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sexta-feira, 17 setembro 2021

A vida é dura pra quem é mole

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O comodismo é um outro fator que contribui para que amoleçamos na vida

Por Lulinha Tavares

Me lembro como se fosse hoje da cena da minha mãe atravessando a rua e vindo me consolar do choro pela perda da bolsa universitária concedida pela FUGAP – Fundação Garantia do Atleta Profissional – após o confisco do dinheiro por parte da equipe econômica liderada por Zélia Cardoso de Melo, em março de 1990, na tentativa de conter a inflação de 84% ao mês. Esse Plano ficou popularmente conhecido como Plano Collor, que sucedeu os fracassados Plano Cruzado, de 1986; Bresser, de 1987, e Verão, de 1989. A vida foi dura para a maioria da população naquele tempo.

A FUGAP garantia 70% do pagamento da minha graduação do curso de Educação Física na Faculdade Castelo Branco, em Realengo no Rio de Janeiro.

Minha mãe, dona Marinete, costureira pagava com muita dificuldade a parte que nos cabia.

A vida era dura, mas minha mãe não esmoreceu, ela não apenas me consolou como também me garantiu que iria trabalhar ainda mais para que eu concluísse o curso.

E assim ela fez. Ela pegava muito serviço e trabalhava praticamente de domingo a domingo, incansavelmente.

Foi nesse período em que eu desisti definitivamente de me tornar jogador de futebol profissional e mergulhei de cabeça na minha vida como um pequeno comerciante (camelô na verdade) que já vendia laticínios, hambúrguer, doce de leite, entre outros produtos, além de atuar como garçom em uma pizzaria de sexta à domingo.

Como bem diz o antigo ditado popular: “Rapadura é doce, mas não é mole não”

Conclui o curso em dezembro de 1992 e naquele momento nós (eu e o meu irmão Paulo) já figurávamos como distribuidores de frios e laticínios, além de administrarmos um trailer chamado Sol de Verão, na recém construída Vila Valverde, próximo ao bairro da Palhada em Nova Iguaçu – RJ.

Abaixo de Deus, além da minha mãe eu encontrei algumas pessoas que foram fundamentais nesse período. Dentre elas o meu amigo Paulão, trocador de ônibus,  que me deixava passar por baixo da roleta e não pagar a passagem  quando eu não tinha o dinheiro (várias vezes) e Carlos Alberto Santos, jogador de futebol do Botafogo-RJ que, dentre as muitas ajudas, ele foi fiador do nosso primeiro carro de entrega: uma Kombi. Inesquecível!

O meu exemplo é um dos muitos que existem Brasil à fora. De pessoas que encaram de frente as dificuldades e as transformam em molas e não em muralhas.

Ter me encontrado com a dificuldade em tantos momentos da minha vida me condicionou a lutar e, de tanto cair, aprendi a levantar.

A preguiça é um grande aliado moleza e da ociosidade. Ela pode impedir que alguém avance e conquiste os seus objetivos na vida. É um grande adversário a ser batido. Veja o que diz a Bíblia sobre o assunto:

A preguiça faz cair em profundo sono, e o ocioso vem a padecer fome. (Provérbios 19-15)

Outro fator que julgo ser preponderante para tornar a vida mais difícil do que ela já é naturalmente é a perspectiva da facilidade. Esperar facilidade apenas aumenta a dificuldade.

Quem espera facilidade se prepara menos e desiste fácil. Lembre-se sempre de que a vida é dura pra quem é mole.

Ouvi não poucas vezes algumas pessoas dizerem que para mim as coisas são sempre mais fáceis. Auto lá! Você não sabe da missa um terço, como diz o ditado.

O comodismo é um outro fator que contribui para que amoleçamos na vida. Lembre-se de que o maior inimigo do excelente é o bom.

A Bíblia afirma que seremos mais do que vencedores e não apenas simplesmente vencedores.

Também aprendemos que não devemos nos conformar com esse mundo, mas transformarmo-nos pela renovação da nossa mente e assim experimentarmos da boa, perfeita e agradável vontade de Deus.

Ninguém é forte o tempo inteiro e não há problema algum nisso.

Existem momentos em que nos sentimos fracos, cansados, sobrecarregados e necessitados de ombro, de ouvido, de bacia e de toalha. Que o Senhor renove as suas forças e o faça andar em lugares altos.

Siga bem, em paz e feliz.

Lulinha Tavares é coach esportivo, formado em Educação Física, MBA-FGV/FIFA/CIES, especialista em Psicologia do Esporte, empresário, pastor e líder da Igreja Batista da Graça em Queimados (RJ)

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