A autossabotagem evangélica

Devemos ir além da “Indignação” e chorar pela omissão. Deus chama seu povo a se “humilhar, orar, buscar a sua face e se arrepender dos seus maus caminhos”

O último mês foi de uma “indignação” coletiva na nossa nação. Assistimos o STF tomar uma decisão que deixou muitos de nós decepcionados e até envergonhados como brasileiros.

As redes sociais ficaram repletas de imagens e palavras de repúdio, todas elas são lícitas, necessárias e até me representam. No entanto uma reflexão necessita ser realizada por aqueles que além de brasileiros: são igreja.

Até que ponto somos réus em tudo isso? Eu diria que somos tão culpados, quanto àqueles que estamos repudiando, pois somos chamados por Cristo de: “sal da terra e luz do mundo”.

Em primeiro lugar, pensando sobre o sal, chegamos à conclusão de que uma pequena quantidade é suficiente para dar sabor a uma comida, pois tem um grande poder de influenciar no resultado final daquilo que depois de pronto será apreciado por todos.

Pensando no segundo elemento usado por Cristo para nos definir, a luz, chegamos à mesma conclusão, pois uma pequena vela produz luz suficiente para clarear um ambiente. Assim, diariamente temos que lidar com mais e mais estatísticas de que o número de evangélicos tem crescido na nação brasileira e nos próximos anos a maioria da população será de evangélicos (etc).

Muitos políticos olham para a igreja evangélica no momento da eleição e fazem de tudo para se aproximar, pois sabem a grande quantidade de pessoas que somos. Os templos estão cheios, eventos com uma quantidade significativa de pessoas e marchas para Jesus com milhares de participantes.

Os números podem e devem nos alegrar. Entretanto trazem consigo um grande peso de responsabilidade e uma pergunta que deve nos confrontar: porque essa grande quantidade de “sal” e de “luz” tem resultado em uma comida ruim e um ambiente de densas trevas?

Ao olharmos sob a ótica da comparação que Jesus fez, o Brasil é uma comida sem sabor e um ambiente escuro. Sendo assim, colocamos a culpa de “tudo isso” no STF ou na política da nossa nação. Logo, criticarmos a comida e o ambiente, mas inocentamos o “sal e a luz”.

Nossa indignação com a política ou qualquer outra esfera da sociedade entre: mídia, educação, negócios, artes, não pode ser utilizada para nos escondermos da nossa responsabilidade como igreja. Esperar que o STF ensine ao Brasil sobre justiça é fracassarmos como igreja. Dessa forma, nos tornamos sal insípido e uma luz que não clareia, ou seja, que não cumprem o seu papel.

Durante muitos anos nos omitimos do debate político e de outras esferas da sociedade. Porém, agora, devemos ir um pouco além dessa “Indignação” e começarmos a chorar por nossa omissão. Em (2 Crônicas 7:14) Deus chama o seu povo (Igreja) a se “humilhar, orar, buscar a sua face e se arrepender dos seus maus caminhos”. Em conclusão faz uma promessa de que iria sarar a terra.

Devemos nos pronunciar em relação ao que está de errado no executivo, legislativo e judiciário. Mas primeiramente necessitamos assumir nossa parte em “tudo isso” como a principal de todas. Existem inúmeras profecias de um grande avivamento a começar de nós, e eu creio em todas elas.

Ao estudar as histórias do avivamento vamos perceber que todos começaram com lágrimas de uma igreja que foi despertada. Talvez este seja o momento de começarmos a chorar pela nossa omissão como igreja. Assim está escrito em (Joel 2:17): “Chorem os ministros de Deus entre o alpendre e o altar”. É hora de assumirmos nosso erro e sairmos desta autossabotagem evangélica.


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