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sexta-feira, 24 maio 2024

Aconteceu em Jerusalém!

Um judeu não poderia ser condenado à morte em uma única sessão O que aconteceu em Jerusalém foi por amor a mim e a você

Por Clovis Rosa Nery

Era uma manhã de sexta-feira, ainda muito cedo, quando na imaginação desembarquei no aeroporto da cidade Santa. Depois de algumas providências de praxe, segui para o hotel. Logo cheguei ao meu destino, no centro. De repente, vi um homem carregando uma cruz, escoltado por alguns soldados. Nas ruas, curiosos aglomerados observavam a cena. Alguém me disse tratar-se de um “galileu”, chamado Jesus, que estava sendo conduzido ao Monte Calvário, onde seria morto.

Por curiosidade resolvi pesquisar sobre o caso. Os meus objetivos eram descobrir as circunstâncias do julgamento; porque aquele homem levava o madeiro em que, certamente, seria crucificado? E qual seria o crime cometido?

Quanto ao julgamento, constatei que foi noturno e apressado. A legislação judaica, especificamente a Mishná, a Torá Oral dos judeus, foi ignorada, constituindo-se numa farsa recheada de ilegalidades, tramada pelo Sumo Sacerdote Caifás, com a conivência de seu sogro, o outro Sumo Sacerdote licenciado, Anãs. Pesquisei em trabalhos de autores renomados, como Giuseppe Ricciotti, Frederick Zugibe e Augustine Mandino. Em síntese, descobri o seguinte:

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“O episódio envolveu traição, no caso Judas, um discípulo. Nessa condição, a prisão era proibida. Não poderia haver punição antes do veredicto condenatório, mas Jesus foi amarrado e preso. Ao Sinédrio era proibido deliberar sobre crimes de morte à noite. Julgamentos envolvendo condenações dessa natureza não poderiam ocorrer na véspera de sábado, mas o de Jesus começou com a sua prisão na noite de quinta-feira e se desenvolveu até a madrugada da sexta-feira. Um judeu não poderia ser condenado à morte em uma única sessão. Eram necessárias, ao menos, duas para que houvesse as revisões do processo, visando a evitar equívocos. A sentença não poderia ser emitida no mesmo dia do julgamento. Dos setenta membros do Sinédrio, naquela noite fatídica, somente alguns cuidadosamente selecionados por Caifás compareceram”.

A respeito da cruz, sabemos que, geralmente, os condenados levavam a parte transversal, mas Jesus a levou por inteiro. Isso significa que Ele carregou sobre si o peso de todas as nossas transgressões, sendo condenado por elas, para que nós, pela Graça, perdoados e salvos, pudéssemos viver para o Senhor (I Pedro 2:24). A cruz, no plano espiritual, foi um projeto Divino de redenção da humanidade preparado antes mesmo da criação do homem. Deus sabia que haveria a queda, e o Plano de Salvação já estava em curso (II Timóteo 1:9; I Pedro 1:18 a 21 e Apocalipse 13:8). Na cruz, Cristo dominou a situação, porque para tal veio ao mundo (Isaías 53; Atos 2:23 e João 12:27). A cruz é um símbolo triunfante de vitória total contra o pecado.

A morte de Cristo não foi uma sentença devido a um crime praticado por Ele. O crime foi meu e seu. Nós deveríamos morrer, mas Ele, sem pecado algum, morreu por nós. Isso ocorreu para que se cumprissem as Escrituras, e Ele sofresse o nosso castigo. Caso contrário, estaríamos condenados à perdição eterna (Isaías 53; Romanos 6:23 e 8:1 e 2).

O suplício daquele a quem, o apóstolo João inicia seu evangelho dizendo: “No princípio era o Verbo, e o verbo estava com Deus. E o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio d’Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1: 1 a 3) foi um ato de amor. O que aconteceu em Jerusalém naquela sexta-feira foi por amor a mim e a você (João 3:16).

Clovis Rosa Nery é psicólogo, pesquisador e escritor.

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