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domingo, 23 junho 2024

Maioria dos manifestantes é contra intervenção na democracia

A pesquisa foi realizada no dia 25 de fevereiro de 2024, com 575 pessoas, entre as 13:30 e as 17:00, em toda a extensão da manifestação na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Pesquisa da USP realizada na manifestação do último domingo (25) mostra também que 43% dos participantes eram católicos 

Por Cristiano Stefenoni

Pesquisa realizada pela USP durante a manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no último domingo (25), na Avenida Paulista, em São Paulo, mostra um retrato diferente do que muitos imaginam. A maioria dos manifestantes é contra a intervenção na democracia: 61% disseram que o ex-presidente não deveria decretar estado de sítio em 2022. Além disso, 45% julgariam inadequado, caso Bolsonaro tivesse invocado o artigo 142 para solicitar a arbitragem das Forças Armadas.

Os números são do Monitor do Debate Político no Meio Digital, projeto de professores da Universidade de São Paulo, e revelam, também, que o ato não se tratou de um evento evangélico: 43% dos que responderan à pesquisa eram católicos.

“A religião dos manifestantes é parecida com a distribuição da orientação religiosa na população. O dado mostra que a manifestação não tinha um corte religioso claro”, ressaltou Pablo Ortellado, coordenador da pesquisa e professor de Gestão de Políticas Públicas.

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Para ele, outro ponto que chamou a atenção foi o fato de a maioria ser contra a intervenção na democracia. A pesquisa mostrou que, após as eleições que culminaram na derrota de Bolsonaro, em 2022, 45% não queriam que ele invocasse o Artigo 142 para solicitar a arbitragem das Forças Armadas; 61% não queriam que o ex-presidente decretasse Estado de Sítio.

Ortellado também destacou o perfil do público que esteve na manifestação. A maioria era branca (65%), homem (62%), com nível superior (67%) e renda maior que cinco salários mínimos (47%).

“Os fenômenos de mobilização de rua – não apenas no Brasil – são muito mais concentrados em quem tem ensino superior. Os mais escolarizados se mobilizam mais politicamente. Desde que começamos a estudar esses fenômenos país, há 10 anos, as manifestações de Direita e as de Esquerda (com algumas exceções) têm, geralmente, essa faixa de 65-75% de pessoas com ensino superior. Escolaridade e renda estão muito correlacionados (quem tem mais anos de estudo ganha mais)”, explica o professor.

Sobre a baixa adesão de mulheres e negros, o pesquisador acredita que isso pode ser reflexo das últimas eleições. “A baixa adesão de mulheres e negros é um traço que vem desde a primeira campanha de Bolsonaro. Eu não conheço o debate que tenta explicar por que eles se engajam menos com o ex-presidente, mas acredito que o discurso pró-armas e o punitivismo penal devem afastar esses dois grupos”, afirma.

A pesquisa também fez uma sondagem sobre o melhor candidato à presidência, na opinião dos manifestantes, caso Bolsonaro permaneça inelegível para o próximo pleito, em 2026. O nome de Tarcísio de Feitas (Republicanos) apareceu com 61% da preferência dos entrevistados, enquanto a esposa do ex-presidente, Michele Bolsonaro, veio em seguida, com 19%.

“A amostra era muito concentrada em São Paulo (embora um terço tivesse vindo do interior e de outros estados), então, é difícil extrapolar esses dados para o Brasil. Mas ficou claro que, pelo menos por aqui e entre os mais mobilizados, o nome de Tarcísio é majoritário”, finaliza.

A pesquisa foi realizada no dia 25 de fevereiro de 2024, com 575 pessoas, entre as 13h30 e as 17h, em toda a extensão da manifestação na Avenida Paulista. O grau de confiança é de 95%, e a margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos.

Confira os detalhes da pesquisa

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