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sábado, 6 DE dezembro DE 2025

Aborto é polêmico desde os tempos bíblicos

Para comentar o assunto, o bate-papo contou com o teólogo Lourenço Stelio Rega, Ph.D. em Ciências da Religião. Foto: Reprodução redes sociais

Tema foi debatido em um podcast promovido pela editora Edições Vida Nova, com base na obra de Erkki Koskenniemi, “Toda vida pertence a Deus”   

Por Cristiano Stefenoni

Em tempos de debate sobre a descriminalização do aborto, o assunto tem tomado as discussões nas redes sociais. O destaque desta semana fica por conta do podcast da editora Edições Vida Nova, que traz como tema, exatamente um de seus títulos, o livro “Toda vida pertence a Deus”, de Erkki Koskenniemi e que trata a questão do aborto como algo milenar. Para comentar a obra, o bate-papo com Saor Lucena contou com o teólogo Lourenço Stelio Rega, Ph.D. em Ciências da Religião.

De acordo com Rega, o livro, que fala da ética judaica e cristã sobre o aborto e o infanticídio no mundo antigo, trata o aborto como um problema desde os tempos bíblicos, apesar de ser utilizado outros termos na época como interrupção da gravidez, rejeição ou abandono do bebê, algo como um “aborto seletivo”.

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“Na antiguidade clássica, gregos e romanos expunham e/ou matavam bebês. Se os pais achavam que aquele recém-nascido não merecia viver ou não era aceito por algum motivo, a criança era exposta ao mundo, abandonada para morrer. E os motivos para isso eram vários, desde a questão das guerras que geravam muitas dificuldades econômicas, até as crendices na época, com presságios sobre a criança”, afirma.

O teólogo lembra que Deus já tinha essa preocupação desde os tempos dos patriarcas, quando orientou o povo a “não matar”, o que incluía aí, os bebês e as crianças. “Na percepção judaica, no Antigo Testamento, você vê um dos princípios essenciais dos 10 Mandamentos, que diz respeito a não matar, o homicídio. Isso já traz essa cosmovisão judaica da valorização da vida”, ressalta.

Outro ponto crucial do livro e que está em amplo debate no cenário atual sobre a descriminalização do aborto é exatamente sobre a origem da vida, por conta do debate sobre a interrupção da gravidez na 12ª semana de gestação.

Na opinião do teólogo, horas após a fecundação, começa o processo de divisão celular, que já tem a sua identidade genética que permanecerá até a morte do indivíduo, ou seja, elas trazem o código genético que marcaria o início da identidade do ser.

“Esse processo marca o início da identidade do ser, inicia aí a vida. Qualquer interrupção desse processo, horas depois da fecundação, você já está interrompendo uma vida, praticando um ‘assassinato’ daquela identidade. O Biodireito defende a ideia de que esse sujeito não adquiriu toda a sua personalidade jurídica. Mas um recém-nascido também não o adquiriu. Quer dizer, então, que ela pode ser morta? Esse argumento não tem como ser aceito no sentido da lógica”, destaca Rega.

Quer saber mais sobre o assunto? Assista ao podcast abaixo:

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