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segunda-feira, 21 junho 2021

A ressurreição de Lázaro (João 11)

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A promessa não é livrar-nos da aflição do mundo, mas do mal no mundo

Por Clovis Rosa Nery

No Capítulo 10, do evangelho de João, a partir do versículo 22, especificamente, encontramos Jesus na festa da Dedicação, em Jerusalém. Furiosos, os judeus procuraram apedrejá-Lo. Escapando-Se, Ele retirou-Se para além do Jordão (vs. 39 e 40), há uns 60 km, onde o Batista batizou no início, em Betânia da Peréia (João 1: 28), na atual Jordânia.

A família de Lázaro era composta de três pessoas: ele e suas irmãs Marta e Maria. Eles moravam no povoado Betânia da Judéia, “que distava de Jerusalém cerca de quinze estádios” (João 11:18), uns 3 km, aproximadamente. Tive o privilégio de conhecer as regiões das duas Betânias, cuja caminhada, segundo os registros Históricos, se fazia, à época, em dois dias.

Marta e Maria mandaram informar a Jesus que Lázaro estava doente. Ele ficou mais dois dias onde se achava (João 11:6). Lázaro morreu, mas não avisaram o Mestre. Isso é compreensível, devido à distância entre as duas localidades. Todavia, em Sua onisciência, Jesus sabia do falecimento (João 11:14).

Finalmente, Jesus chega à Judéia. Desoladas, Marta e depois Maria, com a fé ainda circunscrita, expressam: “Senhor, se tu estiveras aqui, meu irmão não teria morrido” (João 11:21 e 32). Diante do túmulo, Jesus manda tirar a pedra. Não era um pedido simples. Os cânones legais proibiam o acesso às sepulturas. Os rituais do “Kavod Ha-Met” (Honra ao falecido) não referendavam o procedimento de “invadir residências” dos defuntos, muito menos no quarto dia. Educadamente, Marta disse-Lhe: “Senhor, já cheira mal, porque está morto há quatro dias” (João 11:39).
A oração de Jesus (João 11:41) desperta a nossa atenção, e merecia um artigo exclusivo. Observem que Ele não faz uma petição. Ele rende Graças. Ato seguinte, Ele realiza o mais extraordinário e sobrenatural milagre de todos os tempos: a ressurreição de Lázaro.

Cega pela tradição, anteriormente a multidão pedira um sinal ao Mestre (Mateus 12:38 e Lucas 11:29). Agora (afirmam alguns estudiosos), com a morte e a ressurreição de Lázaro, “temos o prenúncio do sinal prometido”, a morte e a ressurreição de Cristo. “Assim como Jonas foi para os ninivitas, também o filho do homem o será para esta geração” (Lucas 11:30). Manifestou-se, em Lázaro, o propósito Divino de mostrar ao mundo que Jesus é Deus conosco.

Na sequência da história, constatamos situações opostas. Enquanto muitos creram em Jesus, a odiosa obsessão farisaica foi potencializada. Inusitadamente, não houve união; mas divisão. Uns optaram por amá-Lo e segui-Lo; outros, odiá-Lo e matá-Lo. E as autoridades do Sinédrio aceleraram a empreitada macabra. Clarificou-se que a Palavra é como uma espada de dois gumes. Ela salva quem crê; mas, condena quem não crê.

Contudo, o ocorrido mostra-nos que é equivocado pensar que seguir a Cristo garante-nos sempre um mar de rosas. Pelo contrário, alguns problemas aumentarão, porque somos soldados em guerra contra o mal (Efésios 6:12). Marta, Maria e Lázaro eram amigos de Jesus. Naqueles dias, experimentaram ansiedade e turbulência emocional, porque, com a participação deles, havia um Plano Celestial sendo executado (João 11:4).

A promessa não é livrar-nos da aflição do mundo, mas do mal no mundo. Crendo, vemos a Glória de Deus levando vida onde há morte, alegria onde há tristeza. Isso ocorreu com aquela família. Reconstituída, a confiança evoluiu-se, independendo de circunstâncias, e ascendendo nos estágios do princípio progressivo da fé.

Clovis Rosa Nery Psicólogo e escritor

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