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terça-feira, 28 maio 2024

Alinhar gestão e liderança gera crescimento para a igreja

Foto: Reprodução

O teólogo e especialista em desenvolvimento de pessoas, Eduardo Santana Rodrigues, destaca os desafios, além de duas habilidades para a bom desenvolvimento da comunidade de fé

Por Patricia Scott 

Como qualquer organização, as igrejas precisam de mecanismos de liderança e gestão. A tarefa não é simples, já que as comunidades de fé têm foco nas pessoas, enquanto as empresas, por exemplo, no lucro.

A Bíblia dá muitos exemplos de como Deus proveu líderes para o Seu povo. No entanto, Jesus deve ser enxergado como o principal modelo de liderança. Cristo disse que a verdadeira liderança não é “mandar” nos outros, nem ter um título especial (Mateus 23.10-11). O bom líder deve estar disposto a servir.

Em entrevista à Comunhão, o teólogo Eduardo Rodrigues, com formação nos institutos da ELC, de Londres, ZOVAC Consulting, Califórnia, e Fuller Seminary em Pasadena, EUA.  esclarece o que é gestão e liderança, além de ressaltar os desafios e opinar sobre a utilização de ferramentas e conceitos empresariais na igreja. Com 22 anos de experiência e mais de cinco mil horas de atendimento, Eduardo conduziu treinamentos em mais de cinco países e já liderou diversas equipes. Atualmente, ele atua como pastor, empresário e diretor para a América Latina pela Communitas International

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Qual um dos grandes desafios quando o assunto é liderança e gestão na igreja?

A falta de clareza entre o que é liderança, e o que é gestão. Gestão tem a ver com administrar as tarefas a serem feitas pelas pessoas, o que é extremamente necessário em qualquer organização, seja uma empresa ou uma igreja. A liderança tem a ver com o conceito de “vida na vida”, sintonizado com as pessoas e gerando transformação. O desafio é realizar uma tarefa como fruto de uma transformação pessoal e sermos transformados em comunidade enquanto realizamos as tarefas da missão.

Alinhar gestão e liderança gera crescimento para a igreja
Foto: Divulgação

Como superar esse desafio?

Vamos ver como Jesus fazia. Em Lucas 22, Ele delega a Pedro e a João o preparo do jantar da Páscoa. Observe que em seu ministério havia gestão. As habilidades de organizar são demonstradas no Evangelho, mas o foco não era a tarefa pela tarefa, mas a transformação da pessoa por meio da tarefa. No relato citado, a experiência de Pedro e João, ao realizar o trabalho, envolveu experimentar o Jesus profeta, ao ver sua palavra se cumprindo. Era como se Jesus, usando de liderança, perguntasse em um bate papo com seus colaboradores: “o que vocês aprenderam sobre mim, sobre si mesmos e sobre minha obra de redenção enquanto preparavam a comida?” Observe que isso é acessar a vida enquanto fazemos a tarefa.

Na igreja ou em qualquer organização é possível organizar os trabalhos e as funções baseados nas habilidades de cada pessoa, mas também precisamos perguntar: “Como você experimentou Jesus ao liderar este projeto ou esta tarefa? O que foi desafiador? O que aprendeu sobre si mesmo e sobre as pessoas? Como o Espírito te transformou?” Quando fazemos isso, temos a oportunidade de nos sintonizarmos com as pessoas e perceber se aquele realmente é um canal de crescimento com Jesus, pois afinal de contas, é isso que importa de verdade. Crescer com Jesus e com as pessoas enquanto fazemos as tarefas.

Qual a sua visão sobre a utilização de ferramentas e conceitos de gestão empresarial na igreja?

Gestão é a habilidade de organizar tarefas. Uma comunidade com 50 pessoas requer menos organização do que uma comunidade cristã com mil membros. Não vejo, por exemplo, problema em usar um sistema para catalogar nomes ou melhorar atividades, o problema é quando a ferramenta de gestão faz de você um número. O problema é quando temos tantas atividades organizacionais na igreja que perdemos a “vida na vida.” É preciso perguntar: “É errado usar uma ferramenta para organizar? Ao usar essa ferramenta ou conceito, nos mantemos sintonizados com as pessoas experimentando a transformação em Jesus?”

Se isto não está acontecendo é preciso repensar. Como dirijo um trabalho cristão na América Latina, a Communitas International, utilizo ferramentas de organização que aprendi na minha caminhada com empresas. Se eu ficasse focado apenas na performance da ferramenta, perderia a linha, mas o foco é outro: essa abordagem nos ajuda a nos mantermos relacionais? Somos transformados ao fazer as tarefas? As pessoas participam das atividades que criamos por culpa ou obtém vida juntos? Estes encontros ou atividades tem razão de ser? Acredito que este filtro pode nos ajudar a tomar decisões sábias.

Deixe um recado para os líderes cristãos que precisam exercer liderança e gestão.

Desenvolva duas habilidades: escuta e liderança facilitativa. Facilitar é ter uma liderança colaborativa que garante que as pessoas de sua equipe estejam envolvidas na tomada de decisões em grupo. As boas ideias, não são apenas do líder, podem vir das pessoas. Acredite nisso. A outra habilidade que mencionei foi a escuta. Sobre a escuta tenho percebido que ela alivia a carga, pois faz com que as pessoas se sintam compreendidas, evita que você as interrompa desnecessariamente e melhora seu relacionamento com elas.

Quantas vezes os líderes, ao tentar organizar a comunidade, atropelaram as pessoas dando a elas uma ocupação que não era compatível com o perfil. Essas duas habilidades ajudam no “liderar” e no “organizar”, pois ao invés de impor sentido às pessoas, elas passam a encontrar sentido, por meio do discernimento e da acolhida em comunidade.

 

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