No princípio, Deus criou todas as coisas para o louvor da sua glória. De todas as coisas que Ele criou, nenhuma supera ou se compara ao ser humano
Por Bento Adeodato Porto
A RELIGIÃO
A política, ao nosso ver, é caracterizada pela maldade humana (no sentido de ser uma atividade que busca organizar o mundo de forma contrária aos princípios e à vontade de Deus, por isso está escrito na Bíblia, em 1 João capítulo 5, versículo 19, que “todo o mundo está sob o poder do maligno”).
De fato, a política surge da necessidade que os seres humanos pecadores têm de “subjugarem, escravizarem ou explorarem uns aos outros” ao se relacionarem em comunidade ou sociedade. A política tem o objetivo de escolher líderes e pessoas de liderança, que vão “comandar” a sociedade.
A “religião”, por sua vez, não é diferente, pois trata-se de atividade que surge da necessidade que o ser humano, decaído da graça pela prática do pecado, tem de se “religar” ao seu Criador, afinal de contas, se as almas foram criadas por Deus para se relacionarem com Ele e o adorarem em espírito e em verdade, é claro que a alma humana desligada de Deus, pelo pecado sente muita falta dessa ligação que existia no Éden e, daí, usando de sua intuição e racionalidade, o ser humano cria rituais e regras de doutrina para se sentir “agradando a Deus”. Além disso, ele “imagina, em seu pensamento, “como é a divindade” e forma para si mesmo uma ‘imagem’ dessa divindade”, passando a cultuá-la sozinho ou espalhando essa imagem com o grupo sobre o qual tem influência – sendo muito comum na história da humanidade a existência de políticos (reis e governantes) que atraem para si próprios o título de divindade ou que se julgam supremos sacerdotes – responsáveis por intermediar a relação entre o seu povo e a divindade. Nisto consiste a religião criada por seres humanos – prática que Deus abomina, porque está diretamente ligada à “idolatria”, conforme está escrito na Bíblia, em Êxodo capítulo 20, versículos 1 a 5, e à falta de submissão a Deus e aos Seus preceitos.
Exemplo de religião de homens – atividade humana abominada por Deus – foi aquela praticada pela civilização egípcia com seus faraós e seus deuses.
O CAMINHO DE DEUS PARA RETORNAR A CRIATURA AO SEU CRIADOR
O ser humano pecou contra Deus, mas Deus não o abandonou. Ao contrário, ainda no Éden, depois que o ser humano pecou, Deus cobriu a nudez do homem e da mulher com peles, ou seja, sacrificou animal em favor do homem, no início da história, para, no seu apogeu, enviar à terra o seu próprio Filho, gerando-o no ventre de uma mulher virgem para, sendo este Filho, pelo poder do Espírito Santo, ao mesmo tempo saído do ser humano mulher e de Deus, ser sacrificado para pagar os pecados dos humanos e, assim, permitir a verdadeira “religação” ao Pai de todas as criaturas humanas que se submeterem à Majestade e ao Senhorio de Jesus, conforme está escrito no Livros bíblicos de Gênesis capítulo 3, versículos 15, 16 e 21 e na Carta aos Gálatas capítulo 4, versículos 4-5.
Depois do sacrifício e ressurreição de Jesus, a verdadeira religião – isto é, conjunto de práticas voltadas para religar o ser humano a Deus – não consiste em comportamentos baseados em regras criadas por homens, mas consiste nas regras determinadas por Deus, na Sua Palavra as quais são:
reconhecer-se pecador e receber Jesus como Senhor para perdão dos seus pecados, conforme escrito na Bíblia, na Carta aos Romanos capítulo 10, versículos 9-10 e Livro de Atos capítulo 3, versículo 19.
Sonhos, esperança e fé no ano novo - Vida eterna não é simples sonho, é certeza dada pela Bíblia. É promessa de Deus dada a todo aquele que crê em Jesus e tem…
Renove o coração, não o calendário - O que nos impulsiona é a certeza inabalável de que o Deus que nos conduziu até aqui continuará sendo refúgio em tudo o que ainda… Relacionar-se com o Espírito Santo que, passou a habitar em nós, os remidos pela cruz de Jesus, segundo a Carta aos Romanos capítulo 8 e versículos 9-11.
Obedecer aos mandamentos do Pai, resumidos por “praticar o amor” a Deus “sobre todas as coisas” e “praticar o amor” ao próximo como a si mesmo, como está registrado no evangelho escrito por Mateus, capítulo 22, versículos 34-40.
A confusão entre a política e a religião existe, porque ambas têm em si o acesso ao poder político, isto é, quem exerce a liderança na política ou na religião tem a capacidade e a possibilidade de influenciar o comportamento e, até, de moldar as vontades de milhares, milhões ou bilhões de pessoas.
O caminho do ser humano de volta para Deus não passa pela tomada do poder político por parte de líderes religiosos ou de cristãos. Isso seria reeditar o erro que ocorreu com os líderes da religião judaica, que viveram no tempo em que Jesus andou pela terra. Entre “servir à Deus” e “servir aos seus próprios interesses pessoais e políticos e vaidades”, a maioria dos membros do Sinédrio optaram por servirem a si próprios e não reconheceram o Filho de Deus, para a vinda do qual cabia a esses líderes religiosos preparar o povo de Deus. Ao contrário disso, os sacerdotes e principais líderes religiosos da época se deixaram levar por suas vaidades e sede de poder e, ainda, inveja – como reconheceu o Governador romano Pôncio Pilatos durante o julgamento de Jesus, conforme relatos que estão nos evangelhos escritos por Mateus capítulo 27, versículos 17-18, e João capítulo 11, versículos 45 a 53.
Assim como foi naquele tempo de Jesus na terra, hoje, também, muitos líderes religiosos estão preocupados e fazer política partidária, à frente das congregações que eles lideram, do que preparar o povo para a segunda vinda do Messias, nosso salvador. A noiva do Cordeiro precisa estar adornada de bom caráter, bons frutos e muitas almas salvas, para o encontro com o seu noivo, Jesus – que já está à porta, conforme Tiago, capítulo 1, versículos 22-27.
A política – assim como a medicina, o direito, o comércio, o magistério e outras atividades humanas – é espaço aberto para ser ocupado por qualquer pessoa que tenha se preparado para exercê-lo, inclusive é espaço aberto para os filhos e filhas de Deus. Estes, porém, não devem exercer a política com a lógica dos políticos – que possuem avidez por assumirem o poder e se perpetuarem nele. Os filhos e filhas de Deus devem exercer a política ou qualquer atividade humana, com o espírito de servo (escravo) das outras pessoas (não apenas dos irmãos da Igreja, mas de toda a sociedade, que ele, filho, ou ela, filha de Deus, representam, conforme Romanos capitulo 12, versículos 17 e 18 e Colossenses capítulo 3, versículo 23), porque Jesus, o Senhor dos senhores, Rei dos reis lavou os pés de seus discípulos e ensinou a estes que “não sejam como os governantes desse mundo que querem ‘comandar’, mas que sejam conforme o padrão de comportamento social e político estabelecido pelo próprio Jesus para os seus discípulos: ‘aquele que quiser ser o maior seja o menor dentre os demais’”, conforme está escrito na Bíblia em Marcos capítulo 10, versículos 43-45. Além disso, líderes da Igreja do Senhor na terra devem ter muito cuidado para não serem engolidos pelos políticos e enredados na satisfação dos interesses daqueles políticos e não para cumprir a vontade de Deus, cuja Palavra, é que o crente sirva em qualquer atividade que exerça, sendo como Jesus que, sendo Deus, “humilhou-se assumindo a forma de homem e sendo obediente até a morte e morte de cruz”, conforme escrito bíblico em Filipenses, capítulo 2, versículos 5-8.
Encerro aqui, com a experiência de um sonho que eu tive há uns 3 anos, aproximadamente em 2022. Eu sonhei que um jovem pastor amigo meu se encontrava com um prefeito que se declarava “evangélico” e exercia o seu mandato em numa grande cidade de um estado do Brasil. E o pastor e esse prefeito se cumprimentavam com um “aperto de mãos”. Porém, no sonho, ao terminar o “aperto de mãos”, o pastor ficava sem o braço daquela mão que cumprimentara o prefeito. O braço do pastor, simplesmente, ia embora junto com o prefeito. Na época, eu contei este sonho para o pastor, meu amigo, e ele discerniu que Deus o estava alertando para ter cuidado com relações sociais com os políticos. Na época esse pastor não estava liderando uma congregação. Estava cuidando de sua família.
Passados cerca de dois anos, desde que tive aquele sonho, o pastor, meu amigo, começou um trabalho junto a uma comunidade de periferia, onde instalou uma congregação. E ele tem-me relatado as enormes dificuldades financeiras pelas quais a igreja e ele, pessoalmente, têm passado. E ele foi procurado por políticos que queriam “ajudar” a igreja financeiramente. Diante de tanta necessidade financeira, esse pastor pensou em aceitar a “ajuda” financeira de políticos, mas, antes de fazê-lo, resolveu orar mais uma vez ao Senhor, nosso Deus e Pai, para saber se Ele autorizaria a busca dessa ajuda financeira. Foi aí que, em oração, Deus respondeu a esse pastor com a Sua Palavra, que está escrita em Ezequiel 23 – em que Deus condena Samaria e Jerusalém por terem se misturado ao Egito (terra da religião) e à Assíria (terra da política), assumindo as práticas pecaminosas destas duas nações.
O que será que o Espírito quis revelar ao meu amigo pastor e quer revelar à Sua Igreja como um todo?
Tire cada irmão e cada irmã as suas próprias conclusões.
Bento Adeodato Porto é Procurador Federal da AGU Aposentado


