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A importância do acolhimento da igreja aos que têm Aids

• Atualizado em 04/12/2025
4 min de leitura

Na última segunda-feira (1°) foi celebrado o Dia Mundial de Combate à Aids, doença que afeta 40,8 milhões de pessoas em todo o mundo (Unaids), sendo 1,1 milhão apenas no país, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Apesar de oferecer um dos mais amplos programas de prevenção e tratamento contra o HIV do mundo, o índice de contaminação no país segue alto, bem com o preconceito em relação aos portadores do vírus. Mas afinal, como a igreja pode ajudar nessa campanha?

Primeiro é importante entender como o amor cristão pode ajudar em um momento tão delicado na vida de um soropositivo. De acordo com a Unaids, 52,9% das pessoas com HIV no Brasil já sofreram discriminação e 34,8% foram discriminadas dentro da própria família. Além disso, 41% dela sofrem ansiedade e 29% têm depressão devido ao estigma.

Para o coordenador Adjunto do Curso de Medicina do UNASP Hortolândia, o Dr. Gustavo Boelhouwer Letsch, é muito importante nessas horas o cristão buscar informações sobre o assunto, de modo a oferecer acolhimento, apoio, oração, sem discriminação.

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“A igreja é chamada a acolher todas as pessoas com dignidade e respeito. A Bíblia nos ensina que cada ser humano é criado à imagem de Deus e merece cuidado, compaixão e esperança. Jesus sempre se aproximou dos que sofriam, oferecendo cura, apoio e presença, nunca rejeição. Assim, quem vive com HIV deve ser recebido com amor, sem estigma, e acompanhado pastoralmente e emocionalmente, reconhecendo seu valor e sua dignidade diante de Deus”, orienta.

Na opinião do médico, é fundamental que a igreja faça a sua parte e contribuir promovendo educação para escolhas responsáveis, cuidado com a vida e valorização do corpo como dom de Deus.

“Também pode combater a discriminação ensinando o mandamento do amor ao próximo, reforçando que respeito e acolhimento são expressões da fé cristã. Ao unir prevenção, informação segura e uma postura de compaixão, a comunidade cristã ajuda a proteger vidas e construir um ambiente de esperança e inclusão”, ressalta Letsch.

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Dados sobre o HIV/Aids (2024/2025)

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No Mundo:
• 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV no mundo.
• 1,3 milhão de novas infecções em 2024.
• 630 mil mortes relacionadas à AIDS em 2024.
• 31,6 milhões em tratamento antirretroviral (cobertura de ~77%).
• 73% têm supressão viral (vírus controlado).
• 5,3 milhões de pessoas não sabem que vivem com HIV.
• Mulheres representam 53% das pessoas vivendo com HIV.

No Brasil:
• 1.165.599 casos registrados desde 1980.
• 46.495 novos casos em 2023 (alta de 4,5% vs. 2022).
• 70,7% dos novos casos são em homens.
• Faixa etária mais atingida: 20 a 29 anos.
• 63,2% dos casos em pessoas pretas ou pardas.
• 53,6% dos casos entre homens que fazem sexo com homens (HSH).
• 96% das pessoas vivendo com HIV estão diagnosticadas.
• 82% em tratamento; 95% dos tratados têm carga viral controlada.
• 109 mil usuários de PrEP em 2024 (prevenção).

Como combater o preconceito contra pessoas vivendo com HIV

1. Lembrar que todas as pessoas são criadas à imagem de Deus
“Façamos o homem à nossa imagem” (Gn 1:26).
Cada pessoa tem dignidade divina — inclusive quem vive com HIV.

Não existe “pecado” associado ao vírus: existe ser humano que merece cuidado.

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2. Separar “doença” de “julgamento moral”
O HIV pode atingir:
• casados
• jovens
• idosos
• mulheres heterossexuais
• crianças
• pessoas infectadas por transfusão

Reduzir a doença a “consequência de pecado” é teologicamente errado e eticamente injusto.

3. Imitar a postura de Jesus com pessoas marginalizadas
Jesus se aproximava, tocava, conversava e curava sem medo.
Ele acolheu quem a sociedade rejeitava: leprosos, mulheres, estrangeiros, enfermos.

Se Jesus não discriminou, seus discípulos também não devem.

4. Promover informação — o maior antídoto contra o preconceito
Ensinar na igreja que:
• HIV não se transmite por abraço, aperto de mão, beijo social, talheres ou convívio.
• Quem faz tratamento e tem carga viral indetectável NÃO transmite o vírus (U=U).
• Pessoas vivendo com HIV podem ter vida longa, casamento, filhos e ministério.

5. Evitar termos que machucam
Trocar:
• “aidético” → pessoa vivendo com HIV
• “vítima” → pessoa
• “culpa” → cuidado, empatia e informação

No ambiente cristão, linguagem tem poder — e pode curar ou ferir.

6. Criar ambientes seguros dentro da igreja
Sugestões:
• Promover conversas compassivas, não inquisitivas.
• Garantir sigilo para membros que compartilham a condição.
• Treinar liderança para lidar com temas sensíveis sem exposição.
• Reforçar que a igreja é lugar de cura, não de condenação.

7. Enfatizar a teologia da graça
A graça ensina que:
• Ninguém é definido por uma doença.
• Todos são bem-vindos à mesa de Cristo.
• O amor de Deus não depende de condição de saúde.

Essa mensagem quebra cadeias de estigma.

8. Promover o discipulado baseado no amor prático
• Ajudar essas pessoas a manter tratamento.
• Visitar, apoiar, incluir em ministérios.
• Tratar com a mesma atenção dada a qualquer outro problema de saúde.

9. Encorajar líderes a falar abertamente contra o preconceito
Quando pastores e líderes falam:
• a igreja aprende
• o preconceito diminui
• o acolhimento aumenta
• o evangelho se torna mais fiel ao caráter de Cristo

10. Relembrar que o maior mandamento é o amor
“Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros.” (Jo 13:35)

O preconceito nunca testemunha o evangelho — mas o amor sempre testemunha.

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