As boas novas e os pobres: eles estão saindo da igreja?

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Nas últimas décadas, o afastamento da frequência à igreja correspondeu a um maior isolamento social geral para os americanos na faixa de renda mais baixa

O fosso entre a classe média e aqueles que ganham os maiores rendimentos nos Estados Unidos cresceu ao longo do tempo. No entanto, há uma faceta preocupante para os cristãos: muitos americanos mais pobres estão abandonando a igreja.

Ao se afastar das comunidades da igreja, as pessoas financeiramente carentes acabam perdendo ainda mais. Bem como tornando sua situação econômica ainda pior.

De acordo com a Pesquisa Social Geral (GSS) – sigla em inglês – dentro de quatro faixas de renda diferentes, os que nunca compareciam a serviços religiosos, apresentou grande alteração nos últimos 46 anos. Em 1970 a diferença de freqüência à igreja entre os quatro grupos de renda era apenas de 5%.

Essa diferença aumentou significativamente nas últimas quatro décadas e um aumento notável nos últimos anos. Em 2018, um quarto dos americanos mais ricos relatou nunca ter participado dos cultos.

O crescente fosso social entre ricos e pobres se estende além da frequência à igreja, pois os americanos na faixa de renda mais baixa relatam cada vez mais estar isolados de suas próprias comunidades em geral.

Com base em quatro perguntas da (GSS) sobre socialização com amigos, familiares e vizinhos no último ano – agrupadas como medida de atividade social -, não houve diferenças significativas entre os vários níveis de renda até meados da década de 90. Mas desde esse ponto, até a atividade social se dividiu entre os que têm e os que não têm.

Os que estão no topo da escada de renda se tornaram ainda mais sociais desde 2000, enquanto os que estão na base estão se tornando mais isolados. A diferença entre o topo e o fundo era essencialmente zero em 1996, atingiu 1,5 pontos.

Segundo a pesquisa, pessoas que têm vidas sociais menos ativas têm maior probabilidade de nunca comparecer a um culto, embora as taxas de mudança sejam dignas de nota.

Cerca de 40% das pessoas que estão abaixo da renda, se envolvem em poucas atividades sociais e nunca frequentam a igreja. O dobro da taxa de alguém na faixa superior de renda que tem uma vida social ativa.

De uma perspectiva evangélica, essas tendências sugerem que pode estar ficando mais difícil para os fiéis fazer amizade com os da classe socioeconômica mais baixa. Apesar da mensagem de Jesus de “proclamar boas novas aos pobres”, os pobres se vêem cada vez mais separados dos cristãos.

No entanto, as igrejas ampliam as redes sociais, ensinam habilidades e incentivam o envolvimento da comunidade, que pode ser altamente valioso no mundo do trabalho.

Se as pessoas não frequentam a igreja, perdem oportunidades de interação com outros “irmãos” o que pode prejudicar famílias de baixa renda que podem se beneficiar dessas conexões. As tendências do GSS em torno do déficit de renda e do comparecimento à igreja indicam que os laços invisíveis que mantêm nossas comunidades unidas – nosso “capital social” – estão se desgastando.

Nas últimas décadas, o afastamento da frequência à igreja correspondeu a um maior isolamento social geral para os americanos na faixa de renda mais baixa. Assim, não substituíram a comunhão da igreja por outras redes que cumprem a mesma função.

É impossível saber se os americanos pobres deixaram a igreja porque não se sentiram bem-vindos ou se deixaram porque não têm tempo ou energia para comparecer. A desigualdade de renda que está devastando a economia americana também está afetando as igrejas.

As comunidades que costumavam ser uma maneira de superar essa divisão, mas mesmo lá a diferença entre os que têm e os que não têm está crescendo.

*Da redação, com informações de Christianity Today 


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