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sábado, 28 maio 2022

13 de maio: abolição da escravatura; Mas o povo realmente está livre?

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Após a abolição, não houve políticas de inserção do negro na sociedade. Foto: Reprodução

A abolição da escravatura aconteceu em 13 de maio de 1888, mas até hoje os efeitos da Lei Áurea assinada pela regente do Brasil, a princesa Isabel, refletem nas atitudes do povo brasileiro

Desde cedo o povo brasileiro luta para se manter livre de um governo, que, antigamente, tinha todas as características aristocratas. Assinada em 13 de maio de 1888, pela regente do Brasil – a princesa Isabel -, a Lei Áurea aboliu a escravatura. Hoje, completa 122 anos.

E diferente do que todos pensam, o movimento não foi benevolência do império. Foi resultado de engajamento e pressão do popular, que cada vez mais ganhava força. Desta forma, os grupos abolicionistas iam contra a nova realidade.

“Foi um movimento de pressão internacional, principalmente da Inglaterra que enfurecida com a postura permissiva do Brasil com o tráfico, decretou uma lei que permitia às embarcações britânicas invadirem o território brasileiro para apreender os navios negreiros.”, disse o historiador Vinicius Vivaldi.

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Abraham Duquesne (1610-1688), após o bombardeio em Argel, libertando escravos cristãos. – Foto: Reprodução

Vivaldi destaca que a Inglaterra tinha interesses econômicos. “Ela necessitava que no Brasil houvesse, entre outras coisas, uma maior mão de obra assalariada, para que esse quantitativo pudesse consumir as mercadorias vindas da Europa”, afirmou.

E hoje?

Os avanços culturais, políticos e sociais têm sido muitos. Os negros lutam diariamente para ter seus direitos garantidos. Para o consultor em Marketing Político e diretor executivo da República Marketing Político, Darlan Campos, o Brasil foi uma das últimas nações da América a abolir a escravatura, deixando muitas marcas na história do país.

“A abolição da escravatura foi um ato jurídico que deu “liberdade” aos negros a partir daquele momento. Entretanto, não houve nenhuma política de Estado após, com a Proclamação da República, em 1889, que os inserisse na sociedade. É um processo importante, mas isso é uma constatação daquela realidade e que reflete nos dias de hoje”, disse ele.

Autores, como Andrea Piccini, relatam que após a abolição, os negros alforriados não tinham para onde ir, então foram morar em cortiços, originados no século 19, em São Paulo. Eles começaram a morar em casarões e, com o crescimento da infraestrutura das cidades, pautado nos interesses dos políticos, não tinham acesso à serviços como saneamento básico, transporte público, educação, entre outros.

Vinicius Vivaldi ressalta que atualmente há a consciência de que só a igualdade de oportunidades é capaz de realmente “libertar” o povo. “A cada dia existem novas políticas públicas de inclusão, mas, fica claro que ainda há muito a se avançar nesse sentido. A educação de qualidade é o único caminho para equalizar as oportunidade para a população. Todavia, não podemos esperar que aconteça de forma gradual e lenta como fizeram os abolicionistas no Brasil. Temos urgência. Precisamos dessa ferramenta para ser, de fato, “livres.”, pontuou.

negros
Os negros que trabalhavam nas lavouras. – Foto: Reprodução

A data deve ser comemorada?

Para a atriz Zezé Motta, não. Ela usou suas mídias sociais para publicar um texto de questionamento com o título “O 13 de maio é mesmo uma data a ser comemorada?”

“A princesa e seu feito são reverenciados nos livros escolares de história e a data, Dia da Abolição da Escravatura, foi instituída no calendário oficial como algo a ser comemorado. Mas para o movimento negro não há o que festejar”, escreveu ela.

Na sequência, a atriz destaca o período de luta por esse povo. “Depois de muita luta das negras e negros do Brasil colônia, como a do Quilombo dos Palmares e a Revolta dos Malês, por exemplo, a Lei Áurea veio, mas veio sem nenhuma reparação moral ou econômica. Muitos permaneceram na própria fazenda onde trabalhavam como escravos por não ter para onde ir, outros, largados à própria sorte, passaram a ser marginalizados e discriminados, dando início às mazelas que combatemos até hoje”, continuou.

Ela encerra, dizendo: “13 de maio é mais um dia de resistência e de luta pela igualdade e combate ao racismo”. Não se sabe se o texto é de autoria da artista, mas ao que tudo indica, ele circula há alguns anos nas mídias sociais.

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