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segunda-feira, 21 junho 2021

Ágatha Heap fala sobre sabedoria bíblica e popular em seu novo livro

“Meu desejo de ser como Cristo, de conhecê-lo cada vez mais e de viver uma vida transformada por Ele. O que quero para mim, quero para o próximo”

Por Geila Salomão

A sabedoria popular é um conhecimento transmitido por gerações e merece papel de destaque na busca em oferecer explicações para fatos corriqueiros e complexos do cotidiano. Na Bíblia,  a sabedoria tem seu destaque, mas não a popular. Aqueles que seguem as Escrituras reconhecem a sabedoria bíblica como fonte inesgotável de conhecimento para lidar com as pressões da vida. Dessa forma, quanto mais os ensinamentos bíblicos estiverem norteando o povo de Deus, tal ensinamento estará presente na sociedade.

É nesse diálogo respeitoso entre a sabedoria bíblica e a sabedoria popular que se insere a o ditado: “A voz do povo e a voz de Deus”. Resultado de uma série de 6 anos de pregações esporádicas, Ágatha Heap analisa vinte ditados populares à luz das Escrituras, o que faz deste livro uma ferramenta de grande valia para uma discussão saudável sobre fé e cultura. Confira a entrevista exclusiva que a autora cedeu para a Comunhão.

Qual foi a sua motivação bíblica ao produzir essa obra?

Eu parti da vida de Jesus. O maior desejo do meu coração é ser como Cristo. Por isso, fui identificando algumas características dele e confrontando com a forma pela qual geralmente vivemos em nossa cultura.

Qual é o maior desafio que você encontrou no processo de criação do livro?

Tentar ser bem coerente com o ensinamento popular, entendendo que eles sempre têm algo de valor e verdadeiro sobre a conduta humana, mas medindo com o que a Bíblia ensina sobre como se deve viver.

Quais as diferenças da análise dos ditos populares que você encontrou nos nossos estados brasileiros?

Eu sou carioca. Realmente esse seria o estado de onde mais “sugo” os ditos populares. Tenho família de origem nordestina e sul-mato-grossense. Então, há influência dessas áreas. Os ditos mais comuns parecem ser compreendidos em toda parte do país. Não me aprofundei em diferenças regionais nesse primeiro momento. Agora que moro em São Paulo, vejo que algumas coisas que eu sempre “entendi”, eu preciso explicar por aqui. Ao mesmo tempo, aprendo palavras e formas de expressão que não são usuais no Rio de Janeiro. Então, temos muito em comum e muito de diferente. Mas vejo mais diferença em relação ao uso e significado de termos específicos da língua portuguesa… Não necessariamente dos provérbios populares.

O que você encontrou de mais fascinante em todo o livro?

O livro está na categoria de “inspiração”, entre alguns outros temas. Acho que ele tem essa função cativante e inspiradora. Eu tenho uma tendência a querer utilidade em quase tudo que faço. Creio que a leitura não deve simplesmente acrescentar informação, mas trazer algum incentivo à transformação. Então, espero que ao ler o livro, o leitor consiga enxergar a sua própria cultura de forma inovadora, aprender o estilo de vida de Cristo e olhar para si desejando e decidindo ser mais como Ele.

Você acredita que na Bíblia também exista ditos populares?

Sim. Estudiosos da cultura judaica e também da antiguidade podem apontar diversas falas que remetiam o povo da época a algum conhecimento popular. Nós, um tanto mais distantes geograficamente, historicamente, temporalmente e, consequentemente, culturalmente, nem sempre entendemos cada história, símbolos e falas compartilhadas, mas existem sim.

Estudiosos da cultura judaica e também da antiguidade podem apontar diversas falas que remetiam o povo da época a algum conhecimento popular | Foto: STNB

Temos inúmeros ditos populares, como foi a escolha desses 20, o que despertou sua atenção nos escolhidos?

Como eu parti da vida de Cristo, a verdade é que os ditos populares foram secundários. Eu identificava uma característica de Cristo e buscava algum provérbio popular que se relacionasse com tal particularidade. Em alguns casos, incluí vários na mesma pregação. Mas ao virar livro, padronizamos a apresentação de um dito popular por capítulo.

Quantos livros já publicou? Qual mais o impactou?

Esse é o meu segundo livro publicado. O primeiro foi publicação independente. Não tive nenhuma editora. É uma narrativa, um ficção que confronta a cultura brasileira nas noções de ética, gratidão e justiça. Chama-se “O Conflito de João Brasil”. É uma história muito preciosa para mim. No momento, a grande empolgação é pelo lançamento de “A Voz do Povo e a Voz de Deus” mesmo.

A crença e fé das pessoas interferiu, de alguma forma, na sua análise?

Sim. O povo brasileiro é muito religioso, mas, por vezes, é uma religião genérica, cultural, sem tanto compromisso individual. As pessoas usam linguagem cristã sem receios (amém, em nome de Jesus, graças a Deus, só por Deus, pelo amor de Deus). Nesse livro, tento trazer um olhar de mais especificidade. Temos um modelo. Jesus não é genérico. Então, precisamos estar atentos e querer aprender muito dele para que nossas crenças e fé não sejam mero comportamento social, mas um estilo de vida profundo e verdadeiro.

A obra fala de uma sabedoria bíblica e a sabedoria popular. Segundo a ótica do evangelho, o que seria isso exatamente?

A sabedoria bíblica são os ensinamentos registrados e vividos, especialmente, por Cristo. A sabedoria popular são os conhecimentos passados de geração em geração, com grande carga de tradição, dentro da cultura brasileira.

Qual é o objetivo de retratar a cultura brasileira no seu livro?

A minha formação em Ciências Sociais desenvolveu em mim um apreço muito grande pelo estudo e observação de culturas em geral. A cultura é a produção humana de comportamentos, costumes, hábitos, crenças, valores etc. que respondem aos anseios humanos, suas necessidades nas mais diversas áreas da vida e sua criatividade no uso dos recursos disponíveis no espaço geográfico onde cada grupo vive.

Há sempre algo universal, mas sempre algo muito específico em cada cultura. Como brasileira, eu amo a nossa cultura, ao mesmo tempo que sei que é difícil me afastar dela e analisá-la com neutralidade. Vejo inúmeras qualidades nos brasileiros, mas também identifico tantas coisas que eu gostaria que fossem diferentes e melhores. Almejo um país mais “decente”, como Darcy Ribeiro desabafou na introdução do seu livro “O Povo Brasileiro”. Não sou uma teórica ou intelectual. Sou cidadã, mãe, professora, pastora… vivo a vida comum do nosso povo. Considero importante para possamos nos enxergar para sermos transformados.

Aproveitando a oportunidade, fale-nos também de sua literatura, o que vem pela frente, suas realizações.

Eu desejo escrever outras obras narrativas. Quero fazer uma série de pelo menos três livros com ficções em contextos brasileiros reais ainda para lidar com questões sobre racismo, exploração de trabalho, discriminação social, injustiça etc. Eu tenho manuscritos sobre temas de sabedoria em Provérbios, Transformação pela Palavra, baseado no Salmo 119, também estudos sobre as virtudes do Espírito Santo e os 7 pecados capitais. Gostaria de finalizar todas as obras e lançá-las em algum momento.

Quais ou quem foram suas inspirações bíblicas para escrever?

Jesus é a minha maior inspiração. Falo logo na introdução do livro que a humanidade tem o anseio pela eternidade (como registrado em Eclesiastes 3.11), então busca a religação com o sobrenatural. Falar de Deus, especialmente no Brasil, é muito aceitável e até bonito. Entretanto, como cada um interpreta quem Deus é varia muito. Uma energia, um juiz severo, um Criador, o Arquiteto do Universo, o Eterno que não se relaciona com a humanidade… enfim, as interpretações podem variar muito. Por isso, olhar para Jesus é essencial. Ele é 100% Deus, tendo sido 100% homem. Por isso, ele é específico e precisa ser conhecido e copiado… além de colocado no trono da vida humana.

Todavia, falar de Jesus sugere um pouco mais de resistência. Ele não é tão bem aceito por todos. Seu papel na história da humanidade é questionado por muitos não crentes. Por isso, achei tão relevante colocar Jesus no centro das análises culturais para que Ele realmente fosse o modelo inspirador e capacitador de uma jornada de vida transformada.

A cultura é aprendida e absorvida, em grande parte, por imitação. Se precisamos imitar, que tenhamos o melhor modelo diante de nós: Jesus!

Qual é a maior lição que os cristão podem ter com este livro?

Escolher viver seguindo a voz de Deus através da vida de Jesus.

Sobre a autora

Ágatha Cristian Heap é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em Geografia pela Universidade Metropolitana de Santos, e em Teologia pela Faculdade Nazarena do Brasil. É mestra em Religião com ênfase em Teologia pela Point Loma Nazarene University, na Califórnia, EUA. É pastora auxiliar na Igreja do Nazareno em Atibaia desde 2006. Casada com Brian, é mãe de Lucas, Victoria e Gabriele.

 

Foto: Editora Mundo Cristão

 

Livro: A voz do povo e a voz de Deus
Autora: Ágatha Cristian Heap
Editora : Mundo Cristão; 1ª edição (12 maio 2021)
Idioma : Português
Capa comum : 112 páginas
ISBN-10 : 6586027829
ISBN-13 : 978-6586027822
Dimensões : 13.5 x 0.6 x 20.5 cm

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