Cremação, sepultamento tradicional e até “funeral espacial”. As dúvidas na hora de dizer adeus.
Por Cristiano Stefenoni
Você estaria disposto a pagar mais de 65 mil reais para enviar ao espaço os restos mortais de um ente querido? Pois esse é o valor cobrado por um “funeral espacial”, realizado pela empresa Celestis Inc., que pretende levar 196 cápsulas com cinzas humanas e amostras de DNA pela missão Enterprise, da Nasa. A extravagância fúnebre reabre um debate sobre como lidar com o corpo de quem morre, do ponto de vista cristão.
Isso porque cada país, bem como as várias religiões, possui uma forma diferente de lidar com o assunto. No México, por exemplo, o velório é celebrado com festa, música e desfiles. No Japão, é costume a própria família preparar o corpo do parente, utilizando sacos de gelo para preservar o morto.
Na África, o velório é comemorado como uma festa de casamento, com banquetes extravagantes. Já na Alemanha, o funeral pode demorar cerca de um mês e, após o sepultamento, acontece o “banquete do cadáver”, que consiste em reunir pessoas próximas em um restaurante para refletir na pessoa que se foi.
As religiões também têm a sua peculiaridade. No Judaísmo, por exemplo, não é permitida a cremação em nenhuma circunstância, pois eles acreditam que leva algum tempo até que a alma se desligue por completo do corpo e esse processo deve seguir a decomposição natural.
Já no Budismo é o contrário. A prioridade é para a cremação. Quando há sepultamento, não se usa o símbolo da cruz no caixão. Além disso, é normal nos rituais fúnebres oferecer comida aos deuses como um sinal de desapego.
Para o cristão, a ressurreição é mais importante que o sepultamento
Mas e no cristianismo, há algum padrão a ser seguido nas cerimônias fúnebres? De acordo com o pastor Luciano Estevam Gomes, presidente da Primeira Igreja Batista de Aracruz (Pibara), para o cristão, não faz diferença com a forma, ou seja, se o morto será sepultado ou cremado, pois a esperança está na ressurreição.
“O nosso sentimento de preparar o corpo para a sepultura foi herdado de uma tradição judaico-cristã. Mas nós temos a promessa da ressurreição, não importa como esse corpo esteja hoje”, explica o pastor.
Sobre o hábito de visitar um ente querido que descansa no cemitério, o pastor não vê problema nenhum, desde que a pessoa não queria dialogar com quem está no morto.
“Não vejo problema de se visitar um túmulo. Agora se a pessoa considera ir ao cemitério para conversar com o falecido, aí está completamente fora dos ensinamentos bíblicos, pois nada disso pertence aos cristãos, de acordo com a Palavra der Deus”, justifica.

