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domingo, 21 abril 2024

Acessibilidade nas igrejas

Jesus queria que todos se achegassem a Ele, sem barreiras nem distinções.

Mas muitas igrejas não estão preparadas para receber pessoas com necessidades especiais
O templo de uma igreja pode ser conhecido e chamado de várias formas, mas todas se referem a um local de auxílio, harmonia e principalmente, acolhimento. Todos são bem-vindos na Igreja e devem ser apoiados na caminhada rumo ao Senhor. No entanto, alguns membros e visitantes podem se ver diante de obstáculos imensos para chegar ao templo de qualquer denominação, em qualquer cidade.

Esses obstáculos não são de fé ou convicção, e sim de mobilidade. Segundo dados do Censo do IBGE realizado em 2010, 45 milhões de brasileiros disseram ter algum tipo de deficiência, ou seja, quase 24% da população. Mais de 4 milhões afirmaram ter graves problemas motores. E para quem necessita de cadeira de rodas, coisas simples para outras pessoas, como subir um lance de escada ou atravessar uma rua, podem significar uma árdua batalha.

Por conta disso, não só a gestão pública precisa trabalhar para incluir os portadores de necessidades especiais no ambiente social, mas também as igrejas devem estar atentas para as pessoas que queiram chegar às dependências dos templos. O que deve ser feito para reduzir ou mesmo eliminar o problema de acessibilidade do cadeirante às igrejas?

Segundo o arquiteto Marcos Correia Silva, que tem grande experiência atendendo igrejas no Espírito Santo e em outros estados, são necessárias rampas de acesso com inclinação (8%) e dimensões adequadas, halls e portas com áreas confortáveis, pisos diferenciados, iluminação, sanitários adaptados, tudo deve atender as normas de acessibilidade. Desta forma, o templo cumprirá a sua função de ser um espaço acolhedor e congruente. “Várias sãos as leis e normas que regulamentam a acessibilidade, e entre as últimas a principal é a norma técnica NBR 9.050 – Acessibilidade a edificações, mobiliário e equipamentos urbanos”, disse ele.

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Igrejas com templos localizados no segundo pavimento geralmente têm escadarias na fachada. Quando houver espaço, o uso de rampas com inclinação dentro da norma é o recomendável. Elas ocupam uma grande área, mas são mais baratas que elevadores. Se o desnível não for muito acentuado, a utilização de plataformas é aconselhável, já que ocupam pouco espaço e em geral não são caras. “Quando não for possível a construção de rampas e o desnível for muito grande, a opção são os elevadores, muito mais acessíveis economicamente hoje em dia.

Em muitos casos, quando analisamos o binômio custo x benefício, chegamos à conclusão de que compensa”, disse Marcos. Para ele, muitas vezes os pastores e líderes têm consciência do tamanho e da importância do ministério para o qual aquela igreja foi chamada, mas não sabem como instrumentá-la para cumprir esta tarefa. “Espiritualmente, o pastor sabe quais as necessidades funcionais da igreja, mas não consegue expressá-las em espaços, ambientes, estruturas” disse. Com a ajuda de um arquiteto, as igrejas podem identificar suas necessidades funcionais. “Este processo é construído em conjunto com os pastores e líderes e é de fundamental importância para que o templo e demais espaços sejam espelho das necessidades ministeriais da Igreja”, falou.

Igrejas mais conscientes:

As igrejas atentas à questão dos deficientes colhem resultados e vidas para o Reino de Deus. Um exemplo é a primeira Igreja da Praia da Costa, em Vila Velha. Com três cadeirantes nos cultos dominicais, a igreja tem investido na estrutura de acesso ao templo e salas de EBD, com rampas e corrimão. Também conta com pessoas capacitadas para acompanhar portadores de deficiência até o templo. “É preciso que as igrejas estejam preparadas para receber este público, pois ele precisa ser inserido no contexto espiritual, social e relacional que a Igreja oferece. Além disso, é uma forma de a Igreja abraçar os necessitados e suas famílias e viver o evangelho que Jesus ensinou. Para melhorar a acessibilidade, a igreja precisa mexer em sua estrutura funcional e relacional, preparando as pessoas para conviver com este público crescente”, frisou o pastor Evaldo Carlos dos Santos, da PIB da Praia da Costa.

Segundo o pastor, as igrejas não devem tratar o portador de necessidades especiais como doente, e sim dar a ele a oportunidade de acessar os locais que deseja. “Acho que precisamos fazer o básico: rampas de acesso fácil, pessoas para conduzir os cadeirantes, equipamento de som que não agrida a quem está na frente, e ensinar o povo a amar estas pessoas e ajudá-las em suas dificuldades”, destacou.

Para a empresária Valdete Ferreira Gomes, de 55 anos, a consciência da igreja fez toda a diferença em sua vida, como obreira de Deus e como cidadã. Cadeirante por conta da falta de oxigênio no cérebro no momento do nascimento, há 18 anos Valdete é membro da Primeira Igreja Batista de Barcelona, na Serra, e tem visto sua realidade se transformar a partir do momento em que a sua igreja disponibilizou rampas de acesso.

“A diferença para mim foi enorme. Antes precisava enfrentar a escada, não tinha como subir com a cadeira e alguém tinha sempre que me ajudar. Aí o pastor observou essas dificuldades e a igreja começou a trabalhar com uma outra mentalidade. Foi criada uma rampa de acesso para cadeirantes e já está praticamente pronto um banheiro para deficientes. Faltava também uma rampa de acesso à cantina e ao gabinete pastoral – eu tinha que voltar para a rua e passar por outro portão. Mas, felizmente, essa rampa também foi construída, para as comemorações dos 25 anos da igreja.

Agora, se eu estou no pátio da igreja, já tenho como entrar tanto no templo, quanto no gabinete”, disse ela. Quando pensa no que ainda pode melhorar quase se fala em acessibilidade, Valdete enfatiza: “Infelizmente ainda são poucas as igrejas que podem se preparar adequadamente, construir rampas e até banheiros para os deficientes. A situação do cadeirante no Espírito Santo melhorou bastante, mas ainda há muito a se fazer.
Existem bairros sem uma única igreja com estrutura para esses membros. É preciso conscientização”, finalizou.

Conscientização é mesmo a palavra. Existem pessoas que, por uma razão ou outra, não andam, no sentido físico, mas desejam trilhar espiritualmente os caminhos do Senhor. As portas das igrejas estão abertas a todos. Mas é sempre preciso se preocupar com o acesso a essas portas.

A matéria acima é uma republicação da Revista Comunhão. Fatos, comentários e opiniões contidos no texto se referem à época em que a matéria foi escrita

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