back to top
24.9 C
Vitória
sábado, 3 DE janeiro DE 2026

A pedagogia do Natal

 

A pedagogia do Natal

 

Precisamos devolver a Jesus o sentido do Natal. As luzes, os cânticos, as iguarias, os presentes e toda a nossa agitação são vazios de significado se Jesus não for o centro da nossa vida

Por Hernandes Dias Lopes

O Natal é pedagógico. Nossos olhos precisam estar abertos e nossos ouvidos atentos ao que Deus quer nos ensinar através do nascimento, vida e morte de Jesus. Destacamos alguns pontos para nossa reflexão:

O nascimento de Jesus nos ensina uma lição de humildade

- Continua após a publicidade -

Jesus nos ensina através do seu nascimento. Ele é o Rei que nasceu servo, o Deus que se fez homem, o transcendente que se esvaziou de sua glória. O dono do mundo não nasceu num berço de ouro, mas num coxo de palha.

O criador dos céus e da terra, o Deus encarnado, diferente dos nobres deste mundo, não nasceu debaixo das luzes da ribalta, dos flashes da popularidade; ao contrário, não havia lugar para ele em Belém. Ao nascer foi perseguido pelo rei Herodes. Precisou cruzar o inóspito e causticante deserto do Sinai e atravessar o deserto do Saara, e fugir para o Egito, para escapar da perseguição de um rei louco.

Jesus cresceu como um carpinteiro na pobre vila de Nazaré. Começou o seu ministério como um rabino itinerante, que não tinha onde reclinar a cabeça. Sendo rico, se fez pobre. Sendo servido pelos anjos no céu, cingiu-se com um avental e lavou os pés dos discípulos que, infantilmente, disputavam entre si um lugar de honra na feira das vaidades humanas.

A vida de Jesus nos ensina uma lição de amor altruísta

- Continua após a publicidade -

Jesus nos ensina não apenas através do seu nascimento, mas também, através da sua vida. Ele veio não para ser servido, mas para servir. Ele se manifestou para levantar o caído, animar o fraco, salvar o perdido, curar o enfermo e restaurar o quebrado.

Ele andou por toda parte fazendo o bem e libertando os oprimidos do diabo. A pregação, o ensino e a cura estavam sempre no topo de sua agenda. Sua doçura atraía as crianças. Sua compaixão enternecia os publicanos. Seu amor inefável abria a porta da esperança para os enjeitados da sociedade. Todos aqueles que se achegavam a ele com o coração quebrantado recebiam o perdão.

Todos os aflitos que buscavam nele alívio saíam consolados. Jesus veio ao mundo para revelar-nos o coração amoroso do Pai. Ele é o caminho que nos leva de volta ao Pai. Ele é a porta que nos dá acesso ao trono da graça. Por meio dele podemos entrar na Sala do Trono e ter comunhão com o Deus de amor.

A morte de Jesus nos ensina uma lição de sacrifício abnegado

- Continua após a publicidade -

Jesus nos ensina através da sua morte. Ele veio ao mundo para dar sua vida em favor dos seus escolhidos. Ele morreu pela sua igreja. Ele deu a vida pelas suas ovelhas. Sendo Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes se esvaziou e se humilhou até à morte, e morte de cruz. Jesus ofereceu sua vida. Sua morte foi voluntária.

Ninguém podia tirá-la dele, ao contrário, espontaneamente ele a deu. Ele caminhou para a cruz como um rei caminha para a coroação. Na cruz ele nos comprou para Deus. Na cruz ele pagou a nossa dívida. Sua morte foi substitutiva. Ele morreu a nossa morte. Ele sofreu o nosso castigo. Ele se fez pecado e maldição por nós, para que fôssemos santos e benditos para sempre.

O patíbulo da sua dor e de sua horrenda morte tornou-se a fonte de onde jorrou para nós copiosa redenção. Num sentido, a morte de Cristo é única e não podemos imitá-lo. Só ele pode morrer vicariamente. Noutro sentido, porém, aprendemos com Jesus em sua morte, que devemos também dar a nossa vida pelos irmãos (1 Jo 3:16).

LEIA MAIS
Trabalho no comércio de fim de ano e o papel da igreja Trabalho no comércio de fim de ano e o papel da igreja - Mais do que atender ao consumo, é tempo de defender a vida, a dignidade do trabalho e o cuidado humano, à luz da lei e…
​O mal-estar da civilização e o filtro do espírito: por um minimalismo da alma ​O mal-estar da civilização e o filtro do espírito: por um minimalismo da alma - ​O minimalismo não é apenas um estilo de decoração, mas uma postura espiritual de ascese, que é o treinamentoda alma para alcançar a liberdade interior…

Jesus nos ensina no tempo e na eternidade. Ele é o nosso modelo agora e sempre. Ele nos disse: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11:29). No Natal que se aproxima, precisamos pensar menos na festa e mais na pessoa de Jesus.

Precisamos devolver a Jesus o sentido do Natal. As luzes, os cânticos, as iguarias, os presentes e toda a nossa agitação são vazios de significado se Jesus não for o centro da nossa vida, da nossa família, da nossa igreja. Que neste Natal possamos honrar aquele que desceu do céu para nos levar ao céu, aprendendo com seu nascimento, vida e morte.

Hernandes Dias Lopes é Reverendo, Teólogo e Escritor

*Artigo publicado originalmente na revista Comunhão 325 , de Dezembro de 2025. Leia a edição completa aqui.

Receba notícias exclusivas no seu WhatsApp

Contéudos especiais no seu email. Receba hoje!

Mais Artigos

- Publicidade -

Comunhão Digital

Continua após a publicidade

Fique por dentro

RÁDIO COMUNHÃO

Entrevistas