Manter viva a memória do passado não é um traço forte na cultura da geração atual, embora em algumas partes do mundo ainda se valorize a herança dos antepassados. Visitando um amigo nos EUA, observei o entusiasmo com que mostrava itens do mobiliário que pertencera aos seus avós. A Bíblia fala sobre a importância de preservar a memória, não de objetos, mas, sobretudo, dos valores espirituais, dos bons costumes e das tradições saudáveis.
No Salmo 78 lemos: “Em parábolas abrirei a minha boca, proferirei enigmas do passado; o que ouvimos e aprendemos, o que os nossos pais nos contaram. Não os esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez” (v. 2-4). No final da sua vida, o rei Davi disse ao seu filho: “E você, meu filho Salomão, reconheça o Deus de seu pai, e sirva-o de todo o coração…” (I Crônicas 28.9).
Os autores do livro Igreja Essencial apontam as causas porque os jovens deixam as igrejas nos EUA. Eles anotam o seguinte na página 45: “Sejamos honestos: Deus converteu nossos filhos, mas falhamos em discipulá-los”.
Sammy Tippit fala sobre a herança espiritual que recebeu: “Após aprender sobre a vida de oração da minha avó, eu pude perceber o impacto que ela causou sobre minha vida, o neto que ela nunca conheceu. Percebi também que o seu exemplo de oração tornou-se uma herança que ela deixou para mim. A sua herança atravessou três gerações” (Orando por sua família, p. 111).
No capítulo 8 de Deuteronômio, na retrospectiva dos 40 anos pelo deserto, Moisés cita as intervenções de Deus. Quando chega ao verso 11, ele diz: “Tenham o cuidado de não se esquecer do Senhor, o seu Deus, deixando de obedecer aos seus mandamentos, às suas ordenanças e aos seus decretos que hoje lhes ordeno”.
Uma das páginas mais tristes, embora didáticas, na história do povo de Deus está em Juízes 2.10, que diz: “Depois que toda aquela geração foi reunida a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor e o que ele havia feito por Israel”. Com isso, a nação passou por um período de grande instabilidade.
Numa época de tanta informação disponível, em que a vida é uma correria e as coisas vão se tornando descartáveis, inclusive os relacionamentos, a preservação daquilo que nos foi legado é um desafio cada vez maior.
Onde tem ficado o tempo da devoção pessoal e das famílias para o cultivo espiritual?
Quando as famílias se reúnem para comer, contar histórias, ver as fotos antigas e brincar uns com os outros? Por que os filhos e netos não pedem mais a bênção aos pais e avós, e estes já não contam histórias para as crianças na hora de dormir?
A projeção em telas dos textos nos encontros da igreja vai tirando a capacidade das pessoas em manusear a Bíblia; as gerações futuras não terão história musical, se em cada reunião há novas canções que logo desaparecem; em alguns cultos, o tempo de oração é menor do que o dedicado aos avisos e os que oram são aqueles que ministram.




