A volta de Jesus está mesmo próxima?

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A resposta sobre a volta de Jesus precisa ninguém tem. Mas o alerta é para estarmos prontos todos os dias

Por Heliomara Mulullo

Filhos contra pais, pais contra filhos, falta de amor, iniquidades, extinção de espécies, avanço da ciência, fome, tsunamis, guerras. Muitos são os fatos, todos os dias nos noticiários, descritos em profecias bíblicas como sinais da volta de Jesus Cristo à terra.

E isso faz com que muitos teólogos defendam a proximidade do final dos tempos. Um tema que ainda causa dúvidas, mas que deveria estar na ponta da língua dos crentes, pois a mensagem central da Bíblia é o Plano da Salvação de Deus para nossas vidas, o Cristo que virá buscar a Sua noiva.

A volta de Jesus é mencionado mais de 300 vezes no Novo Testamento, tornando-se a segunda doutrina mais citada em toda a Escritura, depois da Salvação. E muitos são os alertas sobre o fato de que, independentemente do momento, devemos estar preparados. Em Mateus 24:42, Jesus adverte: “Vigiai, pois não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor”.

Mas os sinais apontam mesmo para a proximidade da volta de Jesus? Esse assunto é um grande enigma, explica o pastor Carlos Cardozo. Especialista em Escatologia, doutrina dos acontecimentos que marcam o fim do mundo, ele, inclusive, aborda que há muitas dúvidas se Jesus sabia ou não qual seria o momento. Em Marcos 13:32, está escrito: “Quanto ao dia e a hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão somente o Pai”.

Cardozo argumenta que, quando Jesus estava no Seu ministério terreno (corpo humano limitado ao espaço e ao tempo dos homens), agia como homem. “Mas, em Apocalipse, Cristo diz ser o dono do tempo, o ‘alfa e o ômega’, o princípio e o fim. O Todo-Poderoso. Então, vale concluir que Jesus sabia de todas as coisas: a hora, o segundo e o milésimo de segundo que buscaria a Igreja.”

No entanto, pondera o pastor, não é porque o momento exato não foi revelado que Ele deixou de anunciar os sinais de Sua vinda. “Quando pegamos os evangelhos do Sermão Profético – passagem bíblica encontrada em Mateus 24:1-31, Marcos 13:1-2 e Lucas 21:5-36 –, encontramos o cenário apocalíptico dos últimos tempos: tsunamis, enchentes, sinais do sol, na lua e nas estrelas, fome, guerra, o falso evangelho e a perseguição ao cristianismo. Todo esse contexto aponta para o Seu retorno”, enumera Cardozo.

Realmente não sabemos o horário e o momento, mas todos os sinais apontam que Ele pode voltar a cada momento, enfatiza. “Então, essa vinda iminente deve estar no coração de todos. Não basta achar que vai demorar, temos também que estar prontos e aguardando a vinda dEle”, sintetizou.

Os sinais mostram as profecias bíblicas a respeito da volta de Jesus Cristo. Daniel 12:4 relata que a ciência se multiplicaria de forma incrivelmente rápida. Em Mateus 24, está escrito que ouviríamos falar de guerras, fome, terremotos; que haveria ódio dos cristãos, entre outros fatos, com o objetivo de fazer as pessoas se voltarem ao Caminho (Jesus Cristo). Está escrito que ainda veremos coisas terríveis nos últimos dias da Igreja de Cristo na terra, mas a promessa do Senhor para nós diz o seguinte: “Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24:13).

A VOLTA É CERTA

O pastor Paulo Marciano destaca que a tarefa do pregador da Palavra é falar de Jesus e da mensagem da Cruz. “Ele foi morto e crucificado, ressurgiu dentre os mortos e virá em breve. Os sinais estão acontecendo para todos verem. O próprio Jesus veio falando para os Seus discípulos que tomassem conhecimento e acompanhassem o tempo que estaríamos vivendo. Por todos esses relatos (sinais), a vinda de Jesus pode estar muito próxima. Não podemos deixar de pregar a Palavra da maneira sadia e verdadeira para que ela não seja deturpada.”

Sobre os falsos profetas, a orientação é “acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mateus 7:15). Lembrando esse texto bíblico, Marciano lamentou que esse tipo de prática seja também um sinal que este tempo vivencia.

“A mensagem de exortação foi feita pelo apóstolo Paulo a Timóteo: ‘Porquanto, chegará o tempo em que não suportarão o santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para si mesmos, de acordo com suas próprias vontades (2 Timóteo 4)’. O texto fala acerca dos que não iriam valorizar a Verdade, a Justiça e a Palavra do Senhor.

Hoje muitos líderes de igrejas estão usando o nome do Senhor, intitulando-se cheios de poder, sem nenhum compromisso com a Palavra. Muitas igrejas, em vez de combaterem o pecado, buscam meios que agradem a líderes e não estão preocupadas com a vida eterna. Não podemos deixar de exortar o povo acerca do Evangelho de Cristo, temos que ter compromisso com a sã doutrina.”

O pastor Kenner Terra alerta sobre as falas exageradas em relação à vinda de Cristo. “O tema dos sinais da vinda total do Reino é muito comum na apocalíptica judaica, e as comunidades cristãs preservaram alguns deles. Por sua vez, a ambiguidade dessas imagens/sinais gerou identificações históricas com exagero.

Expressões apocalípticas (ex: “guerra e rumores de guerra” [Mateus 24:6]) ganharam múltiplas indicações e aplicações. Como exemplo, para resolverem problemas exegéticos, alguns agrupam versículos colocando-os em dois grupos: uns ligados à vinda no arrebatamento e outros, ao julgamento final (a segunda parte da volta de Jesus).

Independentemente da perspectiva adotada, a mensagem central anuncia o desconhecimento da data, hora ou situação da volta do Noivo, especialmente porque é muito recorrente no Novo Testamento a ideia de que esse evento precisa ser tratado como certo, ao mesmo tempo em que não pode ser facilmente previsto. Isso nos obriga a tornar a parousia uma experiência diária, convocando-nos à vivência da fé como ato de serviço e testemunho, porque ‘Ele vem sem demora’.”

“Não podemos deixar de exortar o povo de Deus acerca do Evangelho de Cristo, temos que ter compromisso com a sã doutrina” – Pastor Paulo Marciano

“TEMPO DE INIQUIDADE“

E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mateus 24:12). Em resposta aos sinais da volta de Jesus, um dos elementos mais visíveis em nossa geração é o aumento da iniquidade. Para o pastor Rubens Xavier, o que estamos vendo, de forma contundente, é a desconstrução da visão judaico-cristã dos valores espirituais.

“Não é só o pecado, mas também é a iniquidade. Trata-se de um nível mais profundo no que diz respeito ao temor de Deus, ao reconhecer a Deus. Jesus disse que os dias que antecederão à Sua volta seriam como em Sodoma e Gomorra, onde havia exatamente a proliferação institucionalizada da imoralidade, do secularismo, da pós-verdade. Esses sinais vão se encaixando numa distorção do nosso Deus”, conta o pastor Rubens.

Ele cita ainda que os cristãos devem saber avaliar a forma com que a sociedade tenta apresentar Deus. “Um caso recente é o filme da Porta dos Fundos lançado pela Netflix, que apresenta uma sátira corrompida, através de uma visão intencional de desconstruir tudo o que diz respeito a Deus e aos valores pertinentes a Ele. É a desvalorização do homem e a valorização do prazer. Tudo aquilo que é lei se transforma em tabu. Uma visão distorcida, apresentada de maneira consciente, chegando a um nível mais profundo do que o pecado, a iniquidade.”

“O tema dos sinais da vinda total do Reino é muito comum na apocalíptica judaica, e as comunidades cristãs preservaram alguns deles. Por sua vez, a ambiguidade dessas imagens/sinais gerou identificações históricas com exagero” – Pastor Kenner Terra, doutor em Ciência da Religião

A REVELAÇÃO

O Apocalipse, que revela os fatos do fim do mundo, é um dos livros da Bíblia mais difíceis de ser compreendidos, sendo necessário recorrer a critérios para desvendar sua mensagem. O pastor Kenner Terra, doutor em Ciências da Religião, explica que o profeta João revela o trono celestial e a verdadeira realidade do mundo de seu tempo. Isso seria a “revelação” (apokalypsis) de Jesus (Ap 1:1), cujo conteúdo mostra o funcionamento no céu (Ap 4-5) e a impiedade terrestre escamoteada, neblinada e ocultada especialmente pelo discurso tentador do sistema romano, conhecido como pax romana.

“Enquanto César era proclamado como senhor e garantidor da paz e ordem, João revelou que o Cordeiro imolado, Ele sim, tinha o domínio da história e poderia abrir os sete selos (Ap 5) e na verdade, mesmo que alguns estivessem enganados, o Império era a encarnação, por conta de suas impiedades e maldades, do próprio dragão (Ap 12-13), a imagem maior do caos. Quando em Apocalipse 13:2 é dito que o dragão deu o poder para a besta, o mundo e suas tramas são desnudados e vistos como representação da desordem e pecado. Refere-se ao sistema que dominava os setores político, econômico e religioso”, disse.

Essa mensagem de Jesus foi enviada para as sete Igrejas da Ásia, a fim de exortá-las sobre a tentação do sistema do seu tempo e as consequências desastrosas para os que não resistissem, porque isso significaria vender-se às forças, como exortou João, promotoras do antirreino, contra as quais Deus levantar-se-ia.

“Nesse sentido, a mensagem é urgente e atual. Quando perdemos de vista essa exortação joanina, podemos confundir sistemas políticos temporais com o próprio Reino de Deus. Além disso, o Apocalipse nos alerta sobre a possibilidade quando somos cooptados por governos humanos, de abraçarmos, inocentemente ou não, projetos que representam o dragão, o caos.

Essa mensagem nos impõe um dos princípios mais caros da tradição protestante: a separação entre Igreja e Estado. Proteger esse valor é preservar nossa função profética. Além disso, o Apocalipse serve de esperança porque anuncia que não há impérios eternos a não ser o Reino de Deus, e que o ponto final não é esse mundo e suas injustiças, mas algo muito maior e melhor (Apocalipse 21:2)”, definiu

Dicas de leitura

Você está preparado? (Mundo Cristão)
Billy Graham

 

 

 

 

 

Até que nada mais importe (Hagnos)
Luciano Subirá

 

 

 

 

 


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