Jesus poderia ter investido a maior parte do seu tempo liderando multidões. No entanto, ele escolheu priorizar um pequeno grupo de discípulos e, a estes, dedicou-se inteiramente
Por Pr. Joarês Mendes de Freitas
A ideia é muito antiga e remonta à época do êxodo, período em que Israel seguia pelo deserto na direção de Canaã. Jetro, o sogro de Moisés, um homem sábio que, vendo a sobrecarga do genro na liderança do povo, disse: “O que você faz não é certo, é muito trabalho pra você sozinho, se continuar assim vai morrer logo”. Então, o sacerdote midianita sugeriu que a multidão fosse dividida em pequenos grupos e líderes fossem escolhidos entre o povo.
Moisés, sendo uma pessoa humilde aceitou a ideia, implantou uma estrutura com grupos de 10, 50, 100 e 1000 e delegou liderança para cada um desses níveis. Assim, as questões menores eram resolvidas na origem, dentro do seu contexto e sem demora. As situações entre o povo eram filtradas e apenas as mais complexas chegavam a Moisés. Simples assim!
Jesus poderia ter investido a maior parte do seu tempo liderando multidões. No entanto, ele escolheu priorizar um pequeno grupo de discípulos e, a estes, dedicou-se inteiramente. Mais do que estabelecer uma comunidade onde havia convivência, transparência e vida de corpo, o Senhor estava criando um paradigma para a igreja que logo seria estabelecida.
A igreja de Atos utilizava o templo judaico enquanto isso foi possível, mas sua principal estratégia era os grupos nas casas. Atos 2.42-47 nos dá um retrato de como viviam os primeiros cristãos. Em meio à perseguição, que começou com a morte de Estêvão (Atos 7), as reuniões caseiras se mostraram muito eficazes em manter os crentes unidos e propagar o evangelho por meio dos relacionamentos.
Ralph Neighbour Jr, criador do sistema de células mais conhecido no mundo, após vários anos servindo em igrejas e ministérios nos EUA, escreveu o seguinte: “Quanto mais trabalhava com igrejas grandes e pequenas, mais crescia minha frustração. O cristianismo moderno estava confinando o povo de Deus em estruturas físicas, e a igreja já não tocava as pessoas nas comunidades à sua volta… Pensei: tem de haver um jeito de ajudar essas igrejas a renovar o seu estilo de vida e se tornar mais bíblicas em sua estrutura” (Unidades básicas do corpo de Cristo, introdução).
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No ano 2000, eu liderava uma ótima igreja que, em poucos anos, havia dobrado a sua membresia. Com 600 pessoas e 3 cultos aos domingos, percebemos que a porta dos fundos era muito ampla, a gente recebia, mas também perdia muita gente. Iniciamos a transição para as células, o que levou 7 anos. Em 2016, quando deixei a liderança da igreja, éramos 2000 pessoas, 117 pequenos grupos e a nossa equipe de pastores, supervisores e líderes chegava a 200.
Joarês Mendes de Freitas é pastor emérito da Primeira Igreja Batista em Jardim Camburi, Vitória, ES


