Segundo Portas Abertas, os discípulos de Jesus precisam de apoio financeiro, além de suporte psicológico e espiritual. Mais de 500 mil pessoas já morreram
Por Patricia Scott
Nesta terça-feira (15), a guerra na Síria completa 11 anos. Os cristãos são pegos no fogo cruzado entre as tropas do governo e as forças rebeldes, segundo Portas Abertas. Vale salientar que a Síria aparece como 15º país na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2022, que classifica os 50 países que mais perseguem cristãos no mundo.
Portas abertas prevê que muitos cristãos sírios refugiados já voltaram para o país, reconquistando suas casas, seus trabalhos. A rotina segue normal, na medida do possível. No entanto, eles ainda precisam de apoio financeiro, como também suporte psicológico e espiritual. Segundo o Índice Fragile State Index de 2021, a Síria ocupa o terceiro lugar entre os cinco principais países que mostraram deterioração de longo prazo no período 2011-2021.
Na Síria, a Portas Abertas trabalha em parceria com a igreja local para o fortalecimento da liderança, além de ajudar a comunidade cristã a manter a esperança. A instituição também apoia os seguidores de Jesus perseguidos com distribuição de literatura cristã, discipulado e treinamento bíblico. Também viabiliza a criação de novos Centros de Esperança, que prestam serviços aos cristãos sírios, como também aos de países vizinhos.
O conflito
Mais de 500 mil mortes, divulga Portas Abertas, foram diretamente atribuídas ao conflito até o momento. Segundo informações do Banco Mundial, “agora em seu décimo primeiro ano, o conflito na Síria infligiu um grau quase inimaginável de devastação e perda ao povo sírio e sua economia”. Vale frisar que mais da metade da população do país pré-conflito, de quase 21 milhões, foi deslocada. Isso representa um dos maiores deslocamentos de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de o Estado Islâmico ter sido derrotado militarmente na Síria continua a influenciar o país e os ataques mortais não cessam, principalmente nas áreas centrais do deserto. No entanto, os combates também acontecem na província de Idlib, entre o Hayat Tahrir al Sham (HTS) e grupos jihadistas rivais. “Também há confrontos no Sudoeste e Nordeste, respectivamente entre forças do governo e ex-grupos rebeldes, bem como forças curdas e afiliadas ao governo”, divulga Portas Abertas. “Os combates permanecem, principalmente em áreas onde o território controlado pelo governo faz fronteira com os locais comandados por milícias rebeldes”.
A pobreza
De acordo com Portas Abertas, a falta de acesso aos cuidados de saúde, educação, habitação, e alimentos elevaram os efeitos do conflito. Como reflexo da guerra, milhões de pessoas estão desempregadas e enfrentam a pobreza. “A degradação do sistema de saúde faz com que os sírios continuem extremamente vulneráveis”.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informa que “milhões de sírios foram empurrados para a pobreza e a fome desde o início da pandemia no ano passado, e estima-se que apenas 60% da população pode comprar comida suficiente diariamente. Além disso, a destruição de serviços básicos significa que milhões de pessoas não têm acesso à água potável ou eletricidade. Metade de todas as unidades de saúde está fora de serviço ou funcionando apenas parcialmente e milhões de crianças estão fora da escola”.
Portas Abertas analisa que a pobreza generalizada deve-se ao desemprego, aos baixos salários e à desvalorização da libra síria. Como outros sírios, pontua a instituição, os cristãos sofrem com a alta taxa de desemprego, ficando altamente dependentes de ajuda humanitária. “Muitos cristãos que estão no país são pobres e correm o risco de desnutrição. Os cristãos são considerados por muitos como ricos e apoiadores do governo de Assad, o que aumenta a vulnerabilidade, porque como não muçulmanos já fazem parte de uma minoria frágil”.

