O faturamento das igrejas do segmento evangélico ultrapassou o montante de um bilhão de reais por mês

Por Pr. Joarês Mendes de Freitas
A igreja evangélica brasileira, representada por milhares de congregações em todo o país, com as mais diversas confissões de fé, passa por um crescimento sem precedentes. Só em 2019 foram abertas, na média, 17 novas congregações por dia (UOL Notícias, 03/02/24). Ou seja, mais de 6 mil casas de culto sendo abertas naquele ano.
Um fenômeno cada vez mais observado ultimamente é o surgimento das mega igrejas; algumas, além de fazerem a gestão de centenas de congregações locais, estão se tornando verdadeiras corporações, administrando emissoras de rádio, de televisão, jornais, editoras, gráficas, escolas, restaurantes, venda de souvenirs, agências de viagens e outros negócios.
Claro que nem todos esses braços utilizam a mesma inscrição da igreja na Receita Federal. Mas, na maioria dos casos, embora com identidade fiscal diferente, esses diversos ramos de ação estão debaixo do guarda-chuva da igreja como instituição mantenedora. Logo, existe essa responsabilização.
Naturalmente que cabe aos gestores da igreja a prestação de contas aos órgãos competentes. Mas antes desses, está a obrigação de responder pela administração dos recursos financeiros diante dos membros, estes que contribuem com seus dízimos e ofertas para a realização das finalidades da instituição, de acordo com os seus estatutos. Essa responsabilidade é inquestionável.
Renove o coração, não o calendário - O que nos impulsiona é a certeza inabalável de que o Deus que nos conduziu até aqui continuará sendo refúgio em tudo o que ainda… O volume de recursos administrado pelas igrejas no Brasil tem chamado atenção pela sua expansão. Em 2023, o faturamento das igrejas do segmento evangélico ultrapassou o montante de um bilhão de reais por mês (Portal Guiame.com.br).
Embora as entidades religiosas sejam amparadas pela imunidade tributária, é necessário proceder os registros das operações financeiras de forma regular e em obediência às normas técnicas estabelecidas para esse tipo de segmento econômico. Além dos registros contábeis regulares, devem apresentar as obrigações acessórias e fiscais.
Administrar os recursos financeiros de modo responsável implica no mínimo em que:
1. Todos os valores recebidos, seja a que título for, tenham o devido registro;
2. Os recursos sejam utilizados de acordo com o orçamento previamente aprovado;
3. A prestação de contas, feita através de relatórios, do balanço financeiro e patrimonial, seja acessível aos membros;
4. O planejamento financeiro seja feito por uma comissão de finanças, a mesma que deve acompanhar a sua execução;
5. O conselho fiscal examine e avalie toda a movimentação financeira, emitindo parecer para sua aprovação;
6. Mesmo não sendo obrigatório, se contrate uma auditoria externa independente para emitir parecer sobre as contas;
7. Haja prudência ao receber contribuições cujos valores sejam atípicos, no sentido de saber a origem desses recursos.
Esse modo responsável de administrar os valores confiados à igreja e que pertencem a Deus é sempre necessário, mas se torna grave numa época em que desvios dessa natureza ganham grande repercussão, com o risco de comprometer o testemunho do evangelho de Cristo.
Pr. Joarês Mendes de Freitas é pastor emérito da Primeira Igreja Batista em Jardim Camburi

