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quinta-feira, 11 agosto 2022

A disruptura tecnológica e a volta de Jesus

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A disruptura tecnológica e a volta de Jesus

Por Enoque Junior

Nasci e fui criado em um tradicional lar evangélico, e ao longo dos meus 50 anos presenciei inúmeras inovações no que diz respeito à tecnologia aplicada ao ramo religioso.

Lamentavelmente, em paralelo às inovações, observei também o desprezo e o preconceito erguidos diante de tais mudanças.

Os aperfeiçoamentos tecnológicos eram encarados por alguns líderes religiosos como se fossem “marca da besta”, “o anticristo”, “obra do inimigo”…

Vi também a demonização de instrumentos musicais, dos filmes, das músicas, da televisão, do rádio e da internet.

Felizmente, hoje, podemos observar que as mudanças na forma de ver e usar os meios modernos de comunicação têm nos trazido grandes bençãos.

Com a tecnologia tão integrada à nossa vida e às igrejas, a turma mais nova talvez não tenha muita noção sobre como foi chegar até aqui.  Um exemplo: era comum que, ao invés de empenharmos esforços produzindo música boa de cunho espiritual, muitos de nossos líderes preferissem despender tempo narrando os malefícios das músicas mundanas. Pregava-se até mesmo contra a aquisição de TVs em lares cristãos.

Certa ocasião, participei de uma semana de oração numa igreja no interior da Bahia. O orador convenceu a todos a chegar em casa e se livrar dos aparelhos.

Que fique claro: meu objetivo aqui não é recomendar ou julgar  programações, mas sim desenvolver uma reflexão cujo ponto central é: o problema nunca esteve e não está em nenhum equipamento. Está no conteúdo.

Hoje quero falar sobre mais uma inovação da tecnologia: o 5G, e de que forma “ele” pode auxiliar no impacto da pregação do evangelho.

Porém, fica mais uma vez minha preocupação: será que vamos perder tempo novamente, demonizando esses meios?… ou vamos protagonizar a divulgação do evangelho através das facilidades que tal recurso nos oferece?

Vamos pensar juntos:

A condição dada por Jesus para seu retorno é: “E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo habitado, como testemunho a todas as nações, e então chegará o fim”. Mateus 24:14

De modo que, o fim não se dará sem que todos conheçam Cristo e seu ministério de salvação.

“Eu digo a vocês”, respondeu ele; “se eles se calarem, as pedras clamarão.” Lucas 19:40

Quando criança, eu enxergava o mundo do tamanho que meus sentidos alcançavam: o meu quarto, o colo dos meus pais, avós e amigos.

Cresci e passei a explorar meu povoado, o município, meu Estado. A cama gigante em que eu pulava quando criança, ficou pequena.

Ao conhecer uma capital já não falamos em milhares de pessoas e/ou famílias, passamos ao campo dos milhões. Somos uma nação de mais de 213 milhões de habitantes.

Fui pastor de Igreja e, durante o meu ministério, enxergava o mundo a partir de uma ótica limitante, já que havia muito mais gente a ser alcançada que os meus 300 membros regulares.

Certa vez, me deparei com a seguinte questão: ora, o mundo possui mais de sete bilhões de pessoas. Ao relembrar as palavras de Jesus em Mateus 24:14, a conta não fecha, a não ser que barreiras como Língua, distâncias e costumes sejam definitivamente superadas.

Enfim, quero falar um pouco sobre o 5G:

Hoje convivemos com a tecnologia 4G, que basicamente é a que utilizamos para o nosso entretenimento. Ela é boa, mas se limita ao espaço e ao tempo, enquanto o 5G, é 100x (cem vezes) mais rápida em capacidade de transmissão de dados, e é por isso que a chamamos de “internet das coisas”.

Imagine um carro conectado ao fabricante. Antes que ocorra algum tipo de falha mecânica, elétrica ou qualquer que seja, o proprietário recebe um aviso sobre a necessidade de sanar aquele determinado problema que está na iminência de acontecer. Imagine ainda, a sua geladeira que interliga os dados dos alimentos que estão ali armazenados ao nutricionista e ao supermercado, de modo a otimizar as compras e o consumo.

Enfim, são infinitas as possibilidades com a utilização do 5G. Mais um exemplo são as cirurgias robóticas feitas à distância por meio da telemedicina.

Assim, não há como enxergar de modo negativo o uso das tecnologias, pois trata-se de um campo gigantesco de possibilidades, mas, onde quero chegar é que este avanço é um facilitador para a pregação do evangelho.

Em 2014, foi lançada a tecnologia HTML5, que possibilitou o desenvolvimento de muitas funcionalidades na internet. Uma delas é a tradução simultânea, ou seja: em instantes consigo transcrever a minha fala ao computador e mais, ao apontar minha câmera do celular para um determinado texto, e ele realiza a tradução para qualquer que seja a língua nativa.

O que isso pode significar para a pregação do evangelho?

Vamos além. Imagine que Jesus precisasse voltar e, para isso, eu e você necessitássemos pregar para a população da China e da Índia (vamos resumir a esses dois países, pois são eles que possuem uma população acima de um bilhão de pessoas). Vamos imaginar ainda, que eles tenham apenas 10 idiomas cada, além de dialetos regionais, e das variações que vão surgindo naturalmente. Então. Qual seria o ponto de partida?!

Se utilizássemos para a pregação do evangelho – apenas para essas duas nações – o que temos praticado tradicionalmente até hoje, podemos enxergar que teríamos inúmeras dificuldades para presenciar a volta de Jesus.

Quem já foi a algum país da ÁSIA  sabe como é difícil entender e se comunicar com a população local, que possui religiões milenares, costumes e hábitos culturais que tornam praticamente impossível uma abertura aos novos conceitos.  Até a recepção a nós brasileiros acontece com cautela e distanciamento.

A pergunta é: quanto tempo precisaríamos para poder ganhar a confiança deles e, só então poder adentrar em seus lares com uma mensagem espiritual?

Observando apenas o nosso Brasil e suas peculiaridades, em quanto tempo conseguimos conquistar a confiança de uma família que fala nossa própria língua?!

Acredito que boa parte dos leitores já tenham percebido onde quero chegar, mas, em resumo, esta é a questão: nós, cristãos, precisamos do Espirito Santo para transportarmos e distribuirmos Bíblias impressas, ou precisamos do Espírito Santo para aprender a utilizar o mecanismos que a internet nos fornece, para que apenas com um clique e por meio de um aplicativo possamos encaminhar uma Bíblia que estará acessível em qualquer idioma?

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (Atos 1.8).

Utilizando das ferramentas acima descritas, a preocupação seria tão somente a velocidade com que levaríamos a mensagem a nós confiada. ” Ide e pregai” (Marcos 16.15).

Para finalizar, preciso que você viaje comigo na fé, a fim de que possamos confiar que o Espírito Santo fará a parte dele direitinho, usando cada conteúdo na internet mundial para alcançar almas por toda nação, e cada um, guiado pelo Espirito Santo, receberá o conteúdo e traduzirá para cada língua da forma mais adequada possível.

Assim, que a maior preocupação de nós cristãos seja a de produzir conteúdo, para que a mensagem possa estar disponível a todos na rede mundial de computadores.

Que tal focarmos nossa energia em produzir melhor em imagem e som para que todo o mundo receba nosso conteúdo?! O roteiro de salvação nós já temos.

Que tal transmitirmos nossas Igrejas e seus cultos com a melhor imagem pela internet, produzirmos conteúdos com nossa família e postarmos sobre aquilo que cremos?

Que bom seria que os empresários investissem nos cantores, músicos, atores, produtores, cineastas, dando a eles condições de produzir o melhor conteúdo para ser transmitido por essas novas tecnologias…

Imagino irmãos ofertando para o aumento da produção de conteúdo cristão, dando apoio aos ministérios “virtuais”. Quão bom seria e o quanto estaríamos contribuindo mais na pregação do evangelho, ao invés de gastar a nossa energia em fazer críticas ao que o mundo produz.

Imagino as igrejas e organizações religiosas dando seu apoio para cada ministério independente, e adotando como parte do seu corpo a fim de unir forças para alcançar o grande objetivo que é ver Jesus voltar.

Penso que com nossa energia concentrada em pregar o evangelho seremos “a luz no topo da montanha”, como sempre Deus desejou que fôssemos.

Vejo que Deus nos dá a oportunidade todos os dias de fazermos nossa parte no plano da salvação.

Enoque Junior é teólogo e pós graduado em gestão empresarial

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