Havendo amor, mesmo com a pandemia, o ano de 2021 sinalizará esperança, porque poderemos descansar no Senhor.

Clovis Rosa Nery é Psicólogo e escritor

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