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segunda-feira, 18 janeiro 2021

A música está inútil no culto

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Boa parte dos atuais “louvores”, como se diz, insiste na temática “autoajuda misturada com adoração”.

A música, não há dúvidas, é o meio de comunicação mais eficaz em nossa nação. Por meio dela, o brasileiro chora, ri, festeja, aprende, ensina, enfim, dá o seu recado. No ambiente da igreja não é diferente. Nas últimas décadas, a música passou, literalmente, a ocupar mais de 50% do tempo destinado ao culto, o que a promoveu a principal meio de ensino e adoração. E é justamente aí que mora o perigo, pois a música tem sido falha em cumprir esses dois papéis.

A música evangélica não ensina mais, como faziam os antigos hinos, cujas letras são consistentes e recheadas de ensinamentos teológicos. Boa parte dos atuais “louvores”, como se diz, insiste na temática “autoajuda misturada com adoração”. As melodias são quase sempre repetitivas e muitos compositores encerram suas composições no oitavo verso (quando muito), desprezando teologia, rima, prosódia e até mesmo a língua portuguesa. E dá-lhe repetição que dura uma eternidade. Imagine ouvir músicas repetitivas como essas no carro, em meio a um trânsito caótico. Sofrimento garantido!

A música intitulada cristã, dos dias de hoje, também pouco tem servido para adoração, pois os ministros não ministram mais; eles apenas cantam sucessos do momento, misturando assuntos, ignorando a Deus, o público, o que pensam os irmãos e a visão da igreja onde congregam. No passado, quando esse estilo de “louvor congregacional” nasceu, o povo cantava e adorava de fato, milagres aconteciam no meio da congregação, a pregação e a música se completavam, e o Espírito Santo trabalhava com liberdade. Hoje, o culto virou uma “missa” gospel, com liturgia escrita e seguida à risca. Esse era o nosso principal temor, lembra?

Nos músicos e cantores do passado, havia ‘temor a Deus’ e medo de se tornarem como Nadabe e Abiú, que trouxeram fogo estranho ao altar de Deus e acabaram fulminados.”

Beleza e sensibilidade passam longe da música cristã atual. Na maioria dos cultos, o som é altíssimo e os instrumentos desconhecem a palavra “suavidade”. Fico admirado com tamanha paciência dos irmãos, pois eles são obrigados a receber toneladas de decibéis sem ter a quem reclamar. Existem exceções? Claro, mas só garimpando muito é possível encontrar igrejas que ainda sabem praticar o genuíno louvor congregacional.

Você se pergunta: “O que fazer, então?” A primeira ação é parar tudo e começar de novo. Remendar é pior. Os músicos da igreja, juntamente com seus pastores e líderes, precisam urgentemente debater o tema “música na igreja” e aprender a história do louvor congregacional, que nasceu de músicos que conheciam profundamente a Deus e a sua Palavra. Os antigos líderes da adoração eram pessoas de oração, cheias do Espírito Santo, com vidas santificadas, e que se preocupavam em conectar as pessoas a Deus. Os ministros do passado não “imitavam” os artistas de sucesso, eles possuíam um brilho próprio dado por Deus. Aliás, essa é a razão de muitos deles ainda estarem atuantes até hoje. Os milagres não aconteciam por acaso; eram fruto de vida no altar. Nos músicos e cantores do passado, havia “temor a Deus” e medo de se tornarem como Nadabe e Abiú, que trouxeram fogo estranho ao altar de Deus e acabaram fulminados (Levítico 10.1-2).

Quando o povo de Deus voltou do cativeiro babilônico e lançou alicerces de um novo templo que não seria nem a sombra do antigo templo em termos de beleza e suntuosidade, os jovens acharam o “máximo”, todavia, os idosos, que conheceram o antigo templo, choraram de tristeza, pois o novo templo, por certo, seria muito inferior ao antigo (Esdras 3.10-13). Esse é exatamente o sentimento que tenho em relação à música congregacional executada na igreja hoje. Apesar de toda a liberdade que se tem para dançar e usar todos os instrumentos e estilos musicais, os artistas têm produzido uma música medíocre (mediana), que não serve para adorar, não ensina, e que ainda vem embalada em ministrações cansativas e distantes da glória do antigo templo. É hora de renovação! Urgente!


ATILANO MURADAS

Pastor, jornalista, teólogo, escritor, cantor, compositor e palestrante. Possui 10 CDs gravados e é autor dos livros “Decolando nas asas do louvor” e “A música dentro e fora da Igreja”, ambos lançados pela Editora Vida. ([email protected])


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