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terça-feira, 22 setembro 2020

Abuso sexual infantojuvenil, um mal a ser enfrentado

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Além de deixar marcas físicas como lesões, disfunções e até mesmo gravidez, a violência sexual pode causar um impacto negativo no aspecto social da vítima, gerando isolamento e queda no rendimento escolar

Por Débora Fonseca e Cunha e Marcela Amaral

É da teoria do psicólogo e psiquiatra britânico, John Bowlby, que se compreende que o indivíduo precisa de um ambiente que lhe transmita confiança e segurança para se desenvolver e estabelecer relações afetivas saudáveis.

A violência sexual contra crianças e adolescentes fere esse princípio pelo fato de que a maioria dos abusos acontece dentro do lar.

Compreende-se abuso como qualquer atividade sexual na qual a criança é envolvida sem que tenha capacidade para consentir ou compreender totalmente, como expor ou envolvê-la em práticas sexuais, despir, tocar, acariciar seu corpo ou, por meio da internet, solicitar que exponha sua nudez ou que veja a nudez de um adulto.

A polícia prendeu na madrugada desta terça-feira, 18, o acusado de estuprar e engravidar no Espírito Santo uma menina de dez anos. Ele era tio da criança, que teve a gravidez interrompida em um hospital no Recife.

Em geral, os abusadores são pessoas de confiança da família e da criança, podendo ser um familiar, amigo, vizinho, colega ou até mesmo seu cuidador ou responsável. Nesse caso, o abusador age de forma gradativa, manipulando e estimulando a confiança que a vítima e seus familiares têm nele, aproveitando-se de vulnerabilidades sociais e/ou afetivas.

É bastante comum que o vínculo afetivo entre o abusador e a criança seja muito forte, fazendo com que a mesma demore a perceber que tal relação é abusiva, dificultando que se encare como vítima – o que fortalece o pacto de silêncio entre ambos. Quanto mais próxima for a relação com o abusador, maior a probabilidade de que sentimentos contraditórios se estabeleçam, gerando confusão, culpa e autocrítica.

A violência sexual pode deixar marcas físicas, como, DSTs, hematomas, lesões, disfunções e até mesmo gravidez, como no triste caso da menina de 10 anos, violentada pelo tio, em São Matheus (ES), e que passou pela interrupção da gestação no início desta semana.
A violência pode ainda causar um impacto negativo no aspecto social da vítima, gerando isolamento e queda no rendimento escolar.

Entre os sentimentos comuns manifestados por aqueles que vivenciaram a experiência do abuso são: medo, vergonha, insegurança, raiva, tristeza, solidão e desamparo. Do ponto de vista psicológico, pode-se gerar culpa, autodepreciação, ansiedade, depressão, podendo levar a comportamentos autodestrutivos como automutilação, drogadição e suicídio.
As características mais comuns evidenciadas em crianças vítimas de abuso são a mudança repentina de comportamento, regressão a comportamentos infantis, choro excessivo, agressividade, mudanças de hábito de sono ou alimentação, aversão ao contato físico e embotamento afetivo.

Importante observar comportamentos sexuais que não condizem com sua faixa etária, ou mesmo interesse por assuntos e brincadeiras sexuais precoces, bem como relatos, desenhos, piadas e histórias com conteúdo que vão além da capacidade prevista para sua idade.

A família precisa agir de forma preventiva ao abuso, cuidando da criança e dando toda atenção e qualidade de tempo que lhe for possível, orientando-se sempre sobre onde, como e com quem estão.

Conhecer os amigos é muito importante, principalmente, aqueles que são mais velhos. Quanto menor for a criança, menor o tempo que ela deverá passar longe da família. É preciso ensinar a não aceitar nenhum tipo de benefício (doces, dinheiro, convites) em troca de carinhos ou segredos.

O diálogo aberto e acolhedor deve permear o relacionamento com a criança ou adolescente, de forma que encontre segurança para relatar qualquer situação que a tenha constrangido. O acesso à internet precisa ser supervisionado de perto pelos pais, ainda que isso pareça invasão de privacidade.

Há de se considerar ainda que a igreja exerce um papel relevante em relação ao abuso sexual à medida que informa, alerta e ajuda as famílias na prevenção e no cuidado das crianças e adolescentes, acolhendo possíveis denúncias e sendo um local de refúgio e segurança para as vítimas.

Por fim, quando um caso de abuso sexual vem à tona, torna-se necessário em relação a vítima: Ouvi-la atentamente e não duvidar. Não obrigá-la a falar sobre o assunto ou dar detalhes, se ela não quiser. Esclarecer que não tem culpa. Procurar quem possa realmente ajudar. Acolher a criança ou adolescente e seus sentimentos, validando sua dor. Nenhum bem-estar social ou familiar é mais importante do que criança e adolescente que está em sofrimento. Se você é vítima ou conhece uma: procure ajuda, denuncie e quebre o silêncio!

Débora Fonseca e Cunha é coordenadora da Missão Luz na Noite desde 2001, atua no aconselhamento cristão na área da sexualidade humana há mais de 20 anos; formada em Direito e Psicologia; é autora dos livros Uma Fera em Busca de Sentido e Aconselhando Cristãos em Luta com a Homossexualidade. Em produção, sua terceira obra voltada às temáticas sexuais, agora, dependência e codependência emocional.

Marcela Amaral tem formação na Psicologia e atua há mais de 10 anos com aconselhamento cristão. Tem experiência com atendimento diário em seu consultório, por meio da prática clínica em psicologia, onde atende regularmente. É voluntária na Missão Luz na Noite desde 2018 e palestrante de temas da área de saúde mental, sexualidade humana e correlatos à família.

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