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segunda-feira, 4 julho 2022

A Igreja só tem uma missão – evangelização e missões?…

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Por muito tempo temos aprendido que a Grande Comissão (Mateus 28.19,20), isto é, o grande mandado de Deus para a Igreja e para o crente, é o IDE. Os crentes são instados a ir fazer missões. Se não podem, então devem pagar a conta dando oferta missionária. Analisando o texto em sua forma original, no grego, poderemos aprender mais.

  • O IDE não é um verbo imperativo; portanto a ordem de Jesus não está aqui. Em português não há uma forma correspondente. O mais próximo poderia ser AO IR. Jesus estava falando com os discípulos e encerrando a conversa mais ou menos assim: “Queridos, nós vamos encerrar esta conversa e vocês irão partir e AO IREM embora…” Portanto, Jesus não estava dando para eles a ordem de irem, apenas avisando que ao final daquele encontro eles iriam sair dali e caminhariam para seus lares.
  • O imperativo está em FAZER DISCÍPULOS, isto é, fazer seguidores. Então a conversa seria mais ou menos assim: “Quando terminarmos aqui nosso encontro, vocês vão partir e, ao irem, DEVEM FAZER DISCÍPULOS”.

Aqui está a Grande Comissão.

  • Fazer discípulos é fazer pessoas cópias de nosso modo de ser. O próprio Jesus nos deixou o exemplo (João 13:15). Paulo falou: “Sejam meus imitadores como eu sou de Cristo (1 Coríntios 11:1). Fazer discípulos é como uma TRANSFUSÃO DE VIDA, é ter minha vida como modelo para que outros possam seguir. Como eu tomo minhas decisões, reajo em situações de emergência?

Como é meu temperamento? Como sigo as virtudes cristãs? O Espírito Santo tem oportunidade de produzir seu fruto por meio de minhas decisões e atos? Os outros podem copiar tudo isso de mim em suas vidas?

Infelizmente, com o correr do tempo, esquecemo-nos do Evangelho integral e passamos a focalizar apenas um aspecto da missão da Igreja. Reduzimos a missão da Igreja, reduzimos a visão de mundo do crente e sua influência no mundo. Veja os seguintes itens:

  • A missão da Igreja passou a ser centralizada na salvação;
  • Enfatizamos o aspecto jurídico do Evangelho destacando apenas morte substitutiva de Jesus e esquecendo-se de que a Sua obra se completa com a ressurreição (1 Coríntios 15.45ss);
  • Damos destaque escatológico, levando a pessoa a se preparar para após a morte e não também para a vida aqui hoje e agora, a ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 6).
  • Ainda que necessária, a salvação se tornou um fim em si mesma, em vez de ser um conserto, um meio, para que voltemos ao estado original de onde caímos no Éden, para podermos viver, desde aqui e agora, para a Glória de Deus, sendo novas criaturas (2 Coríntios 5:17).

Não podemos mais continuar com esse Evangelho pobre e parcial. Paulo nos ensinou que devemos considerar o Evangelho como um todo (Atos 20:27). Portanto, a missão da Igreja é mais do que evangelizar e fazer missões. Fazer discípulos se constitui a estratégia de ação da Igreja e requer vidas modificadas, transformadas. Ao longo do tempo, infelizmente as igrejas foram se institucionalizando, criando programas, eventos e atividades, também necessários, mas foram substituindo o discipulado e deixando de lado a qualidade de vida dos crentes, sua maturidade cristã e emocional; assim não precisariam ser modelos de vidas para outras vidas. Precisamos rever esse ativismo que tem afastado a Igreja de formar vidas transformadas e transformadoras.

Sua missão é mais do que evangelizar.

Lourenço Stelio é teólogo, eticista e educador. Diretor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Mestre em Teologia e em Educação e doutor em Ciências da Religião

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